Mundial 2018 por Nuno Farinha: Como estão essas costas, Cristiano?

Mundial 2018 por Nuno Farinha: Como estão essas costas, Cristiano?

Mundial 2018 | «Cristiano Ronaldo está com sérios problemas lombares depois de ter carregado a equipa inteira às costas durante os 90 minutos daquele frenético duelo ibérico»

A primeira consequência do jogo de estreia de Portugal no Mundial 2018 é que, nos próximos dias, o nosso capitão vai ter de passar largas horas entregue ao departamento médico: Cristiano Ronaldo está, seguramente, com sérios problemas lombares depois de ter carregado a equipa inteira às costas durante os 90 minutos daquele frenético duelo ibérico.

Vai ser preciso recuperá-lo rapidamente porque na próxima 4ª feira há novo jogo. Portanto, banhos e massagens, um ou dois anti-inflamatórios se for caso disso e muitos mimos. É esta a melhor receita para irmos longe na aventura russa que ainda agora começou.

Bem pode vir o selecionador nacional dizer que o empate foi um resultado justo. Não funciona, engenheiro. Tempo perdido. A estatística mostra bem a clara superioridade de Espanha em quase todos os pontos comparativos.

Mas para se chegar a essa conclusão, desta vez, nem era preciso recorrer aos números: bastou olhar para aquilo que foi a produção de jogo da Espanha e para aquilo que Portugal fez.

Espanha foi uma equipa que chegou a fazer lembrar os melhores momentos daquela seleção que foi campeão mundial (em 2010) e bicampeã europeia (2008 e 2012). E Portugal foi apenas uma coisa com dois nomes: Cristiano Ronaldo.

Um golo de penálti a abrir o jogo. Um golo de pé esquerdo (com ‘frango’ de De Gea). E, quase em cima da hora, um livre monumental a fazer o 3-3 e a evitar uma derrota que já parecia inevitável. CR1. CR2. CR3. Foi esta a fórmula que Portugal encontrou – ou a única que conseguiu encontrar – para o embate de Sochi.

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Jogámos pouco. Ou, se calhar, Espanha é que jogou muito e mostrou que continua a ser um dos mais fantásticos projetos futebolísticos deste século – com méritos repartidos pelo saudoso Luís Aragonés e por D. Vicente Del Bosque. E quando Espanha joga muito, o mais natural é que o adversário sinta dificuldade em ‘respirar’.

Foi assim, muitas vezes, com Julen Lopetegui e também chegou a ser assim, durante longos minutos, nesta estreia de Hierro. A imagem mais forte, ainda assim, é sempre a última.

E, neste caso, o que fica para memória futura é o extraordinário exemplo de superação de um jogador irrepetível, que felizmente nasceu em território português!

Cristiano tem muito méritos. O principal é essa incrível capacidade de resistir. De cair e levantar. De falhar e acertar. De perder para depois ganhar. Ronaldo é isto mesmo.

Pela manhã, depois de acordar e tomar o pequeno-almoço, deu indicação aos seus advogados para fechar o acordo com o Fisco espanhol: aceitou pagar 18,8 milhões de euros e reconhecer quatro delitos fiscais, o que representa uma pena (suspensa) de dois anos de cadeia.

O caso de CR7 com a Justiça ficou assim encerrado pela manhã, mas o craque fez questão de devolver a ‘fatura’ ao final do dia. E trocou 18,8 milhões de euros por 3 golos. A propósito: quantos jogadores já tinham conseguido fazer isto frente a Espanha num Mundial? Isso mesmo: nenhum.

Nuno Farinha, jornalista
#convocado para o #Mundial2018

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