Associação de Macau promete “consequências” da UNESCO para caso de edifício que tapa património

A Associação Novo Macau garante, após uma reunião na semana passada, que se o Governo de Macau não responder “satisfatoriamente” à UNESCO sobre o caso do edifício em construção que tapa vista para património classificado haverá “consequências”.

Associação de Macau promete

Associação de Macau promete “consequências” da UNESCO para caso de edifício que tapa património

A Associação Novo Macau garante, após uma reunião na semana passada, que se o Governo de Macau não responder “satisfatoriamente” à UNESCO sobre o caso do edifício em construção que tapa vista para património classificado haverá “consequências”.

Macau, China, 18 dez (Lusa) – A Associação Novo Macau garante, após uma reunião na semana passada, que se o Governo de Macau não responder “satisfatoriamente” à UNESCO sobre o caso do edifício em construção que tapa vista para património classificado haverá “consequências”.


“Disseram-nos que a UNESCO vai comunicar com o Governo de Macau sobre este assunto e vão tomar medidas de acompanhamento. Se o Governo falhar em dar uma resposta satisfatória vai haver consequências”, afirmou hoje o vice-presidente da associação, Jason Chao.


Em causa está a construção de um edifício da Calçada do Gaio, embargado, com altura superior a 80 metros, colocando em causa a vista do Farol da Guia, classificado como património mundial.


Segundo Chao, a diretora do Centro de Património Mundial da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), Mechtild Rossler, não especificou que resposta seria considerada satisfatória, mas deixou claro que “o plano deve ser mudado”.


“É arquitetonicamente possível reduzir a altura do edifício por isso deve ser mudado para respeitar as regras”, afirmou.


Os líderes da associação pró-democracia deslocaram-se a Paris, à sede da UNESCO, para discutir a questão do edifício da Calçada do Gaio depois de terem “esgotado todas as opções locais”, tendo já apelado a diversas entidades.


Depois de, no ano passado, terem enviado um relatório à UNESCO, sem resposta, os ativistas ficaram positivamente surpreendidos com a clareza com que a questão foi discutida pessoalmente.


“Quando falámos com a diretora percebemos que as coisas são mais claras [do que pensávamos]. Ela perguntou-nos: ‘Ainda está em construção, está por acabar? Sim. Está situado numa zona de proteção?. Sim. Arquitetonicamente ainda é possível emendar o plano para respeitar as diretivas? Sim. Então tem de ser mudado’. Isto foi o que nos disseram na reunião, foi muito direto”, relatou Chao.


A Novo Macau tem contestado a decisão da Direção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes de que o edifício embargado desde 2008 pode manter a altura atual, superior a 80 metros, uma vez que a cota milimétrica para a zona está fixada em 52,5 metros.


A construção do edifício, na Calçada do Gaio, foi embargada após um despacho do anterior chefe do executivo, Edmund Ho, que limita a altura dos imóveis à volta do Farol da Guia, o qual integra a lista do património de Macau classificado pela UNESCO desde 2005.


Embora a medida não tivesse efeitos retroativos, as autoridades embargaram a obra.


No início de novembro, o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, afirmou na Assembleia Legislativa que o edifício embargado vai poder ficar com os 80 metros de altura, segundo a imprensa local.


O Farol da Guia foi o primeiro farol de características modernas e Ocidentais a ser construído no Extremo Oriente.


Na semana passada, o Governo de Macau disse ter solicitado em novembro orientações técnicas à Administração Nacional do Património Cultural para definir o tratamento a dar ao edifício em questão.


Para Jason Chao, aos olhos da UNESCO, “não significa nada que o Governo de Macau peça a Pequim se pode dar conselhos, para eles é só comunicação interna”. Além disso, os democratas preocupam-se com questões relacionadas com a “autonomia de Macau”, considerando que não cabe a Pequim “corrigir” esta questão.


Scott Chiang, presidente da associação, frisou ainda que a “responsabilidade é do Governo” e o promotor da obra não deve ser prejudicado, podendo ser compensando, através de pagamento ou atribuição de outro lote para construir o edifício.


O importante, disse, é respeitar a lei, já que o despacho “é um regulamento em vigor, e até ser repelido é efetivo”.


Chiang manifestou-se preocupado com a forma como é gerida a proteção do património de Macau: “Não podemos dizer que o Governo de Macau não valoriza a existência do património, mas estão a protege-lo como um fim ou como um meio? A nossa conclusão é que estão a explorá-lo para o turismo, para o seu próprio bem”.


Regressado da sua primeira viagem à Europa, Sulu Sou, vice-presidente da associação, disse ter ficado “impressionado” com a forma como o património existe “tal como é”, em Paris. “Não há um arranha-céus de 200 metros ao lado de património. Há harmonia”, salientou, acrescentando, sobre Macau, que “o património não pode falar, como uma criança, [por isso] temos de falar por ele”.



ISG (FV) // MSF


Lusa/fim

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