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Mundial 2018 por Nuno Farinha: Maradona e a madre que o pariu!

Mundial 2018 | O Mundo continua, ainda hoje, a perdoar todos os excessos de Maradona. Quem nos deu tanto, mas tanto, merece tudo. Mas mesmo tudo.

A propósito do Mundial 2018… «De qué planeta viniste?», perguntava em modos histéricos, à beira de colapsar, o narrador que acompanhava para uma estação de TV argentina o golo mais «estupidamente belo» que já se viu num Campeonato do Mundo.

Foi assim a parte final da descrição emocionada de Víctor Hugo Morales: «Ahí la tiene Maradona, lo marcan dos, pisa la pelota Maradona».« Arranca por la derecha el genio del futbol mundial. Puede tocar para Burruchaga… Siempre Maradona. ¡Genio, genio, genio! Ta, ta, ta, ta, ta… ¡Goooool!, ¡goooool! ¡Quiero llorar! ¡Dios santo, viva el fútbol! ¡Golaaaazo! ¡Diegoooo! ¡Maradona! Es para llorar! perdónenme. De qué planeta viniste para dejar en el camino a tanto inglés? Argentina 2 – Inglaterra 0. ¡Diego, Diego! Diego Armando Maradona. Gracias, Dios, por Maradona, por estas lágrimas.»

Víctor Hugo Morales não era um narrador qualquer. Não nasceu sequer na Argentina, logo para início de conversa. É uruguaio. Jornalista e escritor. Como pôde, então, um uruguaio gritar assim, daquela maneira, o golo cinematográfico de um cidadão argentino? Só pode ter sido por uma razão: porque a arte não tem pátria. E o que Maradona fez a 22 de junho de 1986, no Estádio Azteca, perante mais de 100 mil espectadores, na Cidade do México, foi uma peça de museu. A melhor que alguém um dia foi capaz de criar.

Esse golo de Maradona contra a Inglaterra (conhecido como «o golo do século») aconteceu quando na memória coletiva ainda estava muito presente a Guerra das Malvinas (1982), que vitimou quase 700 soldados argentinos.

As imagens do esplendor na relva já foram vistas vezes sem conta e ainda não há quem consiga explicá-la em toda a sua plenitude. Em maio de 2014, pouco antes do início do Mundial do Brasil, o físico Marcos Duarte foi quem mais se aproximou da descodificação do génio.

Mundial 2018 | «Deve ser por isso que o Mundo continua, ainda hoje, a perdoar todos os excessos de Maradona»

No programa Esporte Espetucular, na Globo, o raio-x foi este: «Maradona correu 55 metros (40% da distância média que os jogadores percorrem com a bola em um jogo inteiro) e deu 11 toques na bola (sempre com a perna esquerda)».

«No lance, o craque percorreu esses 55 metros em 7 segundos, o que dá uma velocidade média de 29 km/h (nessa distância, um bom velocista do atletismo profissional alcança a média de 35 km/h).

«Além disso, foi possível identificar que a bola ficou no máximo a dois metros de distância dos pés de Maradona (logo no início do lance).

«E do momento em que invadiu o campo adversário até rematar para o golo, Maradona nunca deixou a bola afastar-se do seu corpo por mais de um metro.» Fim de citação.

Ora, esta é a descrição física. É belíssima e foi mais longe do que qualquer outra. Ficará sempre por entender, ainda assim, a mente superior do escultor que eternizou o momento.

Os tempos têm-se encarregado de confirmar que nunca é fácil compreender os génios. Às vezes é mesmo muito difícil. E noutros chega a ser impossível.

Deve ser por isso que o Mundo continua, ainda hoje, a perdoar todos os excessos de Maradona. Quem nos deu tanto, mas tanto, merece tudo. Mas mesmo tudo. Bendita mãe que o pariu. Que sejas eterno, Diego!

Nuno Farinha, jornalista
#convocado para o #Mundial2018

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