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TSU: PCP diz que PSD faltou à palavra, Costa descreve “cambalhota oportunista”

O secretário-geral do PCP acusou o PSD de faltar à palavra em relação à baixa da Taxa Social Única, ao contrário dos comunistas, sublinhando que não se pode contar com os sociais-democratas para repor salários e rendimentos.

Lisboa, 27 jan (Lusa) — O secretário-geral do PCP acusou hoje o PSD de faltar à palavra em relação à baixa da Taxa Social Única (TSU), ao contrário dos comunistas, sublinhando que não se pode contar com os sociais-democratas para repor salários e rendimentos.


O primeiro-ministro socialista, António Costa, concordou com Jerónimo de Sousa, durante o debate parlamentar quinzenal, descrevendo o comportamento do PSD como uma “cambalhota oportunista para tentar criar intriga política”.


“Não é por dizer uma mentira muitas vezes que ela se torna verdade. Foi dito por Passos Coelho que o PCP não honrou a palavra dada, em relação à TSU. Quem o fez foi o PSD”, disse o líder comunista vincando que em nenhum momento houve conversações ou inscrições na posição conjunta PS/PCP sobre aquela contribuição das empresas para a Segurança Social por cada empregado.


Jerónimo de Sousa teve mesmo de esperar alguns segundos para começar a intervir e fez depois outra pausa por sua iniciativa e uma outra a pedido do Presidente da Assembleia da República, o socialista Ferro Rodrigues, para que a bancada do PSD pudesse criar condições para o ouvir.


“[Deve ter sido] o tom de raiva e ira do vosso líder… Estão muito nervosos…”, comentou Jerónimo de Sousa, declarando depois que, “arrumada a questão da TSU, tratamos agora de saber do Pagamento Especial por Conta (PEC), seu “montante e universalidade”, assegurando que o PCP tem “propostas”.


O parlamento revogou esta semana a descida da TSU em 1,25 pontos percentuais em 2017, com os votos de PSD, BE, PCP e PEV e abstenções de CDS-PP e PAN. Aquela medida tinha sido acordada pelo Governo socialista em concertação social, como contrapartida do aumento gradual do Salário Mínimo Nacional para 557 euros e 600 em 2019. Entretanto, o executivo anunciou ir agora reduzir o PEC em 100 euros a partir de março, mais 12,5% do remanescente da coleta paga por cada empresa.


“É muito difícil, realmente, o PSD transfigurar-se. Ouvimos dizer ‘não contem com o PSD’ para corrigir as malfeitorias. Não se pode contar com PSD para a reposição de direitos e rendimentos”, concluiu Jerónimo de Sousa.


António Costa afirmou que “ninguém nestas bancadas [da maioria] se enganou ou foi enganado”.


“Nenhum de nós foi surpreendido com a posição dos outros, aquilo que foi novo foi a cambalhota que o PSD resolveu dar, desdizendo tudo o que disse no passado. O mais grave não é desdizer – toda a gente tem direito de, tendo errado no passado, corrigir no futuro. O problema é que o PSD mascarou a sua posição. No debate, fugiu-lhe a boca para a verdade e depois Luís Montenegro confessou à televisão que estavam contra não a TSU, mas o aumento do salário mínimo nacional”, resumiu o primeiro-ministro.


O líder socialista insistiu: “Não foi uma cambalhota nas suas convicções [PSD], foi uma cambalhota oportunista para tentar criar intriga política”.


O secretário-geral do PCP incitou depois o chefe de Governo a tomar medidas quanto aos problemas relatados por pensionistas que recebem os apoios da Segurança Social através de vales postais, nomeadamente atrasos na distribuição por parte dos CTT, entretanto privatizados.


Costa disse que já houve reunião entre a Segurança Social e os CTT, além da ANACOM, e atestou que “qualquer atraso e degradação do serviço é inaceitável”, uma vez que “21% dos pensionistas continua a receber por vale postal”.



HPG // VAM


By Impala News / Lusa


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