Por que acontece a depressão sazonal e como lidar com os sintomas

Psicóloga clínica e professora de Psicologia Aplicada na Universidade Caledonian de Glasgow, Harriet Bowyer explica-nos por que acontece a depressão sazonal e como lidarmos com os sintomas deste transtorno.

Por que acontece a depressão sazonal e como lidar com os sintomas

Por que acontece a depressão sazonal e como lidar com os sintomas

Psicóloga clínica e professora de Psicologia Aplicada na Universidade Caledonian de Glasgow, Harriet Bowyer explica-nos por que acontece a depressão sazonal e como lidarmos com os sintomas deste transtorno.

Com o tempo a ficar mais frio e os dias cada vez mais curtos, algumas pessoas apercebem-se de que têm menos energia e sentem-se menos positivas do que habitualmente. Embora estes sentimentos “possam ser temporários para alguns, cerca de uma em cada três pessoas luta consistentemente durante os meses de outono e de inverno com um tipo de depressão conhecido como transtorno afetivo sazonal (TAS) – também conhecido como depressão sazonal, situa Harriet Bowyer, psicóloga clínica e professora de Psicologia Aplicada na Universidade Caledonian de Glasgow,

Sintomas de depressão sazonal variam de leve a grave

Em graus de intensidade, os sintomas da depressão sazonal incluem inevitavelmente “baixo humor, perda de interesse ou prazer em coisas que de que antes gostávamos, alteração no apetite – geralmente, comemos mais do que o normal –, alteração no sono – mais do que o habitual – e sentimentos de que somos inúteis”, aponta Bowyer.

Os cientistas ainda não têm clareza sobre o que causa o TAS. Mas é “complexo e multifacetado”. Alguns estudos sugerem que pode dever-se a um hipotálamo com defeituso (a área do cérebro que regula processos biológicos como humor, sono e apetite) ou à “produção de melatonina em excesso (hormona que controla o nosso ciclo de sono-vigília produzido pela glândula pineal do cérebro)”. “Alguns estudiosos teorizam que também pode dever-se a uma interrupção do ritmo circadiano” – o processo interno natural que regula o nosso ciclo de sono-vigília.

“Mas claro que pode haver outros fatores em jogo.” Por exemplo, “algumas pesquisas indicam que as mulheres podem ter maior probabilidade de sofrer TAS” – embora, “devido à falta de estudos específicos, “seja incerto se estas diferenças de género existem de facto e, “em caso afirmativo, porquê”.

Estações do ano podem restabelecer o humor

Algumas pessoas “relatam que os sintomas vão desaparecendo “quando as estações [do ano] começam a mudar e a primavera se aproxima”, nota Harriet Bowyer. Mas isto “não invalida o muito que pode fazer-se durante os meses de inverno para ajudar a lidar com os sintomas”. Para pessoas com TAS, “os principais tratamentos recomendados incluem intervenções psicológicas ou medicamentos (como antidepressivos)”. A terapia cognitivo-comportamental, que se concentra em “desafiar os nossos pensamentos angustiantes e mudar o nosso comportamento”, é um tratamento “eficaz” e os efeitos “podem durar mais do que outras opções de tratamento”, como a terapia de luz, outra prossibilidade de tratamento, “que envolve “sentar-se à frente ou em baixo de uma caixa que emita luz muito forte por cerca de 20 minutos ou mais” diariamente. O estudopermitiu revelar que, “em comparação com a fototerapia, a terapia cognitivo-comportamental (TCC) foi associada a uma depressão significativamente menor quando acompanhada um ano ano mais tarde”.

Parte importante da TCC é apoiar os pacientes com a técnica da ativação comportamental, que “visa melhorar o humor ao encorajar as pessoas a estruturarem o seu dia e a envolverem-se em atividades prazerosas e significativas” – “um hobby”, por exemplo. determinou-se ainda “que determinados antidepressivos podem ser particularmente eficazes no tratamento dos sintomas da depressão sazonal.

A terapia da luz também está a ser investigada como tratamento para TAS porque, “sendo ainda emergente, a sua eficácia como tratamento autónomo continua inconsistente“. Porém, um outro estudo mostra que a terapia da luz – ainda indisponível no SNS – pode ser uma forma eficaz de controlar os sintomas de TAS “quando usada em combinação com antidepressivos”, o que, “obrigatorimente, deve ter aconselhamento e concoedância de um psicólogo”.

“Sair de casa e obter luz natural” é algo que as pessoas alvo de depressão sazonal são aconselhadas a fazer. “Obter mais luz natural durante o dia pode ajudar a melhorar os sintomas“, atesta um outro estudo no qual os participantes fizeram uma caminhada diária de uma hora ao ar livre ou usaram uma caixa de luz artificial de baixa dosagem por 30 minutos por dia por um período de uma semana. Os participantes que realizaram caminhada diária “apresentaram melhoras significativas em todos os sintomas depressivos”, em comparação com aqueles expostos à luz artificial. “Embora continue incerto determinar-se por que a luz do dia pode melhorar os sintomas, na verdade é algo fácil e eficaz que as pessoas podem fazer para melhorar o humor a cada dia”, aconselha Bowyer.

Estilo de vida com impacto na TAS

O estudo também revela que o estilo de vida – como os níveis de exercício e a dieta – podem desempenhar um “papel importante” tanto na causa quanto no controlo da depressão. Quando a TAS é comprovada, “há algumas evidências que sugerem que os exercícios – por si só ou em combinação com terapia da luz – podem melhorar os sintomas”. O estudo evidencia ainda que a depressão sazonal “pode estar relacionada com alterações no nosso ritmo circadiano“, possibilidade levantada “depois de analisado o impacto do exercício na depressão”, que “apontou para vários benefícios psicológicos – o exercício provoca distração de pensamentos negativos e é uma de promoção da socialibização – e fisiológicos – como alterações nos níveis de endorfina ou de cortisol”.

“Embora muito que os indivíduos possam fazer para controlar os sintomas da TAS – a depressão sazonal – durante os meses de inverno”, o conselho que Harriet Bowyer deixa é o da “importância de se consultar um médico sobre sintomas e sentimentos” – particularmente “se os sintomas não melhorarem ou se a condição se tornar difícil de controlar”.

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