Portugal precisou de um ‘susto’ para acordar e ainda ‘estremeceu’ no final

Portugal entrou hoje a vencer no Mundial2022 de futebol, por 3-2, diante do Gana, mas, depois de dois minutos de absoluta eficácia, quase permitiu que duas desatenções estragassem a estreia no Grupo H.

Portugal precisou de um 'susto' para acordar e ainda 'estremeceu' no final

Portugal precisou de um ‘susto’ para acordar e ainda ‘estremeceu’ no final

Portugal entrou hoje a vencer no Mundial2022 de futebol, por 3-2, diante do Gana, mas, depois de dois minutos de absoluta eficácia, quase permitiu que duas desatenções estragassem a estreia no Grupo H.

Cristiano Ronaldo adiantou a seleção portuguesa de penálti, aos 65 minutos, tornando-se no primeiro futebolista a marcar em cinco mundiais, só que o experiente André Ayew repôs a igualdade, aos 73, antes de João Félix, aos 78, e Rafael Leão, aos 80, praticamente consumarem a vitória lusa.

Contudo, Bukari, aos 89 minutos, devolveu a esperança aos ganeses, que quase chegaram ao empate nos derradeiros momentos do encontro, mas Iñaki Williams foi incapaz de aproveitar uma distração nada comum em Diogo Costa e viu ‘fugir’ uma oportunidade de ‘ouro’.

Portugal, que volta a entrar em campo na segunda-feira, frente ao Uruguai, alcançou, assim, a vitória na estreia no Campeonato do Mundo, algo que não acontecia desde 2006, quando um golo do ‘açor’ Pauleta ‘derrotou’ Angola (1-0), no arranque do Mundial da Alemanha.

A formação comandada por Fernando Santos lidera o Grupo H, com três pontos, à frente de Coreia do Sul, treinada por Paulo Bento, e Uruguai, ambos com um ponto, depois do ‘nulo’ que registaram hoje. O Gana é último da ‘poule’, sem pontos.

As dúvidas que poderiam persistir sobre a condição ideal de Pepe para a estreia ficaram dissipadas quando se soube que Rúben Dias teria como companheiro de eixo defensivo Danilo, o mesmo sucedendo do lado esquerdo, tendo em conta que Nuno Mendes nem foi ao banco de suplentes e permitiu a titularidade de Raphaël Guerreiro.

No resto, Fernando Santos fez o que era expetável, juntando João Félix a Bruno Fernandes (50.º jogo pela seleção) e Bernardo Silva no apoio a Cristiano Ronaldo, enquanto Otávio e Rúben Neves protegiam as ‘costas’ do quarteto ofensivo e ajudavam a ‘libertar’ os laterais Cancelo e Guerreiro.

Na verdade, eram mesmo esses os únicos jogadores que tentaram o jogo exterior, numa equipa repleta de médios e avançados que procuram ter a bola no pé e que ‘afunilam’ qualquer estratégia. No entanto, se Cancelo gosta de explorar a linha, Guerreiro é um lateral mais de toque e sem a ‘explosão’ de Nuno Mendes.

Apesar da enorme oportunidade que Otávio ofereceu a Cristiano Ronaldo, o capitão demonstrou estar algo preso de movimentos e a receção — outrora decisiva nos mais de 700 golos que tem na carreira — apenas contribuiu para a saída eficaz do guarda-redes ganês.

Ronaldo voltaria a tentar, sem sucesso, de cabeça, e Félix estava sem pontaria para alvejar a baliza de Ati, sendo cada vez mais notória a incapacidade lusa para ‘furar’ o bloco ganês, fosse em triangulações, fosse em lances de 1×1.

Fernando Santos tinha prometido, na véspera, uma equipa muito dinâmica, mas nada disso se viu no relvado do Estádio 974. Foi, aliás, o oposto: uma formação sem sequer um ‘fogacho’ de criatividade ou capacidade desequilibradora, muito lenta nas ações, o que a levou a insistir inúmeras vezes em cruzamentos de três quartos do campo.

Tão conhecida pelos inúmeros extremos de valor que foi formando, a ‘escola’ portuguesa apresentou-se no Qatar sem qualquer jogador verdadeiramente de linha e isso fez-se notar neste jogo.

Quando o rapidíssimo Kudus ‘desbravou’ caminho no segundo tempo e ficou a centímetros de inaugurar o marcador, ‘ecoaram’ alertas por toda a equipa lusa, que acabaria por ser tranquilizada com uma grande penalidade assinalada pelo árbitro Ismail Elfath.

Ronaldo foi derrubado por Salisu dentro da grande área e ele próprio rematou com sucesso da marca dos 11 metros, adiantando a seleção nacional, só que o Gana tem uma ‘pérola’ em ‘mãos’, Mohammed Kudus. O jogador do Ajax ameaçou Diogo Costa, primeiro, e logo de seguida fugiu a Cancelo para oferecer o empate a André Ayew.

Foi precisamente a partir deste momento que Portugal ‘despertou’ e se lançou para um triunfo que parecia estar a escapar-se, tudo graças à visão, capacidade de passe e inteligência de Bruno Fernandes em dois lances separados por dois minutos.

João Félix aproveitou a ‘oferta’ do médio e não perdoou no ‘cara a cara’ com Ati, tal como Rafael Leão, que, lançado três minutos antes, finalizou com enorme ‘classe’ e assegurou uma vantagem confortável para a equipa das ‘quinas’.

Quando parecia que o encontro estava decidido, os ganeses ainda foram buscar forças para relançar os minutos finais, beneficiando também da noite desastrosa de João Cancelo, que, depois de ter sido ultrapassado no primeiro golo, voltou a facilitar e permitiu que a bola fosse cruzada para o cabeceamento certeiro de Bukari.

O ‘susto’ esteve perto de se tornar em ‘pesadelo’ no derradeiro lance da partida, numa distração quase cómica de Diogo Costa: o guarda-redes não reparou que Iñaki Williams estava nas suas costas, colocou a bola no chão e foi surpreendido pelo avançado, que só não fez o empate porque acabou por escorregar.

MO/AJC // VR

By Impala News / Lusa

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