França quer regresso da

França quer regresso da “negociação política” após ataque a alvos químicos na Síria

O ministro francês dos Negócios Estrangeiros afirmou hoje que a França quer “trabalhar para o regresso” das negociações políticas à crise síria, após os ataques ocidentais contra alvos ligados à produção de armas químicas.

Paris, 14 abr (Lusa) — O ministro francês dos Negócios Estrangeiros afirmou hoje que a França quer “trabalhar para o regresso” das negociações políticas à crise síria, após os ataques ocidentais contra alvos ligados à produção de armas químicas.


“Deve ser encontrado um plano de saída da crise, com uma solução política, e estamos prontos para trabalhar nisso agora com todos os países que podem contribuir para esse processo”, afirmou Jean-Yves Le Drian.


A França tem “duas prioridades: a luta contra os grupos ‘jihadistas’, em particular o Daesh, e o retorno à estabilidade, que exige uma solução política”, acrescentou.


Por isso, a França também “retomará as iniciativas políticas” para obter o “desmantelamento do programa químico sírio de forma verificável e irreversível” e fazer cumprir as resoluções do Conselho de Segurança da ONU sobre o cessar-fogo e acesso da ajuda humanitária à população.


A França exige “um cessar-fogo em toda a Síria e acesso humanitário a populações civis, como é imposto pelas resoluções do Conselho de Segurança”, acrescentou.


“Essas decisões têm força de lei internacional, impõem-se a todos. Continuam a ser letra morta até agora, mas temos de as fazer viver de novo”, afirmou o ministro.


A operação militar dos Estados Unidos, Reino Unido e França é “legítima”, “proporcional e objetivada”, salientou Jean-Yves Le Drian.


“A escalada química na Síria não é aceitável”, justificou, considerando que “o fabrico e o uso dessas armas representam uma ameaça à paz e segurança internacionais”.


Segundo o governante, estes ataques estão enquadrados pelo capítulo 7 da Carta das Nações Unidas, que prevê o uso da força em caso de ameaça à paz.


“O uso destas armas de terror viola convenções muito antigas”, disse Le Drian, referindo-se ao tratado de 1925, que proíbe o uso de armas químicas em contexto militar e à convenção internacional sobre a proibição deste tipo de armas, de 1993.


“O regime sírio assumiu o compromisso de desmantelar completamente o seu arsenal químico” em 2013, mas não cumpriu as recomendações internacionais, recordou.


Os EUA, a França e o Reino Unido realizaram hoje uma série de ataques com mísseis contra alvos associados à produção de armamento químico na Síria, em resposta a um alegado ataque com armas químicas na cidade de Douma, Ghuta Oriental, por parte do governo de Bashar al-Assad.


A ofensiva consistiu em três ataques, com uma centena de mísseis, contra instalações utilizadas para produzir e armazenar armas químicas, informou o Pentágono.


O presidente dos EUA justificou o ataque como uma resposta à “ação monstruosa” realizada pelo regime de Damasco contra a oposição e prometeu que a operação irá durar “o tempo que for necessário”.


O embaixador da Rússia em Washington, Anatoli Antonov, advertiu que este ataque “não ficará sem consequências”.


Peritos da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) tinham previsto iniciar hoje uma investigação sobre o alegado ataque com armas químicas. A missão recebeu um convite do Governo sírio, sob pressão da comunidade internacional.


Mais de 40 pessoas morreram e 500 foram afetadas no ataque de 07 de abril contra a cidade rebelde de Douma, em Ghuta Oriental, que segundo organizações não-governamentais no terreno foi realizado com armas químicas.


A oposição síria e vários países acusam o regime de Al-Assad da autoria do ataque, mas Damasco nega e o seu principal aliado, a Rússia, afirmou que o ataque foi encenado com a ajuda de serviços especiais estrangeiros.




PJA // PMC

By Impala News / Lusa


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