Mundial 2018: Messi não merecia esta Argentina

Mundial 2018 por Nuno Farinha: O Mundial da sucessão

Mundial 2018 | «Espanha, Argentina, Alemanha, Brasil e mesmo Portugal desiludiram. E até as suas principais estrelas andaram sempre muito abaixo daquilo que é o seu patamar habitual»

Há um sentimento generalizado de que o Mundial 2018 está a ser um fiasco em toda a linha. Por quê? Porque algumas seleções que eram favoritas à conquista do título mundial foram afastadas demasiado cedo e também porque isso, naturalmente, acabou por tirar precocemente da prova as suas principais estrelas. Com tudo o que isso implica para o negócio, claro está.

Quando o Campeonato do Mundo da Rússia arrancou, há três semanas, as bolsas de apostas apontavam para cinco possíveis vencedores: Alemanha (campeã em título), Brasil (único país que venceu o Mundial por 5 vezes), Argentina (porque tinha Messi), Espanha (campeã do Mundo em 2010) e, embora com menos hipóteses, Portugal (porque tinha Ronaldo e porque era o campeão da Europa). É quase trágico, do ponto de vista da competição, que todos tenham claudicado e caído com estrondo. Mas também é preciso fazer a pergunta: e quem é que tem a culpa disso?

Das quatro seleções que ainda estão na Rússia e que, na próxima semana, vão disputar as meias-finais, quem lhes atribuía, até há poucos dias, alguma hipótese de virem a sagrar-se campeãs do Mundo? No máximo, a qualidade da seleção francesa recomendava que fosse vista como uma equipa que poderia ir longe na competição (mas não tão longe) e o mesmo talvez se pudesse aplicar à Bélgica, mas sempre numa lógica de outsider, de candidato-surpresa, e nunca de candidato real, ao mesmo nível de ‘gigantes’ como o Brasil ou a Alemanha.

Mundial 2018 | «Espanha, Argentina, Alemanha, Brasil e mesmo Portugal desiludiram. E até as suas principais estrelas andaram sempre muito abaixo daquilo que é o seu patamar habitual»

O problema é que se esperava muito de quem nunca foi capaz de cumprir. Espanha, Argentina, Alemanha, Brasil e mesmo Portugal desiludiram. E até as suas principais estrelas andaram sempre muito abaixo daquilo que é o seu patamar habitual. Cristiano Ronaldo, Lionel Messi ou Neymar Jr. são talentos especiais que só podem habitar no topo de arranha-céus. Tudo o que seja inferior a isso é quase incompreensível para os seus vastos exércitos de adeptos. A verdade é que, sejamos francos, desta vez nem a meio do prédio foram capazes de subir. Acabaram por ter aquilo que mereceram.

Havendo motivos para se poder já considerar este Mundial como uma tremenda desilusão à escala global, a verdade é que nada do que está a acontecer parece desajustado em relação ao rendimento em campo. França e Bélgica são até agora as equipas mais consistentes e com melhores princípios coletivos, mas também aquelas que têm os melhores jogadores deste Mundial: os franceses Mbappé e Griezmann e os belgas Hazard e De Bruyne. O mais provável é que um deles venha a ser o próximo Bola de Ouro.

Aquela ideia de existirem ‘intocáveis’ foi quebrada num Mundial que, não deixando grandes recordações do ponto de vista técnico, acaba no entanto por ser um hino à ‘democratização do jogo’: seguiu em frente quem mereceu e quem mais fez por isso. Os nomes que estão estampados da parte de trás das camisolas já não ganham jogos e muito menos Campeonatos do Mundo. O talento, sozinho, também já não chega: a velocidade, a força e a vontade de querer ‘fazer acontecer’ são cada vez mais determinantes. Como dizia o outro: «Habituem-se».

Nuno Farinha, jornalista
#convocado para o #Mundial2018

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