Mundial 2018 por Nuno Farinha: Vai jogar o Brasil, pára tudo!

Mundial 2018 por Nuno Farinha: Vai jogar o Brasil, pára tudo!

Funcionários públicos brasileiros poderão optar por horários diferenciados sempre que o Brasil disputar um jogo durante Mundial 2018.

Se estiver no Brasil durante o Mundial 2018, nas próximas semanas, peça a todos os santinhos para não adoecer em dia de jogo do escrete canarinho.

É que se precisar de ir a um hospital ou a um centro de saúde o mais provável é que não venha a ser atendido em tempo útil. Razão: médicos, enfermeiros e anestesistas estão autorizados a parar à hora dos jogos do Brasil!

A Copa do Mundo exerce um fascínio inexplicável sobre o povo brasileiro e, nestes momentos, há um estado de efervescência sobre tudo o que diz respeito à Seleção do Brasil, numa espécie de ‘corrente’ nacional que leva, até, o Governo a criar um regime de excepção para aplicar nos dias em que Neymar e companhia entrarem em campo.

Funcionários públicos brasileiros poderão optar por horários diferenciados sempre que o Brasil disputar um jogo durante Mundial 2018

A medida já é oficial e está devidamente publicada em Diário da República: os funcionários públicos brasileiros terão a possibilidade de optar por horários diferenciados sempre que o Brasil disputar um jogo durante o Campeonato do Mundo da Rússia.

Explique-se: se o jogo acontecer durante o período da manhã, os funcionários públicos apenas estão obrigados a trabalhar após a hora do almoço. Se o jogo for à tarde, então apenas será necessário trabalhar durante o período da manhã.

Os responsáveis pela publicação do diploma pedem ‘apenas’ que alguns serviços mais sensíveis do Estado – como a Polícia, os Bombeiros ou, naturalmente, a Saúde – não paralisem por completo e mantenham a atividade mínima mesmo durante os 90 minutos em que o Brasil em campo.

Por mais exemplos que sejam dados sobre a forma como os brasileiros vivem o futebol e, sobretudo, as alegrias e tristezas da sua Seleção, há sempre duas histórias (notícias) que jamais irão encontrar paralelo.

E ambas estão relacionados com a final do Campeonato do Mundo de 1950, que o Brasil perdeu em pleno Rio de Janeiro. Uma derrota histórica (o célebre ‘Maracanazo’) que aconteceu no dia 16 de julho, frente ao Uruguai, por 2-1.

O segundo golo dos uruguaios, que deixou 200 mil espectadores em silêncio no Maracaña, foi um ‘frango’ monumental de Moacir Barbosa, o guarda-redes mais odiado na história do futebol brasileiro.

A primeira consequência desse brutal choque emocional chegou nos dias seguintes a essa derrota: uma onda de suicídios no Brasil que não encontra paralelo na história recente.

«[…] era apenas uma derrota, mas para os brasileiros, quando se trata de futebol e da Seleção, não há ‘apenas’»

Todos os estudos apontavam para uma explicação: a impossilidade, para muita gente, de superar o desgosto que aquela humilhante derrota acabou por provocar.

Era apenas futebol, era apenas uma derrota. Mas para os brasileiros, quando se trata de futebol e da Seleção, não há ‘apenas’.

A outra história incrível que se associa à final de 1950 aconteceu muitos anos depois. A 7 de abril de 2000, quase meio século depois do ‘jogo de todas as depressões’, faleceu Moacir Barbosa, o tal guarda-redes que errou e deixou o Brasil em lágrimas.

Ninguém conseguiu esquecer esse dia maldito. E reza a lenda que, no funeral de Barbosa, até houve quem tivesse festejado…

Nuno Farinha, jornalista
#convocado para o #Mundial2018

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