As piadas feitas contra Trump

Trump: O pior ainda está para vir

Nem sempre a democracia é justa. Ou o escrutínio do povo e a decisão geral se pautam pela decência social de um futuro. Donald Trump foi eleito democraticamente. Será justo?

Tem início uma nova era na democracia americana. Não nos enganemos, influirá convicta e incisivamente na política e económica mundiais.

O presidente que não devemos contestar, porque foi eleito democraticamente, nutre um especial desrespeito pelas mulheres e imigrantes, tendo a sua ex-mulher, Ivana, nascido na República Checa, e a actual, Melania, é natural da antiga Jugoslávia. Trump não parece ser um homem coerente. Mas não contestemos. Foi eleito democraticamente. Na primeira conferência de imprensa, adjectivou, conotou e hostilizou alguns jornalistas e meios de comunicação, decidindo responder a uns e não a outros. É o próximo presidente de todos os americanos e foi eleito democraticamente. Não contestemos. Foi eleito democraticamente. Mas será ele um homem democrático?

“O presidente que não devemos contestar, porque foi eleito democraticamente, nutre um especial desrespeito pelas mulheres e imigrantes”

 

Tenhamos a certeza de que a Casa Branca conhecerá um período não tão dourado quanto a sua melena. Um período sem um cão de água mas repleto de fox terriers de linhagem glamorosa e premiada. Um período em que nos corredores de mármore se ouvirão os saltos agulha dos Louboutin. Terão uma primeira-dama especialista em liftings e abdominoplastias e bem podem esquecer a simplicidade dos trapos de Michelle ou a espontaneidade dos gestos e cumprimentos aos funcionários. Nada a fazer. Foi eleito democraticamente. O pacote todo. O atrelado que Trump traz.

Dizem, muitos, que é preciso serenar os ânimos e considerar que poderão surgir surpresas nesta governação. Que Trump ainda se revelará um diplomata excepcional e um negociador respeitado. Dizem, alguns, que virá a surpreender os grandes críticos. A deitar por terra as piores previsões. Dizem que foi eleito democraticamente. E isso é incontestável. Mas nem sempre a democracia é justa para quem teve a clareza para escolher o outro lado da barricada. Para quem não foi… a maioria. Democraticamente eleito, Donald Trump é esta figura que assusta os pacifistas. Que o veem como um grande barril de pólvora a fechar correntes, a torcer braços, a esmagar consensos.

Mas dizem, poucos, aguardemos. E eu digo… pressinto que o pior ainda está para vir e que esta democracia americana vem carregada de maus ventos.

Rita Marrafa de Carvalho, jornalista

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