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Eleição com 61% de abstenção reelege José Azevedo para Sindicato dos Enfermeiros

O enfermeiro José Correia Azevedo foi reeleito presidente do Sindicato dos Enfermeiros, com uma vitória expressiva de 82,2% dos votantes, mas numas eleições em que a abstenção ultrapassou os 60%, foi hoje anunciado.

Lisboa, 11 dez (Lusa) — O enfermeiro José Correia Azevedo foi reeleito presidente do Sindicato dos Enfermeiros, com uma vitória expressiva de 82,2% dos votantes, mas numas eleições em que a abstenção ultrapassou os 60%, foi hoje anunciado.

As eleições decorreram no sábado e foram disputadas por duas listas: a lista A, com o lema “A Renovação da Esperança”, foi encabeçada por José Correia de Azevedo, que assim se recandidatou a um novo mandato como presidente, e a lista B, liderada pela enfermeira Paula Maia, sob o mote “Unir, Mudar, Agir”.

A diferença de votos entre as listas foi bastante acentuada, com a lista A a recolher 787 votos (82,2%) e a lista B a arrecadar 170 votos (17,8%). Mas o que mais sobressaiu no resultado destas eleições foi a acentuada abstenção.

Dos 2.500 associados votantes, apenas 987 (39,48%) votaram — 79 presencialmente e 908 por correspondência -, mas 30 destes votos foram considerados nulos, pelo que o total de votos válidos se cifrou em 957 (38%).

Significa isto que 1.543 enfermeiros (61,72%) não contribuíram para esta eleição, 30 por voto nulo e os restantes 1.513 (60,52%) por abstenção.

José Correia Azevedo, em declarações à Lusa, manifestou-se “bastante satisfeito” com a “votação expressiva” que obteve e que confessa não o surpreender.

Para o enfermeiro, esta vitória que lhe deu novamente a presidência do sindicato é sinal de que a sua luta “está a dar resultados”.

“Estamos a fazer um trabalho de regeneração do sindicalismo, muito esgotado pela intersindical. Esta gente tem desiludido muito os enfermeiros”, afirma o presidente do sindicato afeto à UGT, considerando que a ideia de restaurar o sindicalismo está a “cair bem nas camadas mais jovens”.

No entanto, o nível de abstenção mostra uma realidade um pouco diferente, que o novo presidente explica com “cansaço” e “desilusão” geral, rejeitando que possa ser sinal de desinteresse ou de não reconhecimento das listas.

“É a vida deles, têm muita dificuldade em estar presentes nos movimentos associativos. Atribuímos isso ao cansaço, gastam energia em acumulações para terem uma vida minimamente decente. Não vejo que haja aqui uma razão política ou sindical, estão apenas desiludidos, no geral, já não acreditam em nada”, considerou.

De acordo com José Correia Azevedo, o Sindicato dos Enfermeiros tem mais de 9.000 associados, mas a maioria não tem dinheiro para pagar as quotas do sindicato e da ordem, pelo que apenas são votantes os 2.500 que têm as quotas em dia.

Para estas eleições, a lista A apresentou-se com um programa que assumia como urgente a “necessidade de um vencimento justo e adequado ao grau de complexidade do exercício da profissão” e uma “carreira de enfermagem com categorias que valorizem a formação” dos profissionais ao longo da vida.

A lista B tinha como objetivos exigir a reposição do pagamento pelo exercício em horas incómodas e o pagamento diferenciado para os enfermeiros especializados, além de defender a criação de um fundo de greve.

AL (ARP) // SO

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