Bernardo Silva vai falhar o jogo de Portugal na fase de grupos da Liga das Nações. O médio do Manchester City foi dispensado devido a «problemas físicos».

Mundial 2018 por Nuno Farinha: Salvou-se Bernardo Silva

Mundial 2018: «Fernando Santos, no banco, estava mais inquieto do que nunca. A expressão facial de Cristiano Ronaldo denunciava a ansiedade. Pepe engolia em seco»

Os destaques individuais têm um interesse relativo na hora da desilusão. Se Portugal está fora do Mundial 2018, onde tínhamos tantas e tão legítimas aspirações a sonhar, o que nos pode consolar, então, nesta espécie de luto que agora o País inicia?

É difícil encontrar qualquer coisa que anime o país futebolístico nos próximos dias. Fechamos os olhos e continuam a ver a imagem do segundo golo de Cavani: Pepe falha o cabeceamento nas alturas, a bola passa por dois jogadores uruguaios (Betancur e Luis Suárez) até chegar ao malvado Cavani, que ‘engana’ Rui Patrício pela segunda vez.

Queremos afastar a tristeza. Queremos secar as lágrimas. Queremos descansar. Mas é impossível. Lá está aquele uruguaio corpulento, de cabelos longos, com o número 21 na camisola azul celeste, a festejar com aquele sorriso insuportável. Estávamos no minuto 62. Havia ainda muito para jogar, mas o nosso destino estava traçado.

Mundial 2018: «Fernando Santos, no banco, estava mais inquieto do que nunca. A expressão facial de Cristiano Ronaldo denunciava a ansiedade. Pepe engolia em seco»

O que se viu a partir desse momento não fazia adivinhar nada de bom. Fernando Santos, no banco, estava mais inquieto do que nunca. A expressão facial de Cristiano Ronaldo denunciava a ansiedade. Pepe engolia em seco. Quaresma não arrancava um drible (muito menos uma trivela). E todos ia escorregando.

O que Portugal foi conseguindo fazer foi sempre num quadro de grande instabilidade emocional. A pouca racionalidade que existia estava na bota esquerda de um dos nossos jogadores: Bernardo Silva. Foi através da ação do nosso pequeno genial que a Seleção Nacional conseguiu criar a ilusão de que ainda poderia ser possível acontecer um novo ‘milagre’.

Bernardo fez tudo: transportou, driblou, criou desequilíbrios, sofreu faltas, jogou apoiado, só faltou mesmo finalizar melhor aquele lance na área do Uruguai, em que o guarda-redes (Muslera) deixou escapar a bola.

Não chega para nos consolar, mas é a verdade: Bernardo Silva é a melhor coisa que nos vem à cabeça na hora da derrota. No próximo Mundial, daqui por quatro anos (no Qatar), talvez já não tenhamos Cristiano Ronaldo. Que tenhamos, então, este esquerdino que tanto promete.

PS: O tom geral não foge muito a esta ideia: «Foi uma pena sermos eliminados, até porque caímos logo no dia em que fizemos a nossa melhor exibição. Foi muito injusto.» Fernando Santos, o selecionador, justificou assim e praticamente todos os comentadores televisivos alinharam pelo mesmo argumento.

Ora, como se sabe, Portugal nunca jogou especialmente bem até estes ‘oitavos’ frente ao Uruguai. De resto, no Euro 2016 do nosso contentamento a história já tinha sido igual. Íamos seguindo em frente, mas as exibições deixaram sempre muito a desejar.

Na altura, a conversa era outra e a qualidade de jogo, afinal, não interessava muito. Os adeptos, assim que se habituaram à ideia, até criaram um cântico: «Pouco importa, pouco importa, se jogamos bem ou mal, queremos é levar a Taça para o nosso Portugal».

A coisa pegou e, se procurarem na Internet, até encontram alguns vídeos com os próprios jogadores a cantar essa música. Em que ficamos, então? Até que ponto é que a exibição importa? Ficamos felizes quando jogamos mal e tristes quando jogamos bem?

Nuno Farinha, jornalista
#convocado para o #Mundial2018

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