Cifrão faz revelações inéditas sobre Dzrt: “não tínhamos voto na matéria”

Cifrão, que pertenceu à boysband D’ZRT, revela episódios alucinantes dos tempos áureos da banda.

Oito anos depois do fim dos D’Zrt, Vítor Fonseca, mais conhecido como Cifrão, revela pormenores alucinantes dos tempos áureos da banda lançada na temporada de estreia da série juvenil da TVI Morangos com Açúcar.

Em entrevista a Rui Unas, no webshow Maluco Beleza, Cifrão recorda como o grupo, constituído por Angélico Vieira, Edmundo Vieira e Paulo Vintém lidava com ideias pré-concebidas. “Nós éramos uma banda que surgiu numa novela”. No entanto, o bailarino e coreógrafo diz que o facto de já ser adulto quando conheceu a fama ajudou a saber lidar com a fama.

“A minha personagem tinha 18 anos. Eu tinha 25, já era um homem, já sabia o que queria!”, recorda Vítor Fonseca. “Deu para não me iludir”.

“As pessoas chamavam-nos os piores nomes possíveis”

Os D’zrt foram, entre 2004 e 2009, uma das bandas de maior sucesso da indústria musical portuguesa, tendo vendido, no conjunto de dos três álbuns, 500 mil cópias. Cifrão recorda como, a determinada altura da existência da banda, se tornou praticamente impossível conciliar as gravações de Morangos com Açúcar com as digressões pelo país.

“Tivemos alturas em que nos caía tudo em cima. Houve um verão que foi fenomenal. Gravávamos das oito às oito em Tróia. tinhas cenas de praia, levavas com o sol e tinhas concerto em Barcelos às 22h00. De Tróia a Barcelos não são duas horas, ainda por cima a a estrada é velha. Nós chegávamos duas horas e meia atrasados a alguns concertos, não por culpa nossa mas por culpa das gravações”.

Questionado por Rui Unas sobre como funcionava a gestão da agenda da banda, Cifrão explica:

“Quem marcava os concertos era uma entidade diferente da da novela e a novela não abdicava de gravar connosco. Eles marcavam os concertos na mesma, nós chegávamos e as pessoas chamavam-nos os piores nomes possíveis. A sorte é que, quando subíamos a palco, ficava tudo resolvido”, explica.

O management dos D’zrt estava a cargo da NZ Produções, liderada por Nuno Carvalho. A editora da banda era a Farol, detida pelo grupo da TVI, Media Capital. A produção de Morangos com Açúcar era da responsabilidade da NBP (atual Plural Entretainment), a mesma que executa as novelas da estação de Queluz de Baixo.

Cifrão recorda ainda como, num concerto em particular, a banda se atrasou tanto que o público teve de assistir a uma sessão de cinema improvisada.

“Houve uma vez que passou o Shrek 1, o nosso road manager subiu a palco para contar piadas, a nossa banda subiu a palco para tocar covers e ainda passou uma parte do Shrek 2…para tu teres uma ideia do tempo que as pessoas esperaram. Nesse concerto o nosso road manager teve uma depressão nervosa. Fugiu, foi para o Porto, ligou-nos a dizer ‘não aguento mais. para mim acabou”.

Os elementos da banda viviam também em tensão permanente, como revela Cifrão. “Nesse stress todo, vestíamo-nos na carrinha. Houve uma vez que subi a palco descalço porque não tive tempo para calçar os ténis. Depois era a loucura, íamos a 200 à hora em estradas…”. O bailarino concorda quando o anfitrião de Maluco Beleza diz que tal era “uma falta de respeito para o público” mas justifica:

“A forma como eles faziam as coisas era impossível para nós. Era complicado para nós. Imagina o que é chegares duas horas atrasado. Tu já estás a sentir-te mal porque ninguém te deixou sair mais cedo e a gente passava-se com as pessoas que nos faziam isso. Mas não tínhamos voto na matéria. A banda, no primeiro ano, não era nossa”.

Cifrão é o mentor da Online Dance Academy que está, neste momento, a promover a terceira edição do Online Dance Challenge, concurso para descobrir novos talentos na área da dança.

Texto: Raquel Costa | Fotos: Arquivo Impala

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