Caçadores portugueses exigem mais inspeção veterinária aos javalis

Caçadores portugueses exigem mais inspeção veterinária aos javalis

Os caçadores portugueses estão preocupados com as doenças nos javalis e exigem que os animais “sejam vistos por um veterinário oficial em todos os atos venatórios de caça maior”, disse à Lusa José Baptista, do Movimento Caçadores Mais Caça.

Lisboa, 09 abr (Lusa) – Os caçadores portugueses estão preocupados com as doenças nos javalis e exigem que os animais “sejam vistos por um veterinário oficial em todos os atos venatórios de caça maior”, disse à Lusa José Baptista, do Movimento Caçadores Mais Caça.


“Estamos preocupados com a falta de veterinários porque há milhares de javalis que não são inspecionados por médicos veterinários para dizerem se [os animais] estão ou não infetados com várias doenças, incluindo a tuberculose e a triquinoses”, destacou.


O bastonário da Ordem dos Médicos Veterinários, Jorge Cid, confirmou em declarações à Lusa que de facto “não há veterinários suficientes” para “fazer as inspeções quer nos javalis, quer em todas as áreas da inspeção alimentar”.


Apesar de se fazer inspeção em algumas “montarias organizadas e declaradas”, o responsável referiu que “não é feita nenhuma inspeção a todos os outros javalis que são abatidos durante todo o ano nas chamadas noturnas, um problema mais complicado que necessitaria da parte do Governo, nomeadamente do Ministério da Agricultura, um investimento grande para criar nas freguesias, nas zonas onde essa prática é mais recorrente, centros de inspeção com médicos veterinários validados para o fazerem”.


A Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) dá conta, numa resposta escrita enviada à agência Lusa, que “a lei determina que a inspeção sanitária de peças de caça maior seja efetuada em estabelecimentos devidamente aprovados para o efeito”, sem, no entanto, confirmar a falta de veterinários existentes para este efeito.


José Baptista referiu inclusivamente que o proprietário de um restaurante em Bragança lhe garantiu que 90% dos javalis não são alvo de “inspeção sanitária” e que há pessoas que desistiram de consumir este tipo de carne, uma vez que não há garantias da inexistência de doenças.


Numa nota informativa emitida pela DGAV relativamente a este assunto, lê-se que “é expressamente proibida a colocação no mercado” de peças de caça selvagem maior que não tenham sido previamente inspecionadas num “estabelecimento de tratamento de caça aprovado”.


No entanto, a DGAV prevê que a carne pode ser consumida “pelo caçador e o seu agregado familiar”.


A este respeito, Eduardo Biscaia, da Federação Nacional de Caçadores e Proprietários, com 17.580 associados, defendeu que “é ridículo” que a DGAV diga “que há perigo para a saúde pública na comercialização da caça, mas deixa circular a ideia de que na alimentação própria ou familiar é preciso ter cuidado”.


Em vez de dizer isto, devia era garantir veterinários, advogou.


José Baptista acrescentou ainda que “a DGAV sabe que os javalis que tenham triquinoses têm que ser destruídos e não podem ser consumidos a qualquer título, seja por caçadores e seus familiares ou pela população em geral”.


Atualmente, “há milhares e milhares de javalis que não são inspecionados e são consumidos. E isso não pode estar a acontecer”, reiterou.


Os caçadores criticam ainda a diminuição da caça e o preço para tirar licenças que, segundo José Baptista, em Portugal é muito mais caro do que em Espanha.



TZS/MLS // MLS

By Impala News / Lusa


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