Fernando Tordo diz que música portuguesa é para «atrasados mentais»

Fernando Tordo deu uma entrevista onde disse o que pensa sobre a música portuguesa produzida atualmente. Luísa Sobral, Diogo Piçarra e Miguel Cristovinho mostraram-se desiludidos com o colega de profissão

Fernando Tordo diz que música portuguesa é para «atrasados mentais»

Fernando Tordo deu uma entrevista onde disse o que pensa sobre a música portuguesa produzida atualmente. Luísa Sobral, Diogo Piçarra e Miguel Cristovinho mostraram-se desiludidos com o colega de profissão

Fernando Tordo foi entrevistado e disse o que achava sobre a atual música portuguesa. A conversa emitida no podcast “Posto Emissor” acabou por originar uma notícia cujo título deixou vários colegas de profissão em fúria. Na notícia, publicada na revista Blitz este sábado, dia 15 de janeiro, lê-se o seguinte título: “90% da música portuguesa que ouvimos atualmente não tem qualquer dignidade. É para atrasados mentais”. Título esse que rapidamente se propagou no universo online e acabou por chegar a Luísa Sobral, Miguel Cristovinho e Diogo Piçarra, que fizeram questão de expressar a sua desilusão com Fernando Tordo.

A cantora publicou uma captura de ecrã com a notícia e assumiu: “Fiquei bastante triste quando li isto”. Continuando com uma reflexão sobre o mundo da música em Portugal. “Passámos dois anos difíceis na nossa profissão, assim como em tantas outras. Estivemos muito tempo parados com concertos constantemente adiados. Muitos tiveram discos guardados na gaveta durante todo este tempo à espera de dias melhores. Estávamos e estamos todos no mesmo barco. Temos de nos apoiar uns aos outros e não denegrirmo-nos. Quanto à frase em si , para além da utilização do termo ‘atrasados mentais’ que me choca imensamente, discordo completamente. Tenho um podcast só dedicado aos criadores de canções deste país, vou no episódio 34 e ainda tantos ficam por entrevistar. Vivemos uma fase muito bonita na música portuguesa com bons artistas em vários estilos musicais. Não é por ser um estilo que não gostamos que deixa de ser ‘digno’. Tenho muito orgulho em fazer parte da música portuguesa mesmo estando muito provavelmente inserida nos tais 90%”, diz Luísa Sobral.

«Viver da música em Portugal é muito difícil»

O cantor da banda D.A.M.A também dedicou uma publicação a Fernando Tordo. “Nem vou comentar a utilização da expressão ‘atrasados mentais’ porque aí realmente é mesmo só o avôzinho xoné a falar à mesa. Diz que ‘as pessoas têm que aprender e que a minha geração aprendeu’, mas aparentemente aos 73 anos ainda não lhe deu o clique do respeito, da compaixão e da tolerância. Uma pessoa condecorada e com tanta história na nossa cultura… Enfim, eu não sou propriamente a favor de cancelamentos, todos temos momentos infelizes no que toca à comunicação, aquilo que eu gostava realmente de vos dizer a todos vocês que consomem música portuguesa atual é que NÃO, este senhor NÃO está correto.”

“Existe muita música portuguesa boa, de cada vez mais estilos e que a grande maioria dos músicos, compositores e cantores, têm uma enorme dignidade. Viver da música em Portugal é muito difícil e só quem aqui anda sabe o quão duras as coisas têm sido. Há artistas geniais a viver na pobreza, a passar fome, a terem de trabalhar noutras áreas pois a música não lhes põe comida na mesa, há músicos incríveis que nunca tiveram a sua oportunidade de fazer vida a tocar, há artistas que estavam a começar a ter tracção e não conseguiram aproveitar estes dois anos… até para alguns de nós – artistas que já têm alguma estrada e algum nome no panorama nacional – se não fossem os direitos de autor e as campanhas digitais teria sido IMPOSSÍVEL sustentarmos as nossas famílias. Por isso é que fico mesmo muito triste e desiludido ao ver declarações destas terem antena. Já era mau se tivesse sido um economista a dizer isto numa revista de finanças, agora assim ainda magoa mais. Uma nota final, os filhos/filhas ou os netos/netas do Sr. Fernando Tordo certamente nao gostam nem ouvem nenhuma música dos D.A.M.A, ou da Carolina Deslandes, do [António] Zambujo, do Agir, ou do Piçarra, dos Azeitonas, dos Capitão Fausto, do Prof…. Não tinha caracteres suficientes para todos os nomes. Juntos por mais amor, mais tolerância e mais MÚSICA”, pede Miguel Cristovinho.

Já Diogo Piçarra também fez questão de expressar a sua opinião: “Desvalorizar estilos com os quais não te identificas, e pior ainda, desprezar o público que ouve. Muito feio, senhor Fernando Tordo”.

Texto: Mariana de Almeida;
Fotos: Impala e reprodução Instagram

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