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ONU acusa governo da Síria de bloquear ajuda aos mais necessitados

O chefe do departamento da ajuda humanitária da ONU acusou o governo da Síria de bloquear a ajuda a milhares de pessoas necessitadas, apesar do cessar-fogo representar uma “centelha de esperança” no âmbito do conflito.

Nações Unidas, 27 jan (Lusa) — O chefe do departamento da ajuda humanitária da ONU acusou o governo da Síria de bloquear a ajuda a milhares de pessoas necessitadas, apesar do cessar-fogo representar uma “centelha de esperança” no âmbito do conflito.


O secretário-geral adjunto da ONU para os Assuntos Humanitários, Stephen O’Brien, disse ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que o processo de duas etapas de aprovação — com o qual o governo sírio concordou para permitir que colunas humanitárias cruzassem as linhas do conflito para alcançar as áreas sitiadas – “se tornou, na prática, num processo com dez etapas”.


Apesar do cessar-fogo de 30 de dezembro e de uma ‘task force’ humanitária, cujo único propósito é garantir o acesso, “continuamos a ser bloqueados em cada esquina, pela falta de autorizações a nível central e local, divergências nas rotas de acesso, e pela violação dos procedimentos acordados nos pontos de controlo pelas partes envolvidas no conflito”, afirmou.


Stephen O’Brien apontou que, em consequência disso, apenas uma coluna entregou ajuda a 6.000 pessoas em dezembro quando as Nações Unidas pediram autorização para prestar assistência a 930.250.


O secretário-geral adjunto da ONU para os Assuntos Humanitários criticou ainda a remoção de mais de 23.000 itens médicos dos camiões que conseguiram acesso.


Até ao momento, em janeiro, a situação não é muito melhor, descreveu Stephen O’Brien, indicando que houve apenas uma coluna de ajuda humanitária que alcançou 40.000 pessoas.


O mesmo responsável afirmou que o governo sírio respondeu aos planos mensais de envio de colunas humanitárias da ONU dentro dos sete dias úteis acordados.


“Contudo, os subsequentes atrasos administrativos de parte do governo, incluindo o aval às cartas de facilitação, autorizações por parte de governadores locais e comités de segurança, bem como amplas restrições de todas as partes continuam a dificultar os nossos esforços”, realçou.


Neste sentido, O’Brien instou os membros do Conselho de Segurança da ONU a pressionarem o governo sírio de modo a permitir a entrega de ajuda humanitária nas zonas sitiadas e de difícil alcance.


Em comunicado, o Conselho de Segurança exortou todas as partes a intensificarem os esforços para garantir o acesso da ajuda humanitária contínuo e livre.


Segundo O’Brien, como resultado da evacuação da zona leste de Alepo — recuperada pelas forças do regime num duro golpe para os rebeldes — e de uma abrangente reavaliação da ONU, o número de áreas sitiadas foi reduzido de 16 para 13 e a estimativa relativa às pessoas que vivem nessas zonas foi revista de cerca de 974.080 para aproximadamente 643.780.


O secretário-geral adjunto da ONU para os Assuntos Humanitários destacou quatro áreas onde a ação humanitária “continua a ser extremamente necessária e, infelizmente, muitas vezes contestada”.


As necessidades humanitárias em Alepo “continuam a ser impressionantes”, frisou, indicando que pelo menos 160.000 pessoas estão temporariamente deslocadas.


Na parte leste de Alepo, complementou, mais de 65.000 pessoas foram registadas como tendo regressado ou nunca saído, com a maioria a viver em casas danificadas.


O’Brien disse ainda que a ONU acompanha os relatos de que foram encontrados “‘stocks’ de suprimentos humanitários’ no leste de Alepo desde o final de dezembro quando as forças governamentais e os seus aliados recuperaram o controlo.


O responsável pelos Assuntos Humanitários da ONU manifestou ainda preocupação relativamente à segurança das 93.500 pessoas que se encontram na sitiada parte oeste de Deir el-Zour na sequência de informações relativas a ataques lançados por combatentes do grupo extremista Estado Islâmico (EI), e de 400.000 que carecem de ajuda humanitária em Raqa, tida como a capital do autoproclamado califado pelos extremistas em junho de 2014.


As Nações Unidas também expressaram a sua inquietude para com o corte de fornecimento de água a cerca de 5,5 milhões de pessoas na capital síria, Damasco.


Para O’Brien, caso se tenha tratado de um ato deliberado, “os responsáveis podem ter cometido um crime de guerra”.


O’Brien alertou ainda que a crise humana na Síria não vai acabar enquanto o conflito — que entra no sexto ano — não terminar.


A guerra na Síria começou em março de 2011 e provocou já mais de 300 mil mortos, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização com sede em Inglaterra.


DM (NVI) // DM

By Impala News / Lusa


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