Mundial 2018 por Nuno Farinha: As tristes figuras de Maradona

Mundial 2018 por Nuno Farinha: As tristes figuras de Maradona

A cena passa-se durante o intervalo do Argentina-Nigéria, num camarote central do Estádio Krestovsky, em São Petersburgo, onde Maradona está.

Um adepto aproxima-se de Diego Maradona no estádio, de telemóvel em riste. Aponta o aparelho, liga a gravação vídeo e dirige duas frases ao antigo craque.

Maradona tenta escutar, sem perceber, o que lhe diz aquele fã. Finge que entende. Sem entender. Não sabe se é melhor sorrir ou pôr um ar mais sério e responsável.

Passam-se 5 ou 6 segundos com Diego a tentar processar a informação. Não percebe nada. Opta por levantar o polegar. Tipo «Ok, tudo bem, agora vai chatear outro e deixa-me em paz».

A cena passa-se durante o intervalo do Argentina-Nigéria, num camarote central do Estádio Krestovsky, em São Petersburgo, onde Maradona está

Se isto tivesse acontecido em 2002 ou 2006, ainda longe da fúria digital que hoje toma conta das sociedades, aquelas imagens não teriam o mesmo impacto.

Mas em 2018, no Campeonato do Mundo de Futebol mais ‘vigiado’ de sempre, onde qualquer adepto se transforma em repórter global, a triste figura de Maradona já tinha sido vista por dezenas de milhões de pessoas ainda o jogo não tinha terminado.

O adepto/repórter que apontou o telemóvel a Maradona fez depois aquilo que hoje todos fazemos: partilhou o seu vídeo nas redes sociais e enviou-o a amigos pelo whattsapp.

A ‘turma’ que acompanha Diego para todo o lado é extensa. Entre conselheiros, guarda-costas e falsos amigos devem ser alguns 15 ou 20. Nenhum deles é capaz de proteger o ‘chefe’ de tão lamentável exposição.

Poucos minutos depois da triste cena, ainda decorria a segunda parte do jogo, e já aquelas imagens estavam em destaque nos jornais online de todo o Mundo.

Diego Maradona, a lenda, a tentar aguentar-se de pé. A tentar ouvir o que lhe diziam. A tentar disfarçar o que se tornou indisfarçável: que as recaídas são cada vez mais duras. Até quando?

‘Este’ Maradona que televisões mostraram é um revoltante caso de pobreza humana. Um génio não pode acabar assim. Que Deus o conserve e nos poupe a estas cena. ‘Este’ Maradona, não. Obrigado, mas dispenso.

Nuno Farinha, jornalista
#convocado para o #Mundial2018

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