Correntes de emigração podem “reavivar” sarampo e outras doenças

Casos de sarampo em Portugal reacendem polémica das campanhas anti-vacinação. Henrique Soares, pediatra, alerta para o perigo do reaparecimento de doenças já extintas devido às correntes de emigração.

Correntes de emigração podem “reavivar” sarampo e outras doenças

Casos de sarampo em Portugal reacendem polémica das campanhas anti-vacinação. Henrique Soares, pediatra, alerta para o perigo do reaparecimento de doenças já extintas devido às correntes de emigração.

Mais de 500 casos de sarampo foram reportados só este ano na Europa, afetando pelo menos sete países, segundo dados recentes divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Alemanha, França, Itália, Polónia, Roménia, Suíça e Ucrânia foram os países onde se detetaram casos. Portugal faz agora parte desta lista e conta com 23 casos – desde o início do ano – de pessoas infetadas pela doença considerada extinta o ano passado. Esta quarta-feira, a notícia de uma vítima mortal da doença – uma jovem de 17 anos – veio reacender o debate.

“As correntes de emigração de pessoas oriundas de países onde não há vacinação é uma das explicações para o aumento de casos de sarampo, a par das campanhas anti vacinação, da rotura temporária de stock de vacinas e também do esquecimento por parte dos pais”, explica à Impala Henrique Soares, pediatra e neonatologista do Serviço de Neonatologia, Hospital Pediátrico Integrado do Hospital de São João (Porto).

O especialista alerta ainda para a possibilidade do “regresso de outras doenças, já consideradas extintas, como a rubéola”. “Faz algum sentido o alarmismo em relação ao sarampo, pois a propagação da doença pode atingir números preocupantes. O alarmismo, neste contexto, é positivo para alertar os pais para os perigos da recusa em vacinar os filhos”, sublinha.

Henrique Soares refere ainda que as campanhas anti vacinação “têm expressão em Portugal, mas não são demasiado organizadas se comparadas com outros países”. “A grande maioria das vezes consigo demover os meus pacientes em relação à recusa em vacinar os filhos”, conta. Segundo o especialista, a acrescer a este “fenómeno”, há ainda “pais que se fazem valer da chamada imunidade de grupo”.

“Muitos pensam que, se no infantário frequentado pelos filhos a maioria das outras crianças estiver vacinada, então o risco passa a ser mínimo”, explica.

Sarampo é doença altamente contagiosa

O sarampo é uma das doenças infeciosas mais contagiosas, podendo provocar doença grave ou mesmo a morte. Recorde-se que morreu esta quarta-feira uma jovem de 17 anos vítima da doença. A doença manifesta-se pelo aparecimento de pequenos pontos brancos na mucosa oral cerca de um ou dois dias antes de surgirem erupções cutâneas, que inicialmente surgem no rosto.

Segundo a norma clínica emitida pela Direção Geral de Saúde na semana passada, as complicações do sarampo podem incluir otite média, pneumonia, convulsões febris e encefalite.

Os adultos têm, normalmente, doença mais grave do que as crianças e os doentes imunocomprometidos podem não apresentar manchas na pele. O sarampo transmite-se por via aérea e pelo contacto direto com secreções nasais ou da faringe de pessoas infetadas.

Texto: Cynthia Valente

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