Impala

Tribunal de Luanda julga ex-militares acusados de tentativa de golpe de Estado

Um grupo de 37 cidadãos começou hoje a ser julgado em Luanda sob acusação de associação de malfeitores, rebelião e atentado contra o Presidente da República, na forma frustrada, e envolvendo rituais de feitiçaria.

Luanda, 02 dez (Lusa) – Um grupo de 37 cidadãos começou hoje a ser julgado em Luanda sob acusação de associação de malfeitores, rebelião e atentado contra o Presidente da República, na forma frustrada, e envolvendo rituais de feitiçaria.


Os arguidos, detidos pela Polícia Nacional na noite de 30 de janeiro, por alegada tentativa de assalto ao Palácio Presidencial, na madrugada seguinte, são na sua maioria militares desmobilizados das Forças Armadas de Libertação de Angola (FALA), braço militar da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA),durante a guerra civil, que terminou em 2002.


Segundo a acusação apresentada hoje na 14.ª secção do Tribunal Provincial de Luanda, no Benfica, os arguidos são acusados de posse ilegal de arma de fogo e o grupo, inicialmente composto por mais de 60 pessoas, foi denominado por “Linha Estrela Brilhante”.


Acrescenta que são homens oriundos das províncias angolanas de Benguela, Huambo, Huila, Bengo e Luanda, onde “mobilizavam todos os ex-militares das FALA com o fito de atentarem contra o Presidente da República e tomarem o poder à força”.


“Nas províncias onde se encontravam já mobilizavam vários outros colegas para o alcance deste desiderato”, acusa o Ministério Público.


Na posse dos acusados foram encontradas oito armas de fogo do tipo AKM, uma pistola makarov, 12 carregadores, 26 catanas e 11 pares de fardamento, entre outro material.


O grupo era “organizado e estruturado militarmente” e o “atentado” contra o Presidente da República, estava preparado, segundo a acusação, para 15 de outubro de 2015, dia em que o chefe de Estado iria ao parlamento para o anual discurso sobre o Estado da Nação.


Esse intento não foi concretizado, prossegue, “porque na altura as armas ainda não tinham sido adquiridas”.


Nesse dia, José Eduardo dos Santos não compareceu na Assembleia Nacional, alegando uma indisposição momentânea, e o discurso foi lido pelo vice-Presidente, Manuel Vicente.


Segundo a acusação, o grupo tinha como coordenador geral Raimundo Chiquete e o recrutamento e mobilização dos ex-militares era feito divulgando que “o líder fundador da UNITA, Jonas Savimbi, estava vivo e que iria regressar”.


“O réu Raimundo Chiquete era o coordenar geral e o grupo já tinha uma apurada organização fruto das várias reuniões que iam mantendo na casa deste, sendo que no grupo já havia um chefe de Estado-Maior, chefe político, chefe de pessoal e quadros, chefe das tropas, chefe das operações e de saúde militar”, acusa o Ministério Público.


De acordo com a pronúncia, o grupo, para “colocar em evidência o assalto ao Palácio Presidencial na madrugada de 31 de janeiro, munidos de armas de fogo do tipo metralhadoras AKM e catanas”, sujeitou os seus elementos “a rituais tradicionais de feitiçaria”, que denominaram por “blindagem” para os tornarem imunes aos projéteis de armas de fogo”.


A defesa constituída por três advogados independentes, refutou grande parte das acusações que pendem sobre os seus constituintes. Sebastião Assureira, um dos defensores, disse na ocasião que “não existia qualquer estrutura militar organizada e que em momento algum os réus tinham intenção de assaltar o Palácio Presidencial”.


“A única mobilização foi uma manifestação pacífica para reclamar contra a não-inserção na Caixa Social das FAA, e não atentar contra o presidente da república”, disse o advogado, acrescentando que as confissões foram obtidas da parte com coação e tortura.


“As armas e catanas apreendidas pertenciam ao réu Celestino Leonardo, que pretendia constituir uma empresa de segurança, sendo que o restante desconhecia das mesmas, pelo que não devem ser todos criminalizados por posse ilegal de arma” alertou o defensor.


Uma posição que fez com que o juiz da causa suspendesse a sessão, cuja continuação foi remetida para segunda-feira, dia em que serão ouvidos os réus Isaac Arão, Luciano Domingos e Rafael Tchiama.


A UNITA já veio antes a público classificar o caso como uma “cabala”, afirmando que o partido foi o primeiro a denunciar o que estava em preparação.



DYAS // PJA


Lusa/Fim


RELACIONADOS

Tribunal de Luanda julga ex-militares acusados de tentativa de golpe de Estado

Um grupo de 37 cidadãos começou hoje a ser julgado em Luanda sob acusação de associação de malfeitores, rebelião e atentado contra o Presidente da República, na forma frustrada, e envolvendo rituais de feitiçaria.