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Presidente checo defende necessidade de “forte reforma” da União Europeia

O Presidente da República Checa defendeu em Lisboa a necessidade de “uma forte reforma” da União Europeia e de ajuda aos países de origem dos refugiados para permitir que as suas populações não procurem a Europa.

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Lisboa, 14 dez (Lusa) – O Presidente da República Checa defendeu hoje em Lisboa a necessidade de “uma forte reforma” da União Europeia e de ajuda aos países de origem dos refugiados para permitir que as suas populações não procurem a Europa.


“Sobre a crise europeia, devemos admitir que essa crise existe e não fingir que não se passa nada”, disse Milos Zeman, no final de uma audiência com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no primeiro dia da sua visita de Estado a Portugal, que decorre até quinta-feira.


Milos Zeman – que defende a realização de um referendo sobre a permanência da República Checa na União Europeia (UE) e na NATO, apesar de considerar que o país não deve sair do bloco europeu – considerou que se exige “uma mudança e uma forte reforma da UE, de alcance médio”.


O Presidente checo destacou ter concordado com Marcelo Rebelo de Sousa na necessidade de “propor soluções” e disse que os países centro-europeus pequenos devem ter aqui um papel especial.


A decisão do Reino Unido de sair da UE revelou a incapacidade da União Europeia de “enfrentar alguns problemas” e a falta de “uma liderança forte”, considerou o chefe de Estado checo, que apontou ainda “uma certa separação dos cidadãos europeus das ideias da União”.


Milos Zeman adiantou ter, a este respeito, um “pessimismo saudável”, ao contrário do “otimismo” que disse ter encontrado em Marcelo Rebelo de Sousa.


O Presidente checo afirmou que a Europa precisa de encontrar uma forma de “defender as suas fronteiras”, uma posição que disse partilhar com o chefe de Estado português, e deve apoiar os países de origem dos migrantes.


“Antes de aceitarmos os migrantes no nosso território, é preciso ajudarmos no território deles”, disse, observando que “as migrações são uma realidade que vai continuar, a longo prazo”.


O Presidente checo deu depois o exemplo dos países africanos, ao afirmar que jovens africanos vêm para a Europa e, “na sua maioria, vivem de apoios sociais”, quando poderiam estar a contribuir para o desenvolvimento dos seus países.


No início das suas declarações, Milos Zeman disse ter felicitado o Presidente português pela eleição de António Guterres como secretário-geral das Nações Unidas, cargo que o antigo primeiro-ministro português assumirá a partir de 01 de janeiro de 2017.


O Presidente checo prossegue hoje a sua visita a Portugal com um almoço com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, em representação do primeiro-ministro, António Costa, e participa, à noite, num banquete oferecido pelo Presidente português.


Na quinta-feira, o Presidente checo é recebido de manhã no parlamento pelo presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, com quem tem um encontro, e depois participa num fórum empresarial, na sede da Associação Industrial Portuguesa (AIP).


À tarde, encontra-se com o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, que lhe vai entregar a chave da cidade de Lisboa. Milos Zeman termina esta visita ao lado de Marcelo Rebelo de Sousa no Palácio da Cidadela, em Cascais, onde haverá um concerto, a inauguração da exposição “Carlos IV e a Fé” e um ‘cocktail’.



JH (IEL) // JMR


Lusa/fim


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