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Referendo a reforma constitucional em Itália rejeitado com 59,95% dos votos – oficial

O apuramento oficial dos votos no referendo celebrado no domingo em Itália confirmou hoje a vitória do ‘não’ à reforma constitucional proposta pelo primeiro-ministro, Matteo Renzi, com 59,95% dos boletins depositados nas urnas.

Roma, 05 dez (Lusa) – O apuramento oficial dos votos no referendo celebrado no domingo em Itália confirmou hoje a vitória do ‘não’ à reforma constitucional proposta pelo primeiro-ministro, Matteo Renzi, com 59,95% dos boletins depositados nas urnas.


A reforma do chefe do Governo foi apoiada por 40,05% dos eleitores que foram votar.


Votaram contra a reforma 19.019.197 eleitores e a favor 12.706.340.


Renzi anunciou hoje que apresentará a sua demissão ao Presidente da República, Sergio Mattarella, como consequência do resultado.


A derrota de Renzi foi avançada pelas 22:00 de domingo, por sondagens à boca da urna, divulgadas por vários meios de comunicação.


Falta ainda apurar o resultado oficial do escrutínio dos votos dos italianos residentes fora do país, cerca de quatro milhões de pessoas, das quais 27,25% votaram.


O escrutínio do voto exterior mostrava, pelas 03:00, uma tendência oposta ao voto de Itália, com quase 65% dos votos apurados a favor da reforma de Renzi e 35% contra.


Os italianos votaram em referendo no domingo uma reforma constitucional que visava reduzir o poder do Senado e aumentar a estabilidade política, mas que se transformou num plebiscito ao primeiro-ministro, Matteo Renzi.


Apoiantes e detratores da reforma fizeram campanha como se o referendo fosse de facto um teste à gestão de Renzi, mas foi o próprio quem personalizou a reforma e anunciou que se demitiria se ela fosse chumbada.


A reforma, como a caracterizou Renzi, pretendia modernizar Itália, reduzir os custos da política, agilizar o processo legislativo e facilitar a estabilidade num país que teve 63 governos nos últimos 70 anos.


O principal ponto da reforma era a eliminação do chamado “bicameralismo perfeito”, retirando quase todo o poder legislativo ao Senado, que passaria a ser um órgão consultivo formado por 100 senadores, contra os atuais 315, escolhidos pelos governos regionais e locais.


Para a oposição, pelo contrário, a reforma era “um fato à medida de Renzi”, segundo o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, e uma iniciativa ilegítima por não assentar num consenso, segundo o Movimento 5 Estrelas (M5E).


Para estes críticos, ao não eliminar o Senado, a reforma criaria uma duplicação de funções entre as duas câmaras e, ao determinar a escolha dos senadores pelos governos regionais e locais, corria o risco de transformar a câmara alta num refúgio de corruptos.


A derrota de Renzi no referendo pode ter um importante impacto económico, como sugerem a repetida subida das taxas de juro da dívida soberana das últimas semanas e a preocupação crescente com os créditos de cobrança duvidosa que ensombram a banca italiana. Pode também reforçar a posição de partidos populistas como a Liga do Norte e o M5E, que defendem um referendo sobre a permanência de Itália no euro.




ISG (MDR) // MP


Lusa/fim


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