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Albinos angolanos queixam-se de estigma e discriminação

O estigma e a segregação dos albinos ainda se sente entre a sociedade angolana, conforme testemunham dois jovens residentes em Luanda, portadores desta doença hereditária e que se queixam também das dificuldades financeiras para garantir cuidados médicos.

Luanda, 11 dez (Lusa) – O estigma e a segregação dos albinos ainda se sente entre a sociedade angolana, conforme testemunham dois jovens residentes em Luanda, portadores desta doença hereditária e que se queixam também das dificuldades financeiras para garantir cuidados médicos.


É o caso de Gracinda Kambundo, de 23 anos, mãe de dois filhos, que diz que comparativamente a outras regiões do país onde viveu, na capital angolana a discriminação é uma realidade.


“Aqui em Luanda tem mais discriminação, mas onde cresci no Cuanza Sul esse tipo de comportamentos raciais é quase que nulo”, começa por explicar a jovem, dona de casa, em conversa com a Lusa.


Para combater as dificuldades, diz que tenta “conviver de forma reiterada com as pessoas”, porque só assim consegue “desmistificar certos tabus” junto de quem convive.


“Com as vizinhas eu tenho um ótimo relacionamento, elas gostam de mim e eu também estou permanentemente a conversar com elas, e o mesmo acontece na igreja e com amigos. Mas o mesmo já não acontece com pessoas desconhecidas, que ainda me olham com certo desprezo”, queixa-se.


O albinismo é um distúrbio congénito caracterizado pela ausência de completa ou parcial de pigmento na pele, cabelos e olhos, características que em algumas culturas são invocadas para práticas de superstição e de feitiçaria.


Questionada sobre que tipo de cuidados de saúde que recebe, Gracinda Kambundo admite que chegou a ter apoio, mas a crise levou-a a desistir.


“Comecei a fazer consultas no Hospital Américo Boavida, aqui em Luanda, mas depois tive que desistir por falta de dinheiro para comprar cremes e outros medicamentos. É que estão muito caros”, desabafou.


Kelson João, de 22 anos, atualmente sem qualquer rendimento, garante que, problemas financeiros à parte, faz uma vida normal e que não se deixa vencer pelo preconceito que ainda se vive em Luanda para com os albinos.


“Eu costumo a dizer que o preconceituoso seria eu, se fugisse da realidade que a gente vive, então eu digo que o meu dia-a-dia tem sido normal, não sou desinibido, corro atrás dos meus objetivos, independentemente do que as pessoas pensam ou dizem”, afirma.


Apesar da atitude positiva que tenta manter, recorda o ataque de que foi alvo durante uma viagem de transporte público na capital.


“Este mês, no táxi, sofri esse tipo de ataque, logo que subi, o cobrador dirigiu-se a mim e disse que pelo facto de eu ser albino não poderia sentar-me ao lado dele”, conta.


Quanto aos preconceitos que ainda persistem, afirma que resultam de alguma intolerância da sociedade.


Até porque “perante a Constituição, somos todos iguais”, mas reconhecendo que “em Angola não existem políticas públicas para com os albinos”.


Para se proteger dos raios solares, que mais facilmente provocam queimaduras e cancros de pele nos albinos, Kelson João conta que se limita a ter uma vida “mais caseira”.


“Passo todo dia dentro de casa preferencialmente e circulo mais de noite, é muito normal e os meus amigos compreendem”, desabafa.



DYAS // VM


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