Herman José foi alvo de censura: «Estava rodeado por todos os lados»

Herman José sobe ao palco do Coliseu dos Recreios para o primeiro concerto em nome próprio, a dia 12 de abril. O artista recordou o tempo em que foi censurado.

Herman José foi alvo de censura: «Estava rodeado por todos os lados»

Herman José sobe ao palco do Coliseu dos Recreios para o primeiro concerto em nome próprio, a dia 12 de abril. O artista recordou o tempo em que foi censurado.

Herman José vai subir ao palco do Coliseu dos Recreios, em Lisboa. O concerto está marcado para 12 de abril e é o primeiro do humorista na mítica sala alfacinha em nome próprio. Em entrevista a Manuel Luís Goucha, emitida esta terça-feira no Você na TV!, da TVI, o apresentador da RTP recordou momentos marcantes das últimas décadas, especialmente os mais recentes «dez anos gloriosos» de concertos, que, diz, lhe «devolveram a felicidade e o orgulho artístico».

«Este espetáculo é uma feliz comemoração por estar numa fase tão simpática», diz o anfitrião do talkshow Cá Por Casa com Herman José, da RTP1, assumindo que gostava de ver o pai, que morreu em 1999, na primeira fila do Coliseu. «A partir de certa altura [da carreira de Herman], ele passou a ser crítico do meu trabalho», recordou.

«Quem eram os censores de então?»

A crítica – e a censura – nunca abandonaram Herman, que admitiu ter «sofrido muito». Um dos episódios mais polémicos aconteceu em 1988, aquando da emissão do programa Humor de Perdição. Nessa altura, a emissão foi cortada a meio de uma entrevista à personagem da rainha Santa Isabel. No momento seguinte, José Rodrigues dos Santos anunciava que o formato seria cancelado.

«Quem eram os censores de então?», quis saber Goucha. «Eu estava rodeado de todos os lados. Seria uma conversa que duraria uma hora e teria consequências absolutamente nefastas. Uma boa conversa para daqui a dez anos. Provavelmente, grande parte deles estará com um tubo no nariz e aí já se pode falar», atirou.

«Hoje há censura, claro que sinto isso. (…) Sou o meu próprio censor. Sou muito cruel comigo próprio»

Sobre o passado, diz ainda arrepender-se «de imensas coisas», «sobretudo» de ter confiado em «pessoas que são vírus». «Não entendo quem diz que faria tudo igual!», afirma ainda.

«Finalmente tenho o público que mereço»

Reinventado na sua página de Instagram, onde dá rosto a várias personagens de humor, Herman José frisou ter sido sempre um homem à frente do seu tempo. «Vivi terrivelmente isolado na minha suposta modernidade», confessou, lembrando a mesma época. «Vou ser imodesto: Dá-me a sensação que os tempos chegaram ao meu nível. Finalmente tenho o público e os utensílios [tecnológicos] que mereço», atirou.

E será que o humor tem limites? «Tem, consoante o sítio onde estou. Neste espetáculo [no Coliseu] há poucos limites, por isso é que ele não pode ser televisionado», disse ainda, revelando que a declinou a oferta da RTP para gravar o concerto. «Corta-me a criatividade. Há coisas que não se podem dizer, que passam a ser ofensas [se passarem em televisão]», explicou.

Aos 90 anos em cima de um palco

O passado é passado e Herman José não coloca a hipótese de se retirar. O «verdadeiro artista», como é chamado, vê-se «aos 90 em cima de um palco, a cantar».

«O facto de termos um passado ótimo não é atestado nenhum. Temos de provar coisas todos os dias», refere ainda a Manuel Luís Goucha. «Sou como tu, acho que o nosso [monte] Evereste ainda está por chegar», aponta.

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Texto: Ana Filipe Silveira; Fotos: reprodução redes sociais

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