Covid-19: Clubes de râguebi do Alentejo perderam quase metade dos jovens da formação

Os principais clubes de râguebi do Alentejo perderam quase metade dos jovens dos escalões de formação devido à pandemia de covid-19, mas é na transição dos sub-18 para a idade sénior que reside a maior preocupação dos responsáveis.

Covid-19: Clubes de râguebi do Alentejo perderam quase metade dos jovens da formação

Covid-19: Clubes de râguebi do Alentejo perderam quase metade dos jovens da formação

Os principais clubes de râguebi do Alentejo perderam quase metade dos jovens dos escalões de formação devido à pandemia de covid-19, mas é na transição dos sub-18 para a idade sénior que reside a maior preocupação dos responsáveis.

No CR Évora, o número de jovens inscritos caiu “de 200 para cerca de 120”, revelou à agência Lusa o coordenador da formação, Armando Raimundo, enquanto, ‘ali ao lado’, o RC Montemor passou “de 120 para 60 jovens” raguebistas, de acordo com o presidente do clube, Paulo Xavier.

A proibição das competições nos escalões de formação torna “muito difícil” manter os jovens motivados para o treino que, desde a suspensão de toda a atividade, decretada novamente em janeiro, voltou a ser feito “à distância” e pode ter consequências nefastas para toda uma geração.

“Vai ser dramático recuperar estes jovens, porque perdem hábitos regulares de atividade desportiva e nestas idades conseguem ter outro tipo de solicitações. Vamos ver como retomamos os escalões de formação. Estou muito apreensivo com isso”, admitiu o líder do clube de Montemor-o-Novo.

Uma preocupação que é partilhada por Armando Raimundo, para quem os jovens dos sub-8, 10 e 12 “conseguem ter alguma plasticidade e recuperar”, mas nas faixas etárias daqueles que estão “numa fase de desenvolvimento das suas aptidões no desporto”, a quebra repentina nas rotinas de treino e competição “pode levar ao abandono da prática de exercício físico”.

“É muito negativo. Temos miúdos que subiram agora aos sub-18 e no final do ano vão para seniores praticamente sem terem jogado nesse escalão”, frisou o também diretor de curso do Programa de Doutoramento de Motricidade Humana da Universidade de Évora.

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Apesar da preocupação de Armando Raimundo, o jovem João Leal da Costa garante que “nunca colocaria a hipótese de deixar de jogar râguebi”, mas admite que a ausência de competição no seu escalão “tem dificultado um bocado”.

“Já no ano passado posso ter sido prejudicado. Era um jogador que desde mais novo ia sempre a estágios da seleção. Como pararam e, depois, estes clubes mais pequenos não têm tanta visibilidade, é mais difícil voltarmos a ser chamados”, explicou o jovem, de 17 anos, do CR Évora.

João Leal da Costa e os colegas de equipa têm “mantido a forma em casa”, mas sabem que “não é a mesma coisa” do que estar “no campo com treinadores e pessoas que sabem realmente o que estão a fazer”.

Por outro lado, acrescenta o presidente dos rivais de Montemor-o-Novo, mesmo que a atividade normal seja retomada na próxima época, “vamos ter um défice de qualidade no futuro”.

“Isto é como andar de bicicleta: se andar muito, faz curvas apertadas, sobe o Alpe d’Huez, porque tem capacidade adquirida dos anos que andou a praticar; se chega aos sub-18, que é um patamar importantíssimo, sem prática desportiva durante duas épocas, vai ser complicado”, comparou Paulo Xavier.

Mas apesar das dificuldades, os dois clubes têm feito um esforço para manter os jovens atletas em atividade, com recurso a meios digitais para enviar tarefas e desafios que os jovens devem cumprir e enviar para os treinadores.

É a alternativa possível, apesar de ser complicado explicar a crianças com menos de 12 anos, que estão no râguebi “pela brincadeira, pela parte mais lúdica” do jogo e “não compreendem bem”.

O responsável da formação do CRÉ compreende melhor, até porque “a partir do momento em que fecharam até as escolas, seria um contrassenso manter a atividade nos clubes”, mas lembra que, pelo menos no Alentejo, “não foi espoletado nenhum foco” de covid-19 através da atividade desportiva.

“Podia ter havido contacto e competição com algum controlo. De setembro a janeiro, não houve um único foco em contexto de treino do CRÉ. Tivemos três ou quatro atletas contaminados e nenhum propagou a doença, ninguém contraiu a doença através dos treinos. Foi tudo na escola e em contactos familiares e sociais”, frisou Armando Raimundo.

 

 

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