Salvador Sobral: «O meu coração era, literalmente, demasiado grande»

Salvador Sobral foi submetido a um transplante de coração há cerca de um ano, depois de diagnosticado com insuficiência cardíaca grave.

Salvador Sobral: «O meu coração era, literalmente, demasiado grande»

Salvador Sobral foi submetido a um transplante de coração há cerca de um ano, depois de diagnosticado com insuficiência cardíaca grave.

Um ano depois de submetido a um transplante de coração, Salvador Sobral sente que já tinha passado «tempo suficiente para digerir tudo». E decidiu ‘amar por todos’, tornando-se no embaixador de uma ação de sensibilização da Sociedade Portuguesa de Cardiologia. A campanha tem como principal objectivo informar a população sobre a doença que afectou o artista português vencedor do Festival da Eurovisão: insuficiência cardíaca. «É importante falar sobre isto. Tendo em conta que comigo correu tudo tão bem, e que a minha recuperação está a correr tão bem, posso ser uma forma de esperança para pessoas com doenças cardiovasculares, especificamente que sofram de insuficiência cardíaca», começa por explicar na inauguração da escultura de um coração gigante anatómico em exposição na estação do metro de São Sebastião, em Lisboa como ‘bandeira’ da causa.

«Não havia nada que eu pudesse ter feito»

«Fui ao médico e ele disse-me que não havia nada que eu pudesse ter feito»

Apesar de haver sintomas a que devemos estar atentos no que diz respeito à insuficiência cardíaca, o músico, de 30 anos, explica que não havia nada que pudesse ter feito para prevenir o problema. De qualquer maneira, a condição cardíaca que o deixou às portas da morte é um tipo mais grave, e raro, do que o que afecta a maioria das pessoas. «Quando tive o primeiro ataque, uma taquicardia  brutal [aumento da frequência cardíaca para mais de 100 batidas por minuto], desmaiei e tive de ir para o hospital [em França]. A seguir a isso, quando voltei a Portugal, fui ao médico e ele disse-me que não havia nada que eu pudesse ter feito», recorda. Salvador conta que no caso dele, o problema estava no tamanho do coração. «O meu coração era, literalmente, demasiado grande. A primeira vez que me explicaram, estava em França e o médico disse-me ‘o teu coração é demasiado grande’. E eu disse ‘que bonito’», ironizou.

A vida de Salvador Sobral com um segundo coração

«Gosto de andar. Andar é tão bom! Andar era uma coisa que quase não conseguia fazer. Não podia sequer subir escadas»

Sobre os cuidados que  tem com o ‘novo’ coração, Salvador Sobral, que se casou em dezembro, como noticiámos em primeira-mão, garante acreditar no poder do bom-senso para conseguir atingir o seu objectivo: uma saúde equilibrada. Quer tratar o novo coração «emocionalmente». ‘Alimentá-lo’ «com amor e música». «No que diz respeito à alimentação, deve haver equilíbrio. Não devemos ser fundamentalistas. Temos de encontrar um equilíbrio nas coisas através do bom-senso.» O exercício físico é também outro ponto importante nos hábitos de saúde de Sobral. Mas, mais uma vez, sem exageros. «Não comer demasiada porcaria e fazer exercício. Atenção! Jogo futebol duas vezes por semana, portanto não faço imenso exercício. Mas pronto, mexo-me… Gosto de andar. Andar é tão bom! Andar era uma coisa que quase não conseguia fazer. Não podia sequer subir escadas. Por isso, andar é uma coisa óptima.»

Salvador Sobral, que vai lançar um novo álbum em março, ainda deixa um apelo a todos os que possam estar a identificar sintomas ou que já tenham sido diagnosticados com insuficiência cardíaca. «Sim, devem ver os sintomas. No entanto, não deve deixar-se que a paranóia nos domine. Com bom-senso, as pessoas percebem os sintomas.» Para terminar, o músico acrescenta que a esperança é outro factor indispensável na luta contra a doença. E que, enquanto caso de sucesso, espera poder inspirar várias pessoas a terem uma mente positiva. «Também quero deixar uma mensagem de esperança. Felizmente, hoje em dia, a Medicina está muito evoluída. Funciona cada vez melhor e a uma velocidade brutal. As doenças cardiovasculares são tão comuns que também é de recordar que há muito estudo sobre elas. Deixo uma mensagem de esperança. As coisas melhoram. Olha aqui, diz, afastando o casaco aponta para o coração».

Insuficiência cardíaca: o inimigo disfarçado de envelhecimento

A insuficiência cardíaca é o nome dado a todas as condições nas quais o coração deixa de ter a capacidade de bombear sangue de forma eficaz e suficiente. De acordo com a Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC), estima-se que 5% da população adulta portuguesa sofra desta doença. A insuficiência cardíaca «continua a ser desprezada e desvalorizada pela população em geral, que interpreta os sintomas como parte normal do envelhecimento». Hipertensão arterial, cardiomiopatia, arritmia, ataque cardíaco, diabetes, tabagismo, alcoolismo, obesidade e doença coronária são as causas mais comuns que levam à doença que quase ceifou a vida ao músico. «O Salvador teve esta doença. Num estado em que felizmente muitos poucos portugueses alguma vez terão. Ele é um jovem que toda a gente conhece que passou por esta doença. Portanto, é um rosto, um exemplo. Os embaixadores servem para isto, para nos ajudarem a chamar a atenção da população», destaca ao João Morais, presidente da SPC, ao Portal de Notícias Impala.

Os 11 grandes sintomas

1. Falta de ar
2. Fadiga
3. Inchaço nas pernas e nos tornozelos
4. Batimentos cardíacos acelerados ou irregulares
5. Redução da capacidade de conseguir fazer exercício físico
6. Tosse persistente
7. Aumento da necessidade de urinar durante a noite
8. Inchaço no abdómen
9. Ganhos rápido de peso
10. Desmaios com perda de consciência
11. Falta de ar extrema

Texto: Mafalda Tello Silva; Fotos: Helena Morais

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