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Adeptos do primeiro mergulho do ano foram a Carcavelos cumprir a tradição

A praia de Carcavelos, Cascais, recebeu muitos aventureiros que cumpriram a tradição e deram o primeiro mergulho do ano no mar. Entre risos, coragem e algum frio, todos são unânimes: faz bem à saúde.

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Lisboa, 01 jan (Lusa) — A praia de Carcavelos, Cascais, recebeu hoje muitos aventureiros que cumpriram a tradição e deram o primeiro mergulho do ano no mar. Entre risos, coragem e algum frio, todos são unânimes: faz bem à saúde.


Com 92 anos, António Santos é o mergulhador mais velho a entrar na água e o que há mais tempo vai a banhos no primeiro dia do ano.


“Faço hoje 75 anos de banhos”, disse orgulhoso à Lusa e fez questão de contar como era aquela tradição quando começou: “tomámos o primeiro banho em 1943 à meia-noite, 44 à meia-noite, 45 à meia-noite. Acabou a guerra. O exército vinha para aqui com projetores e tivemos de mudar para o meio-dia. Largava-se o fogo (foguetes) e ia tudo para a água”.


Mesmo com os termómetros a marcarem seis graus centígrados, António Santos fez questão de cumprir a tradição e fez-se acompanhar pelo bisneto Vicente, de seis anos, que pelo segundo ano também quis ir a Carcavelos.


Frisando que no seu caso o primeiro banho do ano “faz bem” à saúde, António Santos confessou que, um ano em que estava internado, mentiu aos médicos para conseguir sair do hospital e ir à praia.


Trajados com fatos de presidiários, às riscas, José Pedro, Luís Oliveira e Maria Silva já se juntam há três anos para o mergulho do ano.


A escolha daqueles fatos “é uma maneira de dizer que estão presos na sociedade e se querem libertar”, explicou José Pedro.


“E hoje é o dia da libertação, de tomar um banho e de limpar a alma”, acrescentou.


Questionado sobre os benefícios do banho, não hesitou em responder que “dá sorte, faz bem às constipações e limpa a alma”.


“É maravilhoso! Limpa a alma, limpa o espírito, limpa tudo, sai tudo”, afirmou Maria Silva, que desafiou “toda a gente a entrar na água”.


Quem também entrou na água foi Ana Xavier, um das cinco mulheres do grupo “As Formosas” que exibem o típico traje de banho dos anos 1920 com camisola e bermuda de algodão e touca na cabeça.


Por aqui, o principal motivo do mergulho é a saúde: “Nós viemos pela saúde. Não nos constipámos no ano [passado] todo, somos belas e formosas”, resumiu.


A acompanhar o pai nesta aventura, João Lopes, de sete anos, não é novato nestas andanças e “já fez muitos” mergulhos do ano.


Todo molhado e com “pele de galinha”, admitiu que a água estava fria e que tinha frio cá fora. No entanto, assegurou que para o ano vai voltar.


Entre os mergulhadores que se concentram no areal, uns com simples calções de banho outros com roupas mais excêntricas, reina a boa disposição.


Do lado dos curiosos, entre risos e fotografias para registar o momento, ouvem-se elogios à coragem de quem entra na água num dia sem sol e com muito vento e frio.



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