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Musseques de Luanda preparam festas de rua para passagem de ano

No bairro Cassequel do Buraco, um dos musseques de Luanda, as festas de passagem de ano fazem-se em plena rua, com música, bebida e comida, tradição que resulta da colaboração entre vizinhos e que se mantém, apesar da crise.

Luanda, 29 dez (Lusa) – No bairro Cassequel do Buraco, um dos musseques de Luanda, as festas de passagem de ano fazem-se em plena rua, com música, bebida e comida, tradição que resulta da colaboração entre vizinhos e que se mantém, apesar da crise.


“Isso já é tradição. Uma vez que o bairro está divido em quarteirões, cada quarteirão organiza uma festa de contribuição, como será aqui mesmo nessa rua no dia 31 de dezembro”, explicou à Lusa Francisco Romão, um dos moradores do bairro.


Para concretizar a festa de rua, brindada com o calor da época, a contribuição entre vizinhos varia entre os 5.000 e os 7.000 kwanzas (29 a 41 euros) e a passagem de ano é vivida “com harmonia e fraternidade”, garante Francisco, que vive no Cassequel há mais de 20 anos.


“O pessoal faz a contribuição, criamos tudo de forma organizada e naquela hora matam-se porcos, cabritos e ainda com barris de cerveja ao dispor. E assim vivemos a passagem de ano”, explica.


Nos musseques de Luanda, bairros compostos por casas de construção arcaica e por vezes improvisada com madeira e chapas, sem água canalizada e só pontualmente com eletricidade, vivem milhões de angolanos.


Alberto Neto, outro cidadão residente na rua 48 daquele bairro, precisou que apesar da crise que o país atravessa “ainda sobrou algum dinheiro para contribuir”.


“Vamos viver a festa e espero que o próximo ano seja melhor do que esse, veio a crise, vieram outros problemas, mas ainda sobrou o dinheiro para a contribuir na nossa festa de rua. As crianças estão isentas de qualquer pagamento, só que têm um horário que têm que se recolher e a madrugada vai adentro apenas com os adultos”, explica ainda.


A iniciativa, no entender de Alberto Neto, é uma tradição “que não deve ser quebrada”, sob pena “de se perder o entusiasmo e a irmandade que se promovem na rua”.


“Temos boa música, o DJ da rua é filho de casa, temos da boa comida, do bom vinho que eu gosto, e assim vivemos”, disse, com entusiasmo, tentando esquecer as dificuldades da crise.


Para Alex Romão, a iniciativa de rua “compensa mais que pagar uma festa de ‘réveillon’ de 20.000 ou 30.000 kwanzas (115 a 174 euros) e ficar lá apenas duas ou três horas”.



DYAS // JMR


Lusa/Fim


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