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UE não pode criticar o muro de Trump porque também os ergueu – MNE italiano

O Ministro dos Negócios Estrangeiros de Itália considerou que a União Europeia “não está em boa posição” para criticar as políticas anti-imigração de Donald Trump, uma vez que também “ergueu muros” durante a crise dos refugiados.

Roma, 30 jan (Lusa) – O Ministro dos Negócios Estrangeiros de Itália considerou hoje que a União Europeia “não está em boa posição” para criticar as políticas anti-imigração de Donald Trump, uma vez que também “ergueu muros” durante a crise dos refugiados.


Em entrevista ao diário Corriere della Sera, o ministro Angelino Alfano afirmou que a Europa “não está em boa posição para dar opiniões sobre as escolhas dos outros”.


“Ou será que queremos esquecer que também nós, na Europa, erguemos muros?”, questionou o chefe da diplomacia italiana.


Durante a crise de migração de 2015, perante um fluxo de dezenas de milhares de pessoas que fugiam do Médio Oriente em guerra, os países balcânicos fecharam as fronteiras com a Hungria, erguendo vedações para impedir a entrada de migrantes.


Alfano, que até dezembro era ministro do Interior (Administração Interna), salientou – no entanto – que a Itália adotou uma posição diferente quanto aos refugiados e migrantes.


“A Itália, como ‘campeã mundial’ de salvamento de migrantes que atravessam o Mediterrâneo e do respetivo acolhimento nas nossas costas”, pode atestar que a “segurança e a solidariedade podem coexistir”, realçou.


“A nossa visão é diferente (da de Trump) e até agora tem-se mostrado bem-sucedida no que toca a segurança”, acrescentou Alfano.


As declarações de Alfano surgem no mesmo dia em que o governo italiano acolheu – ao lado de elementos da Igreja Católica – 41 refugiados sírios no aeroporto de Roma, afirmando que pretende mostrar solidariedade numa altura em que os Estados Unidos decidem erguer muros e criar novas leis para barrar estas pessoas.


As crianças sírias receberam balões e foram recebidas com uma faixa colorida com os dizeres “Bem-vindos a Itália”.


O ministro-adjunto dos Negócios Estrangeiros, Mario Giro, saudou os refugiados sírios e relembrou que o país tem uma obrigação de acolher aqueles que foge da guerra.


Está provado que os muros não funcionam, disse Giro, numa referência à proposta da administração Trump.


O que funciona, disse, é o acolhimento e distribuição organizados de refugiados, ao mesmo tempo que se faz acordos económicos com os países de origem.


Na sexta-feira, o Presidente norte-americano assinou uma ordem executiva que proíbe a entrada a todos os refugiados durante 120 dias, assim como a todos os cidadãos de sete países de maioria muçulmana (Síria, Líbia, Sudão, Irão, Iraque, Somália e Iémen) durante 90 dias.


Os cidadãos daqueles sete países que possuem uma autorização de residência permanente (‘green card’) nos Estados Unidos “não são afetados”, disse no domingo ao canal NBC o chefe de gabinete da Casa Branca, Reince Priebus, adiantando, no entanto, que poderão ser submetidos a interrogatórios aprofundados à sua chegada ao país.


O período anunciado de 90 dias será usado para pôr em prática um sistema de verificação extremamente minucioso dos candidatos à entrada nos Estados Unidos.



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By Impala News / Lusa


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