Ginasta Agnes Keleti, mais velha campeã olímpica viva, celebra 100 anos

A ginasta húngara Agnes Keleti, a mais velha campeã olímpica viva e sobrevivente do Holocausto, celebra hoje 100 anos, um centenário “que parecem só 60 anos”, disse na véspera do aniversário.

Ginasta Agnes Keleti, mais velha campeã olímpica viva, celebra 100 anos

Ginasta Agnes Keleti, mais velha campeã olímpica viva, celebra 100 anos

A ginasta húngara Agnes Keleti, a mais velha campeã olímpica viva e sobrevivente do Holocausto, celebra hoje 100 anos, um centenário “que parecem só 60 anos”, disse na véspera do aniversário.

Numa vida recheada de tragédia e sucesso, perseverança e aventura, Keleti disse ser “um exagero” a alcunha que lhe deram: ‘a rainha da ginástica’, título também de um novo livro sobre a sua vida.

Antes de chegar aos cinco ouros olímpicos, e outros cinco ‘metais’ (três pratas e dois bronzes), em Helsínquia1952 e Melbourne1956, a húngara, que nasceu Agnes Klein em 1921, viu a carreira interrompida pela II Guerra Mundial, que cancelou os Jogos de 1940 e 1944.

Os antepassados judeus afastaram-na da equipa que representava em 1941 e obrigaram-na a esconder-se no interior da Hungria, sobrevivendo ao Holocausto sob uma identidade falsa, assim como a mãe e a irmã, nestes casos graças à ajuda do diplomata sueco Raoul Wallenberg.

O pai, contudo, morreu em Auschwitz, entre mais de meio milhão de judeus húngaros mortos em campos de concentração nazi.

Depois da Guerra, Keleti voltou a competir, mas uma lesão no tornozelo deixou-a de fora de Londres1948. Manteve, porém, a perseverança e estreou-se em Helsínquia1952, com 31 anos, idade incomum na ginástica.

Não a impediu de ganhar o primeiro ouro, uma prata e dois bronzes, a que somaria mais seis medalhas em Melbourne, o máximo desses Jogos, um pecúlio que a deixa como uma das maiores atletas olímpicas de sempre.

“Amo a vida. A essência é ter saúde. Sem isso, não há nada”, simplificou, em declarações proferidas na véspera do centenário de nascimento.

O presidente do Comité Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, telefonou hoje a Keleti, transmitindo-lhe um agradecimento pelo poder “inspiracional” e deixando-lhe ainda uma convicção, partilhada por muitos no mundo do desporto.

“Como atleta, as 10 medalhas olímpicas, cinco de ouro, são verdadeiramente extraordinárias. Tenho a certeza que, se tivesse competido nos Jogos de Londres1948, teria ainda mais”, atirou.

Antes do êxito, e da identidade falsa que lhe permitiu sobreviver ao Holocausto, Agnes tinha quatro anos quando começou a praticar o desporto no VAC Sports, o único clube judeu em Budapeste.

Foi campeã nacional pela primeira vez com 16 anos – viria a fazê-lo mais nove vezes, numa carreira que incluiu também vários títulos mundiais e nos Jogos da Europa Central.

A invasão pela União Soviética da Hungria acabou por deixá-la quase 60 anos de fora do seu próprio país, requerendo asilo político na Austrália, findos os Jogos de Melbourne, antes de emigrar para Israel, onde trabalhou com a equipa olímpica de ginástica até aos anos 1990.

Voltou a Budapeste em 2015, sendo celebrada tanto na Hungria como em Israel, que lhe atribuiu a mais alta distinção cultural do Estado em 2017, mantendo uma receita simples para 100 anos de vida.

“Vivo bem, é ótimo, continuo saudável. E amo a vida”, resumiu.

SIF // PFO

By Impala News / Lusa

Impala Instagram


RELACIONADOS