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Acompanhe dia-a-dia os desafios de três estudantes de veterinária a fazer voluntariado em Cabo Verde

Teresa, Alice e Carolina são estudantes de veterinária e estão como voluntárias em Cabo Verde. Descubra em primeira mão como são os dias destas três jovens portuguesas
Teresa, Alice e Carolina são estudantes de veterinária e estão como voluntárias em Cabo Verde

Dia 4 – Segunda, 15

Segunda-feira foi dia de trabalho! Castrações de gatos e cães, muitas desparasitações, suplementos vitamínicos e continuação de tratamentos aos internados. Achámos curioso o procedimento da cirurgia de esterilização das gatas: o animal é colocado na mesa inclinada, com a cabeça para baixo, de forma a expor os órgãos e facilitar a cirurgia. Em Portugal nunca tínhamos ouvido falar desta técnica.

Aproveitámos os momentos de menor actividade para brincar com os cães disponíveis para adopção. Muitos deles são trazidos por pessoas que os encontram na rua, por vezes vítimas de atropelamento ou muito subnutridos. Na clínica são-lhes prestados os cuidados adequados gratuitamente e depois é divulgado que estão prontos para encontrar uma nova família!

Ao longo do dia também apareceram alguns clientes para banhos e tosquias. Estes procedimentos podem parecer simples mas, por vezes, são uma aventura! Entre cães com medo da água e outros que fogem ao ouvir a máquina de tosquia a funcionar, a sala de banhos e tosquias é geralmente um espaço de agitação! Fomos almoçar a um restaurante improvisado numa casa privada em frente à clínica. A refeição estava muito saborosa apesar do nosso cepticismo inicial em relação ao espaço!

As tardes na clínica são mais calmas que a manhãs, mas há sempre que dar continuidade aos tratamentos e rever os casos do dia. Depois do trabalho, ainda tivemos tempo de comer um gelado, e acabamos por jantar em casa e passar um serão descansado.

 

Dia 5 – Terça, 16

Hoje o dia na clínica foi desafiante! Deparámo-nos com casos complexos que, infelizmente, por aqui, parecem ser bastante recorrentes. Os atropelamentos são um desses casos, e, muitas vezes, levam a que seja necessário fazer a amputação de um membro. A maior parte dos animais parece adaptar-se bem à nova condição, mas o problema mantém-
se, uma vez que até os cães e gatos com dono andam à solta na rua. Isto também leva a que apareçam casos de obstrução gastro-intestinal, por falta de controlo do que os animais
comem.

Fomos confrontadas com o caso de uma cadela sub-nutrida com líquido no abdómen (ascite) e sinais cardio-vasculares, cujas necessidades ultrapassavam os meios de diagnóstico disponíveis. Pela primeira vez sentimos frustração mediante a falta de recursos. No final do dia de trabalho ainda houve tempo para relaxar no “Sovaco de Cobra”. Este espaço tinha-nos sido recomendado pelos seus crepes e deliciosas caipirinhas. Tornou-se imediatamente no nosso espaço preferido, dos que já tínhamos conhecido. Está localizado numa zona residencial, com esplanada numa espécie de pátio, todo enquadrado por árvores e trepadeiras. O staff é extremamente simpático e tanto os crepes, salgados e doces, como as bebidas eram efectivamente muito bons. Por azar, quando começou a anoitecer, houve uma falha de luz na zona e fizemos parte da nossa refeição às escuras, enquanto a cozinheira trabalhava à luz das velas. O momento acabou por ser caricato e marcar a experiência.

Dia 6 – Quarta, 17

Quarta-feira foi mais um dia recheado de casos difíceis. Os tratamentos são feitos com base, principalmente, em sinais clínicos, devido à escassez de meios complementares de diagnóstico. Muitas vezes não é possível identificar com precisão a causa da doença, mas a equipa faz tudo o que pode para prestar o cuidado mais adequado.

Para a maioria dos donos, as vacinas têm um custo demasiado elevado, por isso, acabam por não as fazer. Isto leva a que haja grande ocorrência de doenças que já são raras em países em que a vacinação é prática regular. Foi também dia de trocar os postos de trabalho entre cirurgia, consultas e internamento. Assistimos à melhoria de alguns animais que tinham sofrido acidentes, aos quais foram retiradas as talas e que iniciarão agora uma nova fase na sua recuperação. Foram várias as consultas a cachorros pequenos, alguns dos quais suspeitos de parvovirose, que acabaram por ficar internados. Esperamos que melhorem depressa!

 


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