Pedro Barroso confessa pensamentos suicidas: «Há alturas em que aquela parece a melhor opção»

Pedro Barroso esteve no Alta Definição e revelou que o vício o levou a procurar ajuda: «Tinha vergonha que a minha mãe contasse ao meu avô».

Depois de José Carlos Pereira e Diogo Amaral, agora foi Pedro Barroso quem revelou ter tido problemas com drogas no passado. O ator foi o convidado de Alta Definição deste sábado, 25 de janeiro, e relatou o drama que viveu, que o levou quase ao suicídio.

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Numa conversa emocionada, Pedro começou por falar da sua infância e da falta que o pai lhe fez ao longo do seu crescimento: «Houve alturas em que me senti menos acompanhado, abandonado. E isso causa imensas dúvidas, uma necessidade de aceitação, que gostem de nós… Há datas que falharam, aniversários, Natais…»

«Faltaram-me os ‘parabéns’, o ‘gosto de ti’, o ‘amo-te’, o ‘tenho saudades tuas’. Faltaram-me palavras de interesse, de crescimento», conta, revelando, porém, que nunca partilhou com a mãe o que sentia: «A minha capa levava-me sempre a dizer que estava bem».

Apesar do distanciamento do pai, o ator conta que sentiu sempre muito amor da mãe e dos avós. No entanto, «isso não colmata a ausência». «A ferida existe em aberto. Não podes mudar, mas houve alturas em que eu não sabia fazer essa análise. Tentei correr atrás dessa palavra, desse abraço, e é um processo de te autoflagelares um pouco. Isso não vai acontecer, então simplesmente aceitas».

Consumo de cocaína e pensamento suicida

Pedro Barroso revelou ainda a Daniel Oliveira que, num passado recente, enfrentou um problema de adição de drogas. «Há uma parte de mim que é frágil e que eu estava a danificar. E eu danificava com consumos de cocaína. Os consumos ajudavam a não lidar com as minhas emoções».

Numa fase mais complicada, o ator chegou mesmo a pensar em suicídio: «Estive próximo de desistir da vida. Há alturas em que estas tão cansado de errar, de falhar, que aquela parece a melhor opção. Nada mais importa. É um pensamento que vem devagarinho e sair dai é complicado. Mas há pessoas que te puxam para o outro lado, que parece que caem do céu. Essas pessoas veem mais luz do que tu vês em ti e capacidades que tu não vês.»

Nesta altura, Pedro estava a gravar uma novela, mas decidiu entrar em tratamento. Perguntaram-lhe se queria sair ou se fazia o tratamento ao mesmo tempo que as gravações. Decidiu ficar. «Foi importante permanecer ali e cumprir. Foram dias duros e pesados», afirmou, falando de seguida sobre aquela que foi uma das fases mais difíceis da sua vida: a morte da avó, em setembro de 2017.

«Pedi para me meterem a gravar o mais possível. Eu não queria lidar com a ausência, com o meu vazio», disse, revelando que foi esse mesmo sentimento que o levou várias vezes a consumir droga: «Não querer lidar com a ausência, com a incerteza, com a solidão».

Em novembro de 2018, Pedro Barroso resolveu abandonar a novela Valor da Vida (TVI), a meio das gravações. «Existe um momento em que percecionas as coisas. Errei. Na altura, não tinha capacidade para gravar e acabei por faltar. E isso implica falhares com muita gente, com pessoas que acreditaram em ti, falhares contigo próprio. E isso é duro», disse, recordando ainda que chegou a ir para as gravações alterado: «Não chagava no meu melhor estado emocional».

«Tive muito carinho, aceitação e amor de pessoas que eu não esperava. Mas também tive atitudes que me surpreenderam pela negativa. Isto é viver… Só tens de dizer cresce, molda-te e caminha», afirmou ainda.

«Precisas de largar pessoas, sentimentos, culpas, lugares, precisas de te reinventar… Deixei para trás uma novela, algumas amizades, perdi dinheiro, deixei para trás um país durante um tempo», afirmou, referindo-se à viagem que fez para o Japão: «Precisava de me ir conhecer fora, sem ser o Pedro Barroso. Fui de mochila às costas. Estive numa ilha a fazer uma peregrinação e esse processo foi revitalizante. Foram longas caminhadas, longas conversas que tive comigo. Fui-me humanizar».

«Tinha vergonha que a minha mãe contasse ao meu avô»

Para o ator, a privação do consumo «foi um processo priscológico» que conseguiu ultrapassar com o tratamento. «Como é que não voltas a infligir dor a ti próprio… Nem sempre vais utilizar as ferramentas que te deram. Vais cair, vais caminhar de novo. Mas agora já não corro tanto, olho mais, ando mais. Tenho um novo ritmo dentro de mim e percebo o que funciona para mim», afirmou, sublinhando que as rotinas são fundamentais nesta sua ‘nova vida’: «Levanto-me às 5h30 da manhã, faço a minha meditação, às 6h30 estou a treinar. Preciso das minhas rotinas, de pessoas que me façam bem, aprendi a respirar.»

E aprendeu também a confiar nas pessoas: «Há uns tempos, liguei para um colega que fez este processo comigo. Aprendes a partilhar as coisas simples… E eu lembro-me de dizer ‘sinto-me sozinho’. E teres a coragem de dizer isto e não teres vergonha… ‘Sinto-me sozinho, sinto-me frágil’. Isto é ouvires-te e, em vez de tomares outras opções, partilhas. Eu aprendi que do outro lado não me iam falhar. Aprendes a não ter vergonha das tuas incertezas, porque também é disto que eu sou feito.»

Pedro Barroso falou também da importância que os avós tiveram na sua vida: «Foram o meu pilar, o amor incondicional de quem me queria como um filho. Deram-me tudo, edificaram-me.»

«Eu tinha vergonha que a minha mãe contasse ao meu avô que eu estava em tratamento. Ele chegou a ir visitar-me e isso foi muito importante. Com a idade dele, perceber o processo que eu estava a viver… é heróico da parte dele», afirmou ainda.

«Só chorei pela minha avó no Japão»

Sem conter as lágrimas, o ator recordou também a avó: «Só fiz o luto, só chorei pela minha avó no Japão, quando caminhava», contou, referindo que foi nesta fase da sua vida que reencontrou a religião: «Sou batizado, mas perdi a crença e no Japão voltei a acreditar num poder superior. Sei que a minha avó está comigo e isso é muito importante para mim. Continuares a falar com quem parte de outra forma, manteres as memórias vivas, manteres os ensinamentos…»

Apesar do longo percurso que fez, Pedro Barroso sabe que o caminho ainda não chegou ao fim. «Tenho medo de me expor, tenho medo que me conheçam, que me possam vir a magoar, tenho medo de falhar de novo», diz, sublinhando, no entanto, que hoje em dia tem mais ferramentas para enfrentar o futuro: «O medo já me paralisou lá atrás. Agora, torna-me mais atento.».

E o que é que mudou? «Valorizo mais o tempo, as pessoas, as conversas, voltei a ganhar amor por mim e agora sei que está tudo bem. Vens com outras certezas, com outra armadura. Tenho várias experiências que podem fazer de mim uma pessoa melhor. E agora tenho de trabalhar com essa armadura».

Texto: Patrícia Correia Branco

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