Merche Romero fala sobre Ronaldo, novo namorado e o assédio

Merche Romero abre o coração para falar da vida pessoal e profissional. Numa entrevista à Nova Gente, a apresentadora e atual comentadora do Big Brother não deixa nada por dizer.

Merche Romero fala sobre Ronaldo, novo namorado e o assédio

Merche Romero abre o coração para falar da vida pessoal e profissional. Numa entrevista à Nova Gente, a apresentadora e atual comentadora do Big Brother não deixa nada por dizer.

Merche Romero deu uma entrevista exclusiva à Nova Gente, na qual fala sobre o regresso à televisão como comentadora do Big Brother. Numa conversa intimista e sem ‘papas na língua’, a apresentadora confessa que gostava de continuar no pequeno ecrã, diz que lhe puseram um rótulo, conta que foi sempre muito assediada e aborda ainda a ‘guerra’ com o pai do filho. No campo amoroso, Merche Romero revela que tem um namorado e recorda ainda a relação com Cristiano Ronaldo.

Este regresso à televisão era muito desejado?
Sim, era muito. Acho que era desejado por muita gente que gosta da mim e isso foi o que mais me deixou mais feliz, entusiasmada, grata e esperançosa. Eu já estava a virar a página. Ou a tentar, porque, por mais que a gente tente, o bichinho fica cá sempre.

Já tinha desistido?
Desistir não, porque eu não sou uma pessoa de desistir. Mas não vivia com a esperança diariamente. De vez em quando, vinha-me aquela saudade e evitava até ver televisão por causa disso. Porque me magoava, sentia dor, sentia tristeza…

Na sua opinião, porque é que esteve tanto tempo afastada? Falou-se sempre de muita coisa… Que a Merche tinha um feitio difícil, que se incompatibilizou com A ou B… 
Eu acho isso tão estranho… Quem me conhece sabe que eu não sou assim. Eu realmente digo o que penso, sou uma pessoa de confrontar as pessoas caso tenha de o fazer, mas não é para criar mau ambiente. Pelo contrário, eu sou daquelas pessoas que, quando chega, gosta de criar bom ambiente, de por todos a rir. Só que o mundo da televisão é puxado e há, obviamente, muitas situações em que, quando não gostamos de alguma coisa, reagimos. E eu não tinha a idade que tenho hoje…

Era mais impulsiva?
Eu comecei com 24 anos, agora tenho 44. Passaram 20. É natural que uma jovem adulta que entra num meio totalmente desconhecido, que está habituada a ser um espírito livre, de repente, quer voar e não a deixam. Aconteceu isso muitas vezes.

Mas sente que lhe cortaram as pernas?
[risos] Digamos que é mais elegante dizer que não me deixaram voar.

Confrontou, então, as pessoas erradas?
Dizer confronto parece uma coisa negativa. O que eu acho é que há pessoas que, quando nós nos impomos ou dizemos ‘não’, levam como uma afronta. Mas ter personalidade é poder sim ou não. Vivemos num mundo livre e não numa ditadura, mas é verdade que, neste mundo da televisão, há muita gente que tem medo de dizer o que pensa e eu, na altura, não tinha medo de nada. Tudo foi uma aprendizagem. Mas, claro, naquela altura eu era muito mais impulsiva do que sou hoje. Não tinha tanta noção da realidade do que era este mundo. Encarava tudo como algo muito livre e não via maldade em nada. Hoje em dia, analiso, conto até 10, sei quem é quem, é tudo diferente.

Houve pessoas que se aproveitaram dessa sua, digamos, ingenuidade?
Sim, sim. Neste meio, há muita gente que sofre disso, principalmente quando está no topo. Mas tudo tem um principio, um meio e um fim, e nem sempre estamos lá em cima. Toda a gente tem picos, altos e baixos, seja na vida pessoal ou na profissional.

A Merche esteve no topo durante muitos anos…
Mas sabe que, na altura, nem me dei conta disso? E esse meu ‘lá em cima’ foi mal acompanhado. Eu não tive quem me ajudasse a gerir a carreira e isso passa muitas vezes por ter alguém que nos ajude a encontrar o caminho e a dizer ‘olha, não vás por aí, que é perigoso, vai antes por ali, etc’. Por exemplo, se calhar, não devia ter feito tantas presenças.

Essas presenças levaram a que ficasse muito ligada a uma imagem da noite.
Sim, mas eu era paga para ir às festas. Isto aconteceu durante anos, foi uma moda naquela altura. Eu era a rainha das presenças [risos]. Mas não era a única.

Merche Romero diz que relação com Cristiano Ronaldo “foi verdadeira”
Acha que a relação com o Cristiano Ronaldo a prejudicou? Na altura, também se dizia que tinha ficado um bocadinho deslumbrada…
Não, não acho nada. A nossa relação foi verdadeira, é importante dizer isto. Houve um encantamento dos dois. Estávamos os dois numa fase de vida muito inicial. Eu na moda e na televisão, ele no futebol… Aconteceu tudo tão rápido que eu não tinha tempo para gerir nada.

Isso na altura não a assustou?
Eu não tinha tempo para me assustar sequer. E atenção, o Cristiano da altura não é o Cristiano que é hoje. Já estava em ascensão, claro, mas era diferente.

Viveu essa relação com a tal liberdade de que fala? Não achou que devia proteger-se mais?
Eu sempre fui eu própria. Genuína, transparente… Mas obviamente que hoje em dia penso duas vezes em tudo. Na altura, eu era um espírito livre.

Sente-se magoada com as pessoas que diziam que se estava a aproveitar dele?
Eu? Mas a aproveitar de quê? Com 20 anos, eu já tinha a minha casa, já tinha o meu carro, tinha a minha família, tinha tudo estável. Eu nunca estive com alguém para me aproveitar de alguma coisa. Se calhar, sofri mais eu disso – e não estou a falar do Cristiano – ao longo da minha vida do que eu naquela altura com ele.

Então as críticas eram-lhe indiferentes?
Não, claro que não. Nem em relação a ele, nem a outras coisas. E dou-lhe um exemplo. Uma vez, fui a um evento de solidariedade. Faltei a uma presença para ir fazer esse evento e, na altura, fui capa de uma revista, que dizia ‘Merche em queda’. E eu tinha acabado de apresentar um evento para angariar fundos para um edifício de doentes oncológicos! Aquilo doeu-me tanto… Eu deixei de ganhar dinheiro para ajudar e essas fotografias foram usadas para me deitar abaixo. E eu não soube lidar com a injustiça. Nessas alturas é que eu me virava, porque eu não sei lidar com injustiças. E reagia.

Em quem é que se apoiava?
Eu sempre fui uma sobrevivente, vivi sempre a decidir as minhas coisas sozinha. Mas a pessoa que mais me ajuda sempre é o meu irmão Óscar. É o meu confidente, o meu melhor amigo, aquela pessoa a quem eu ligava, e ligo, a pedir conselhos.

Olhando para atrás, o que pensa sobre tudo o que aconteceu?
Na altura, foi muito mau, mas hoje em dia já digo que é bom. Eu sou a pessoa que sou por tudo aquilo que passei.

Que mulher é hoje?
Sou uma mulher bem resolvida, tranquila, serena, com algum sofrimento em cima. As pessoas veem sempre mais o meu sorriso do que as minhas lágrimas, porque eu faço questão disso. Não gosto de partilhar as minhas tristezas. Mas foram anos muito difíceis.

Em termos financeiros?
Não estou estou a falar só da parte económica. Estou a falar da parte emocional, familiar… Perdi o meu pai. Tudo foi um processo emocionalmente difícil, que me abalou muito. Não levar os problemas para o trabalho era muito difícil. Tinha de colocar uma máscara. Na altura, estava a fazer um programa diário e nós não podíamos fugir dos problemas. Não havia aquele dia em que podia ficar na cama a chorar o dia todo. Eu não tinha um dia para mim. Era de segunda a domingo, e foi isto durante anos.

Esse esforço todo valeu a pena?
Valeu. Mas, lá está, paguei um preço alto. A solidão, a injustiça, fazerem de mim uma pessoa que eu não era.

Sente mágoa de alguém em especial?
Não digo mágoa, mas há uma pessoa responsável por isso.

Quem?
Não vale a pena ir por aí. Para mim, a amizade é um posto. Eu sou mesmo amiga. Quando gosto, gosto. Se confio, confio. E quando me desiludem é um problema, e sinto que fui usada e depois deitada fora. Mas aprendi com isso, aprendi que não podemos confiar em quase ninguém. Isto foi uma lição de vida.

Mantém amigos na televisão?
Eu nunca tive amigos na televisão. Tenho conhecidos.

Ao longo destes anos que esteve afastada, nunca telefonou a ninguém, nunca pediu trabalho?
Não, nunca. Eu ia dizer o quê? Ia pedir o quê? Eles sabem que eu estou aqui. O que é que eu fiz de mal? Se me quiserem perguntar alguma coisa, se têm duvidas em relação a alguma coisa, testem-me. Deem-me essa oportunidade de, pelo menos, tirarem as duvidas. Este boato durou anos… Andaram a difamar-me durante muito tempo, mas não fui só eu. Não fizeram isso só comigo e há pessoas que já falaram sobre isso publicamente.

Está a falar de assédio? Recentemente, algumas figuras públicas assumiram ter sido vítimas…
Bom, eu senti isso desde sempre. Não foi só na televisão. Em tudo o que fiz na minha vida, desde que sou mulher, fui assediada.

E como é que lidou com isso?
Se tinha de responder à letra, respondia. Se tinha de afastar, afastava. Se tinha de empurrar, empurrava. Por isso, na televisão, essa questão do assédio nunca foi um problema. Sempre deixei as coisas bem claras. Não foi o assédio que me afastou da televisão. Foi mesmo só por me terem criado um rótulo que não tinha nada a ver comigo. Não quer dizer que não tenha cometido erros, como qualquer ser humano, mas um erro pequenino meu era um problemão. Tudo se notava muito em mim e eu também era um alvo fácil.

Este regresso foi o realizar de um sonho?
Sim, foi. E estou muito grata.

Foi a Cristina Ferreira que a convidou?
Não foi ela diretamente, mas ela recebeu-me muito bem desde o primeiro dia. Estive com ela na casa [estúdio do Cristina ComVida] e foi uma surpresa. Foi muito carinhosa comigo e eu não estava à espera.

Como é que recebeu o convite?
Não foi um telefonema, foi uma mensagem. Eu tinha tido uma insónia, levantei-me de madrugada, vi a mensagem e até esfreguei os olhos para ver se tinha visto bem [risos]. Eu recebo muitas mensagens com propostas de trabalho, mas quando vi TVI, pensei ‘calma’. Claro que já nem dormi mais! Às 7h da manhã, liguei logo ao meu irmão Óscar. Fiquei muito feliz.

Acha que isto pode ser um regresso e não ficar apenas pelos comentários do Big Brother?
Eu não quero pensar muito nisso. Não quero sofrer por antecipação, nem criar ilusões. Quero viver o presente e quero fazer o que estou a fazer bem.

E está a gostar?
Estou.

Via o Big Brother ou outros reality shows?
Via alguns resumos de vez em quando. A minha mãe tem sempre a TVI Reality ligada e, quando eu ia a casa dela, via um bocadinho. Mas, como já disse, fiquei um bocadinho zangada com a televisão e a minha relação com a televisão era muito rápida. Via as noticias ou um filme, ou então os desenhos animados com o meu filho.

Ficava triste ao ver outras apresentadoras e a pensar que podia ser e Merche no lugar delas?
Não era nada em relação às apresentadoras. Era só uma melancolia… Bastava ouvir as vozes de colegas com quem trabalhei que ficava nostálgica. Era um misto de sentimentos que não me trazia um sorriso. Pelo contrário. Então, comecei a ocupar o meu tempo com outras coisas e a dedicar-me a outras coisas. Tive de me reinventar. Sou DJ, por exemplo, mas é um complemento. Não é o meu foco principal.

Trabalhou em quê?
Fiz algumas coisas de moda e, curiosamente, mesmo não estando em televisão, as câmaras municipais, eventos, desfiles, entrega de prémios… Eu nunca deixei de trabalhar nesse mercado. E foi esse mercado que me salvou profissionalmente. Era aí que eu percebia que o público continuava a gostar muito de mim. Sentia que nunca me abandonaram. E agora, quando voltei, recebi muitas mensagens. Emocionei-me muitas vezes.

Recebeu mensagens de colegas de televisão?
Sim, também. Da Tânia Ribas de Oliveira e da Paula Teixeira, da linguagem gestual, por exemplo. E vou-me cruzando com algumas pessoas que me dão abraços, e esse abraço faz-me sentir bem. Nesta fase da minha vida, eu quero é estar em paz. Quero fazer o que gosto, ter tempo para o meu filho, quero viver tranquila.

Mas, apesar de dizer que não quer criar ilusões, de certeza que é inevitável pensar que, depois do Big Brother, poderão surgir outras oportunidades…
Claro que isso já me passou pela cabeça, mas não alimento ilusões para não me desiludir. E a desilusão depois é muito grande. E ficarmos à espera é muito difícil. Acredito que pode acontecer, porque estou a fazer um bom trabalho. Esse é o meu foco agora.

Dos concorrentes do Big Brother, já tem alguns preferidos?
Preferidos, não. Nós estamos a avaliar atitudes, não é a pessoa. Todos eles estão ali e comportam-se por reação a algo, a jogos, a outras pessoas. Eu já passei por aquilo e tenho muito boa memória. Lembro-me perfeitamente do que me trouxe de bom e uma dessas coisas foi eu ficar a conhecer o meu limite da paciência, o meu auto-controlo.

Esse auto-controlo ajudaria a controlar aquela Merche explosiva, imaginando que voltaria à televisão?
Sim, mas vou continuar sempre a ser a Merche furacão [risos]. Eu sou assim, gosto da energia. Continuo a ser a mesma pessoa, mas um bocadinho mais controlada e equilibrada.

«Eu não queria que o meu filho tivesse de passar por isto»

Recentemente, expôs nas redes sociais e deu uma entrevista a dizer que é mãe a tempo inteiro…
É o que é. Ser mãe a tempo inteiro é muito duro. O assunto está em tribunal há quatro anos. O que aconteceu agora foi que ele [António Pereira, pai do único filho da apresentadora, Salvador] abriu mão da guarda partilhada. O Salvador passava uma semana com cada um e agora está a tempo inteiro comigo por decisão dele. Graças a Deus, o Salvador é muito amado. Nós somos poucos, mas cuidamos de quem amamos.

Tem sido difícil? 
Não tem sido fácil a gestão, a logística. Quem é mãe solteira e tem pouca ajuda familiar, sabe que se torna complicado. Eu tenho horário diversificados e, com a escola, não é fácil de gerir. Mas conto com a ajuda da minha mãe e até de mães de amiguinhos do Salvador, a quem eu estou muito grata.

Esta situação deixa-a triste?
Claro que sim. Eu não queria que o meu filho tivesse de passar por isto, nem queria eu própria estar a passar por isto.

O que é terá levado o pai do Salvador a tomar esta atitude?
Eu não quero saber nada disso. Eu só quero paz e quero que o meu filho esteja bem. Eu não quero nenhuma guerra, não abri guerra nenhuma. Quando falei no assunto publicamente, simplesmente disse a verdade. Eu nunca disse mal de ninguém, porque, se fosse para dizer, tínhamos muito para falar os dois, lavar roupa suja, e não é essa a questão sequer. A questão é como é que uma pessoa trabalha e vive a tempo inteiro com uma criança, sozinha? E porque é que se faz isto de ânimo leve? Não entendo… E sem diálogo. Ele afastou-se, apenas e só.

Porque é que resolveu tornar pública essa situação?
Porque eu sou o exemplo de muitas mulheres que ficam sozinhas e que ficam com a responsabilidade total de uma criança. E isso é de um egoísmo muito grande. E a Justiça? Em que é que nos ajuda?

Mas o caso está em tribunal, certo?
Sim, mas demora anos. Eu não percebo. E agora pergunto… Para que é que servem os acordos se eles são quebrados? Devia haver uma punição, mas não há. E foi por isso também que eu falei no assunto. Eu cheguei a ficar de mãos atadas e a pensar ‘como é que eu vou trabalhar?’. E o meu filho chegou a ir comigo, senão eu não podia ir trabalhar.

Como é a sua relação com o Salvador?
É um grande amigo, um grande companheiro. Ele tem 10 anos e a verdade é que ele já queria ficar mais tempo comigo, mas estas coisas têm de ser feitas com tempo e têm de ser pensadas. Não é assim… Não é mandar um mail dois dias antes de ir de férias.

Merche Romero revela que tem namorado

Mudando de assunto radicalmente. Está apaixonada?
Eu costumo dizer sempre que sou uma pessoa apaixonada pela vida…

Sim, isso é aquela resposta que toda a gente dá e que não quer dizer nada… 
[risos] Quando eu tiver de viver com alguém, vocês vão saber, porque quando eu estou com alguém, essa pessoa acompanha-me.

Então não tem namorado, é isso?
Eu não queria falar muito sobre isso [risos].

Isso é um sim, portanto…
Tenho alguém especial na minha vida, sim. Ninguém gosta de estar sozinha, não é? Claro que eu já passei fases em que estive muito tempo sozinha, porque não sou propriamente uma mulher fácil de me apaixonar. Mas quando gosto, gosto e gosto muito. E vivo tudo muito intensamente.

Então está feliz?
Sim. Vamos pouco a pouco. Estou com quem me faz bem.

Texto: Patrícia Correia Branco; Fotos: Nuno Moreira

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