Cláudia Vieira sobre violência doméstica: “O medo era palpável”

Cláudia Vieira viveu o drama da violência doméstica num novo filme da SIC. A atriz interpretou uma vítima e revela que foi uma das personagens mais difíceis da sua carreira.

Cláudia Vieira sobre violência doméstica: “O medo era palpável”

Cláudia Vieira sobre violência doméstica: “O medo era palpável”

Cláudia Vieira viveu o drama da violência doméstica num novo filme da SIC. A atriz interpretou uma vítima e revela que foi uma das personagens mais difíceis da sua carreira.

Cláudia Vieira dá vida a uma vítima de violência doméstica no filme “Amor”, o segundo da trilogia “Na Porta ao Lado”, da OPTO. Numa entrevista a um site, a atriz fala sobre esta experiência e sobre a dificuldade que teve em gravar algumas cenas.

Na história, Cláudia Vieira é Marta, casada com Jorge (Marco D’Almeida). O casal tem uma vida feliz até que a pandemia os obriga a ficar confinados em casa, e é nesta altura que a mulher começa a sofrer agressões do marido. Para melhor interpretar esta personagem, a atriz ouviu o relato de várias vítimas de violência doméstica nas mesmas condições e recorda “quais foram os primeiros sinais e quais eram as três emoções principais sempre presentes em qualquer sobrevivente de violência doméstica” – o amor, a esperança e o medo.

“Há uma sensação de manipulação que não é inicialmente detetada. As vítimas sentem-se isoladas e a violência, física e psicológica, passa também a fazer parte daquele casal. A partir do momento em que há uma primeira agressão física, fica banalizada. Da segunda vez que se dá um estalo, já não há um pedido de desculpa porque só a primeira vez é que é surpreendente e chocante. Depois disso, quase que passa a ser um dado adquirido”, contou à MAGG.

Para Cláudia Vieira, “representar estas cenas e sentir a dor foi um murro no estômago no momento das filmagens”. E acrescentou: “Mexeu muito com a minha energia porque há, de facto, quem esteja, na porta ao lado, a passar por isto sem nós suspeitarmos.”

“Há casais que aparentam ter uma dinâmica saudável”, mas que, na verdade, “é doentia, manipulável e altamente agressiva”. “Percebi como esta dinâmica leva alguém a ficar sem capacidade de raciocínio e de agência [para denunciar o agressor ou fugir], porque a culpa e a vergonha também são sentimentos muito presentes”, disse ainda.

Cláudia Vieira diz que foi a uma “zona negra”

Cláudia Vieira falou também, nesta entrevista, da dificuldade que teve a gravar algumas cenas mais intensas e emotivas. “Foi das personagens que mais dificuldades tive em deixar assim que havia um corte”.

“Senti-me triste durante alguns dias e mexeu muito com a minha energia. Sempre fui muito comunicadora com a equipa e se é verdade que, inicialmente, durante os ensaios, achei interessante estar mais no meu canto para chegar àquela personagem, ao final do segundo dia só queria ao máximo sair daquele sentimento de vazio angustiante”, afirmou, sublinhando: “Fui a uma zona escura em mim para dar verdade a esta personagem. A uma zona negra. Fiquei muito ansiosa porque o medo era palpável. Uma vítima de violência doméstica tem um medo constante e é isso que a faz ficar refém. O medo paralisa.”

Texto: Patrícia Correia Branco; Fotos: Reprodução redes sociais

 

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