Os esquemas financeiros que impulsionam Liverpool e Real Madrid, finalistas da Liga dos Campeões

Defrontam-se na final da Liga dos Campeões deste sábado duas equipas de futebol, Liverpool e Real Madrid, dois dos colossos do futebol atual. Mas há muito mais em jogo e não são propriamente as táticas: são os esquemas financeiros por trás destes clubes.

Os esquemas financeiros que impulsionam Liverpool e Real Madrid, finalistas da Liga dos Campeões

Os esquemas financeiros que impulsionam Liverpool e Real Madrid, finalistas da Liga dos Campeões

Defrontam-se na final da Liga dos Campeões deste sábado duas equipas de futebol, Liverpool e Real Madrid, dois dos colossos do futebol atual. Mas há muito mais em jogo e não são propriamente as táticas: são os esquemas financeiros por trás destes clubes.

A final da Liga dos Campeões entre Liverpool e Real Madrid deste sábado é um jogo para os verdadeiros fãs de futebol. Dois gigantes lutam por um dos troféus mais valiosos do mundo. Independentemente do resultado, também quem irá ver esta partida como uma vitória do futebol sobre a geopolítica. “E muito dinheiro”, de acordo com os especialistas Simon Chadwick e Paul Widdop.

Chegar à final significa que outras equipas poderosas foram eliminadas ao longo do caminho. Por exemplo, o Manchester City, clube muito criticado pelos recursos prodigiosos que recebe do governo de Abu Dhabi, nem Paris St-Germain, financiada pela vasta riqueza do Catar. Também não há sinal do Chelsea, atual campeão europeu, que contava até recentemente com o apoio financeiro de Roman Abramovich, oligarca com íntimas ligações aos líderes e ao gás russos.

Por isso, talvez a final da Liga dos Campeões deste ano seja uma vitória para os puristas do futebol – uma oportunidade de apoiar clubes tradicionais, “não contaminados pela vasta riqueza e políticas questionáveis dos rivais”. Mas será mesmo assim? Antes que se crie uma onda de nostalgia, convém assinalar que o Liverpool-Real Madrid “não é uma simples questão de valores desportivos antiquados”. Para começar, “ambos os clubes têm tradicionalmente fortes associações políticas” – os Reds “com a Esquerda” e os Blancos “com a Direita“.

Ambos os lados abraçaram abertamente a ideologia do mercado livre, “tornando-os em dois dos clubes mais ricos do mundo”. No ranking de 2022 de clubes por receita, o Real Madrid (que liderou a lista 12 vezes nos últimos 25 anos) ocupa o segundo lugar, com ganhos de 640,1 milhões de euros, e o Liverpool é o sétimo, com 550,4 milhões de euros.

Ambas as equipas – portanto – ganham e gastam grandes somas de dinheiro. Por exemplo, o Liverpool tem um dos patrocínios de equipamento mais lucrativos do futebol (com a Nike), enquanto o Real Madrid voltou a mostrar interesse de gastar grandes somas com jogadores de top. “Seria ingénuo pensar que os clubes não estão interessados ​​em ficar ainda mais ricos”, notam os especialistas. “Há pouco mais de um ano, Liverpool e Real Madrid estavam entre os oito clubes de futebol que anunciaram planos controversos para formar uma Superliga Europeia. Tratou-se de um esquema “claramente projetado para acelerar o fluxo de receitas para os clubes já ricos à custas de outros, na Europa”.

Os donos do Liverpool acabaram por afastar-se dessa proposta, “pelo menos por enquanto”. O presidente do Real Madrid, Florentino Perez, no entanto, parece ainda decidido a seguir aquele caminho e a lançar uma liga separatista. Portanto, embora seja verdade que nenhum dos finalistas da Liga dos Campeões deste ano seja alimentado por receitas de petróleo e gás, continuam ambos a ser “os principais exemplos de futebol de mercado livre e do dinheiro que ele traz”.

Moneyball – a estratégia dos números

Os gráficos abaixo permitem uma visão geral de investimentos e patrocínios em torno de ambos os clubes, todos de domínio público. Cada círculo representa um ator económico (um clube, uma empresa ou um indivíduo), enquanto cada linha de ligação revela uma transação económica significativa. Um olhar mais atento aos negócios comerciais mais lucrativos do Liverpool revela que o proprietário do clube, Grupo Fenway Sports, que também possui o Boston Red Sox no seu portfólio, montou uma rede considerável de empresas e propriedades de entretenimento nos EUA.

Surgem neste esquema, entre outros, a RedBird Capital Partners, “negociador de alto nível” no mundo dos desportos profissionais, e a RedBall Acquisition Corp, liderada por Billy Beane (famoso por Moneyball) e Gerry Cardinale, cofundador da Yankees Entertainment & Sports Network. Outro negócio de destaque é o da SpringHill Company, empresa de desenvolvimento e produção de entretenimento liderada pela estrela do basquete LeBron James, que tem a tenista Serena Williams no conselho de administração. LeBron também é acionista do Liverpool.

As ligações financeiras do Liverpool FC
As ligações financeiras do Liverpool FC

Embora não se trate abertamente de Política, a propriedade privada do Liverpool e as operações focadas nos EUA incorporam uma “ideologia de mercado livre que se tornou cada vez mais proeminente no futebol europeu nas últimas duas décadas”.

Real fortuna

À primeira vista, o Real Madrid parece ser um predador de outra selva. O clube é de propriedade dos sócios, que elegem os dirigentes do clube. Só que o gráfico dos seus acordos comerciais e os seus relacionamentos mostra o quão intimamente ligado à riqueza estrangeira o clube se tornou. Há ligações com o Qiddiya, megaprojeto de entretenimento em construção na Arábia Saudita, e com um banco chinês que emite um cartão de crédito com a marca do Real Madrid.

Há também relações comerciais com o Abu Dhabi Bank e a Emirates Airline, dos Emirados Árabes Unidos, a Sela Sports, empresa de gestão de eventos com sede na Arábia Saudita, e empresas de tecnologia, na Coreia do Sul e na China.

As ligações financeiras do Real Madrid
As ligações financeiras do Real Madrid

No geral, “há muito dinheiro investido nos dois lados” que disputam o troféu. E o lado político do jogo é, “sem dúvida”, mais óbvio do que nunca. A prova da Liga dos Campeões deste ano começou com a gigante russa de energia Gazprom como patrocinadora principal e a final prevista para a cidade natal de Vladimir Putin, São Petersburgo. Após a invasão da Ucrânia, a final foi transferida para Paris e o acordo com a Gazprom cancelado. Apesar de ‘higienizado’ da influência da Rússia e das fortunas feitas com petróleo e gás, a partida “continua a representar dois dos principais atores do ‘desporto’ moderno: política e negócios.

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