O que podemos aprender com covid-19 para combater a gripe

De acordo com o Instituto Ricardo Jorge, Portugal registou 3.331 mortes por gripe em 2017/18, 3.700 em 2018/19 e 920 em 2019/20. Em plena pandemia de covid-19, de outubro de 2020 a maio de 2021, não houve qualquer morte por gripe. Porquê?

O que podemos aprender com covid-19 para combater a gripe

O que podemos aprender com covid-19 para combater a gripe

De acordo com o Instituto Ricardo Jorge, Portugal registou 3.331 mortes por gripe em 2017/18, 3.700 em 2018/19 e 920 em 2019/20. Em plena pandemia de covid-19, de outubro de 2020 a maio de 2021, não houve qualquer morte por gripe. Porquê?

Nas épocas de gripe anteriores à que agora se inicia, houve 3.331 mortes em 2017/18, 3.700 em 2018/19, 920 em 2019/20 e nenhuma na de outubro de 2020 a maio de deste ano, segundo dados do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (Insa). As medidas implementadas para conter a covid-19 – distanciamento social, uso de máscaras e confinamento geral de quase três meses – são apontadas como as principais razões da ausência de mortes na temporada passada, conclui-se no relatório do Programa Nacional de Vigilância da Gripe.

O que a covid-19 nos pode ensinar na prevenção da gripe

Não há dúvida de que a pandemia causada pelo SARS-CoV-2 é um episódio global que marcará a história da nossa espécie. Além de nos deixar imagens chocantes que recordaremos por décadas, possivelmente existem estratégias, hábitos e pequenos atos que permanecerão conosco por muitos anos, se não mesmo para a vida. Principalmente depois de verificar-se que as medidas adotadas para reduzir a incidência da covid-19 têm efeitos positivos a nível da saúde.

Um destes exemplos é o da lavagem frequente das mãos, que se tornou comum entre adultos e crianças. Embora os benefícios desta prática já fossem conhecidos, só agora foi promovida de forma maciça entre a população infantil (especialmente nos países subdesenvolvidos, onde as doenças diarreicas são uma das principais causas de mortalidade infantil) e só agora estamos realmente nos conscientes do que isso implica.

Está comprovado cientificamente, por exemplo, que o uso correto de gel ou de sabonete – de forma recorrente e sempre depois de termos contacto com objetos ou superfícies desconhecidos – reduz o aparecimento de patologias diarreicas em 23-40% e em 58% em pacientes imunossuprimidos e também reduz as doenças respiratórias na população em geral em 16-21%. Principalmente se, além da higienização, nos lembrarmos de que também é conveniente reduzir o número de vezes em que nos tocamos no rosto e usarmos o interior do cotovelo caso tenhamos de espirrar ou tossir.

Outra das medidas que a pandemia nos trouxe foi o distanciamento social. Manter uma distância de 1,5 metros entre pessoas, sempre que possível, evita a transmissão de muitas doenças respiratórias. Se a isso somarmos a importância que está finalmente a ser dada à ventilação dos espaços, bem como à promoção de atividades ao ar livre, as lições da pandemia parecem indiscutíveis.

Gripe e máscaras

O uso de máscaras é porventura a medida crucial para controlar a pandemia. A normalização social desta medida minimizou a incidência de infecções, ao limitar a emissão de partículas respiratórias pelo nariz e pela boca. Como efeitos colaterais, além de deter o coronavírus, a medida tem servido para conter o contágio de todas as patologias que se transmitem por via oral e, sobretudo, respiratória.

A gripe – influenza tipo A ou B – é também um vírus de RNA, tal como o SARS-Cov-2. É altamente contagioso e é transmitido de indivíduos infectados para o resto da população através de aerossóis. Estes aerossóis são micropartículas com a característica de permanecerem no ar por longos período. Por isso, quando um indivíduo está infectado, tenha ou não sintomas, emite continuamente partículas contagiosas que permanecem suspensas por tempo indeterminado, havendo enormes probabilidades de transmitir a doença.

Uma população que use sistematicamente máscara, tome medidas de higienização regular das mãos, mantenha os espaços ventilados e respeite a distância social diminui substancialmente as probabilidades de contágio. Foram precisamente estas as razões de redução da incidência de influenza em todos os países do mundo durante 2020, o que poderá suceder neste ano, se continuarmos a aplicar as medidas anti-covid-19.

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