José Alberto Carvalho abre Jornal das 8 com pedido de desculpas

José Alberto Carvalho abriu o Jornal das 8 desta terça-feira, dia 14 de abril, com um pedido de desculpas. Após um oráculo da TVI ter acabado em polémica, o pivô fez questão de dar algumas palavras aos telespectadores

José Alberto Carvalho abre Jornal das 8 com pedido de desculpas

José Alberto Carvalho abriu o Jornal das 8 desta terça-feira, dia 14 de abril, com um pedido de desculpas. Após um oráculo da TVI ter acabado em polémica, o pivô fez questão de dar algumas palavras aos telespectadores

José Alberto Carvalho iniciou o noticiário da TVI, Jornal das 8, com um pedido de desculpas.​ «Norte de Portugal mais castigado: População menos educada, mais pobre, envelhecida e concentrada em lares». Nunca um oráculo num noticiário gerou tanta indignação em Portugal.

A mensagem foi transmitida na emissão desta segunda-feira do Jornal das 8 e, 24 horas depois, já depois de uma enorme onda de indignação nas redes sociais, o pivô fez questão de deixar algumas palavras aos telespectadores.

«Boa noite. Começo por um momento triste mas absolutamente necessário do ponto de vista profissional. É um pedido de desculpas por causa de uma frase exibida ontem no Jornal das 8. A frase percorreu toda a Internet em poucas horas e suscitou uma enorme onda de protestos», começou por dizer o pivô do principal bloco noticioso da estação de Queluz de Baixo.

«Peço desculpa por convicção»

José Alberto Carvalho não tem dúvidas: «É obviamente uma frase errada e infeliz e nunca devia ter sido escrita nem exibida. Nem aqui nem em jornal nenhum. Foi um erro e peço desculpa em nome da redação da TVI. É errada e infeliz. Peço desculpa, não por obrigação, ou porque fica bem, ou porque o próprio Diretor de Informação já o fez ao longo do dia. Peço desculpa por convicção.»

O pivô do Jornal das 8 lembrou, então, que nasceu «na Beira, que não é nem no norte nem no sul e que, portanto, nos debates regionais que às vezes acontecem no país até parece que ninguém se importa». «Eu importo-me. Como as pessoas do Norte se importam quando falam da sua região num tom errado ou injusto. As pessoas de Lisboa, ou dos Açores, ou da Madeira, ou do Minho, ou de Trás-os-Montes, ou do Alentejo, seja de onde for, importam-se quando falam da sua terra com pouco respeito», continuou.

«Quando falam de Portugal, nós importamo-nos todos. E é isso que nunca pode estar em causa, porque nunca esteve. A reação de quem viu apenas a frase fotografada num post nas redes sociais só pode ser de indignação. É totalmente legítimo. Se isso não tivesse acontecido é que seria dramático. Para o Norte e para o país», continuou.

Em jeito de remate, fez um alerta: «Também espero que estas palavras mereçam agora uma atenção semelhante, porque elas se destinam a defender a verdade. E a verdade é esta: os dados da pandemia apresentados pelas autoridades de saúde podem induzir-nos em erro, como acontece sempre que a estatística entra em ação.»

Passou, depois, uma reportagem que explicava que o Norte concentra 60% dos infetados com o novo coronavírus e que 57% das vítimas mortais por Covid-19 no nosso país são nesta região.

Sérgio Figueiredo: «É evidente que ninguém se revê naquilo que ali está, nem muito menos se orgulha»

De novo em estúdio, José Alberto Carvalho recebeu Sérgio Figueiredo, ele que, já na manhã desta terça-feira, tinha feito um pedido de desculpas público em nome de toda a redação da TVI. O Diretor de Informação reforçou a mensagem de José Alberto Carvalho no início do noticiário.

«É evidente que ninguém se revê naquilo que ali está, nem muito menos se orgulho. Mas também com toda a convicção te digo que não nos vamos enforcar por isso. As coisas têm de ter o seu peso e medida», defendeu o responsável, acrescentando que a «humildade» com que pede desculpa «aos portugueses e às pessoas do norte em especial não apaga as convicções».

Sérgio Figueiredo disse ainda sentir uma «tristeza absoluta» pelo erro cometido, «involuntário e prontamente assumido». E justificou: «Estamos a trabalhar com metade da equipa para fazer o dobro daquilo que nos é exigido. Em circunstâncias normais, provavelmente, aquele erro não seria cometido. Porque foi feito por uma das nossas melhores profissionais. Nem se pode dizer: ‘É um estagiário’. Mas, de facto, nós próprios estamos aqui numa luta pela sobrevivência, a trabalhar em exaustão. Isso não é desculpa, é factual.»

«Enfrentam o perigo real de contágio»

O Diretor de Informação explicou ainda porque optou por abrir o Jornal das 8 com este assunto. «Para que não subsistam dúvidas. Tenho bem noção de que as pessoas que estão aqui e as que já passaram por aqui noutros turnos do dia e que vão continuar a estar aqui até às 2 da manhã não constituem a linha da frente, porque nessa linha da frente estão os profissionais de saúde. De facto, enfrentam o perigo real de contágio. Mas nós estamos cá. Estamos cá porque não podemos permitir que faróis se apaguem quando há tempestades. E o jornalismo é um farol, com todos os defeitos, com todos os problemas e com todo o escrutínio que temos.»

A fechar, uma garantia: «Há uma coisa que a TVI não vai fazer. Já fez uma coisa: cometeu um erro, assumiu e pediu desculpas. Não vai alimentar, nem separações nem divisões fúteis e fictícias entre regiões e os portugueses, porque a hora é de união. Estamos numa pela nossa sobrevivência coletiva. Estar a transformar a TVI e o erro da TVI no centro das atenções é, no mínimo, curto.»

Texto: Dúlio Silva

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