Luís Martins, diretor | Alguém sabe onde pára a Polícia?

Onde pára a Polícia?

Há muitos anos que Benfica, Sporting e FC Porto têm dentro de ‘casa’ indivíduos perigosos, que se instalam nas claques oficiais e oficiosas apenas com a intenção de semearem o pânico e fazer estragos por onde vão passando.

Convém abrir este editorial com uma declaração de interesses. Sou apoiante do Benfica há 50 anos e jornalista há 31. Sou benfiquista e isto é emoção e sou jornalista e isto é profissão. A emoção é subjetiva. O jornalismo é factual. Este preâmbulo é a defesa a priori das críticas que certamente receberei. Virão, muito provavelmente, de um julgamento emocional e não de uma análise objetiva. Chamo-me Luís Martins. Sou benfiquista e não tenho cartão de sócio. Sou jornalista e tenho carteira profissional.

Posto isto, a questão que aqui me traz: onde pára a Polícia?

O recente caso do ataque a um autocarro que transportava adeptos do Benfica veio reacender velhas discussões sobre o comportamento de grupos violentos que aparecem ligados aos principais clubes. Há muitos anos que Benfica, Sporting e FC Porto têm dentro de ‘casa’ indivíduos perigosos. Instalam-se nas claques – oficiais e oficiosas – apenas com a intenção de semearem o pânico e de fazerem estragos por onde vão passando. Apoiar a equipa não passa, muitas vezes, de um pequeno pretexto.

Nasce, de seguida, uma nova realidade. Passam a ganhar a vida à custa das ligações que vão estabelecendo dentro dos próprios clubes, com negócios pouco escrutinados e com rentabilidade elevada. Há de tudo. Venda de bilhetes, organização de viagens, merchandising e, entre outras coisas, droga. É neste submundo que se movimentam alguns criminosos que ficaram famosos nos últimos anos. O ataque a Alcochete, por exemplo, abriu noticiários durante vários dias e envolveu dezenas de elementos ligados à Juve Leo. Mas já antes tinha acontecido muita coisa.

«Haverá uma uma Justiça a Norte e outra no resto do País?» – Luís Martins, diretor

Há ano e meio, no Estádio da Luz, um adepto italiano da Fiorentina (que tinha viajado até Lisboa para se juntar a elementos da Juventude Leonina, em véspera de um Sporting-Benfica) foi atropelado mortalmente junto ao estádio das Águias. O autor do crime foi um adepto com ligações aos No Name Boys. Já em 1996, no Estádio do Jamor, um outro adepto do Benfica tinha ficado conhecido como o ‘homicida do very-light‘, na tarde em que um adepto leonino morreu em plena bancada.

O que têm em comum estes três casos? A Justiça atuou. Houve identificados. Houve detenções. Houve prisões. Todos os casos foram julgados em Lisboa. No Norte – onde há adeptos espancados e apedrejados após emboscadas junto a portagens, onde existem bolas de golfe atiradas a jogadores e onde o carro do presidente de um clube chegou a ser atacado com um saco de pedras lançado a partir de um viaduto – nada acontece.

Uma Justiça com duas velocidades?

Por que é que todos os ataques que aconteceram no Grande Porto – contra árbitros, contra clubes adversários ou contra jornalistas – não tiveram (por enquanto, espera-se) consequências para os autores? Haverá uma Justiça a Norte e outra no resto do País? Ou a Justiça será exatamente a mesma, mas célere para uns e lenta para outros?

Luís Martins

Luís Martins | Diretor

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