Mundial 2018 por Nuno Farinha: O balneário dos japoneses

Mundial 2018 por Nuno Farinha: O balneário dos japoneses

Em pleno Mundial 2018, depois de perderem um jogo de forma inglória, os japoneses fizeram questão de deixar o balneário a brilhar, num estado imaculado.

Quem nunca teve a oportunidade de ver o estado em que fica o balneário de uma equipa de futebol após um jogo também não será capaz de valorizar devidamente o magnífico exemplo que nos deixou a seleção japonesa, depois de eliminada no Mundial 2018.

Vamos por partes: o Bélgica-Japão, dos oitavos-de-final deste Campeonato do Mundo, foi um espectáculo de altíssima qualidade. Bom futebol, muitos golos e emoção até ao derradeiro apito. Contra todas as previsões, a seleção nipónica conseguiu surpreender durante largos períodos do jogo e chegou mesmo a estar a vencer por 2-0 já a meio da segunda parte.

A qualidade superior dos belgas, no entanto, acabaria por impor-se e, mesmo em cima da hora, a reviravolta aconteceu: um golo de Chadli no último minuto fez desatar a loucura entre a formação da Bélgica e provocou a natural desilusão na comitiva japonesa. O normal, portanto.

O que não se viu foi aquilo que se passou depois de os jogadores terem recolhido aos balneários, em especial no do Japão

Felicidade de um lado, tristeza do outro. Lágrimas de felicidade de um lado, lágrimas de tristeza do outro. Jogadores japoneses deitados no relvado, num pranto, a serem consolados pelos adversários. O treinador belga (Roberto Martinez) a confortar o selecionador japonês (Akira Nishino).

Imagens bonitas que puderam ser vistas em direto. O que já não se viu, na transmissão, foi aquilo que se passou depois de os jogadores terem recolhido aos balneários. Em especial, o que aconteceu no balneário do Japão.

Quem nunca assistiu, ‘in loco’, nem faz ideia. A norma é que, depois de um jogo, uma equipa permaneça, em média, cerca de 30 a 45 minutos no balneário. É o tempo para os jogadores tomarem banho e para se vestirem, mas também para médicos e roupeiros arrumarem aquilo que lhes pertence e que faz parte das rotinas de qualquer equipa profissional de futebol.

Em pleno Mundial 2018, depois de perderem um jogo de forma inglória, os japoneses fizeram questão de deixar o balneário a brilhar, num estado imaculado

Quando a luz se apaga e a porta se fecha, o que fica lá dentro é que (não) vale a pena ver. É a bagunça total: ligaduras espalhadas pelo chão, pensos e adesivos, caneleiras, bocados de relva que vêm agarrados às botas, as indicações táticas ainda marcadas no quadro que os treinadores usam para o efeito, embalagens de champô por todo o lado e até caixas de piza abertas e com restos de comida. Não deve ser sempre assim, mas o exemplo descrito posso eu confirmá-lo porque assisti, várias vezes, a este ‘cenário’.

Pois bem: em pleno Mundial 2018, depois de terem perdido um jogo de forma inglória mesmo no último minuto, os jogadores japoneses fizeram questão de deixar o balneário a brilhar, num estado imaculado e até capaz de fazer inveja a muitos hotéis de 5 estrelas. Como se não bastasse, um responsável pela seleção do Japão ainda fez questão de deixar um cartão escrito em russo (alfabeto cirílico), em cima de uma mesa, que tinha apenas uma mensagem. «Obrigado!» Assim vale a pena.

Nuno Farinha, jornalista
#convocado para o #Mundial2018

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