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Provedor de Justiça denuncia fraca qualidade da comida da prisão-escola de Leiria

O provedor de Justiça denunciou a fraca qualidade da comida servida no Estabelecimento Prisional de Leiria para Jovens, alertando que o descontentamento com a alimentação pode provocar distúrbios nas prisões.

Lisboa, 09 dez (Lusa) — O provedor de Justiça, José de Faria Costa, denunciou hoje a fraca qualidade da comida servida no Estabelecimento Prisional de Leiria para Jovens, alertando que o descontentamento com a alimentação pode provocar distúrbios nas prisões.


A visita ao Estabelecimento Prisional de Leiria para Jovens decorreu no dia 16 de setembro e enquadra-se no projeto “O Provedor de Justiça, as prisões e o século XXI: diários de algumas visitas”, que José de Faria Costa realiza desde janeiro.


De acordo com o provedor de Justiça, neste Estabelecimento Prisional, onde estão detidos jovens dos 16 e os 25 anos, encontrou reclamações semelhantes às das outras cadeias, sobretudo no que diz respeito à alimentação.


“Não posso, pois, não insistir, uma vez mais, na insatisfação que se tem sentido [por causa] da diminuição das capitações dos alimentos fornecidos à população reclusa”, refere o provedor, no seu mais recente relatório.


José de Faria Costa diz ter ouvido reclamações dos jovens em relação à quantidade de comida que lhes é servida, “palavras que são acompanhadas de revelações atinentes à fraca qualidade das refeições”.


“A sopa que provei não estava consistente. Os dois pedaços de rolo de carne eram insuficientes para garantir que os jovens adultos se sintam saciados”, aponta o provedor de Justiça.


Esta reclamação leva mesmo o provedor de Justiça a chamar a atenção para a possibilidade de “o descontentamento com a alimentação [poder] motivar altercações no interior das (…) prisões” e a defender que esta é uma questão que deve ser modificada.


“E devemos fazê-lo a breve trecho, para que os nossos reclusos sejam, mesmo com as generalizadas dificuldades económico-financeiras, devidamente alimentados. Este é um direito de todas as pessoas (…). Este é um dever do Estado como responsável que é pelas pessoas que tem ao seu cuidado”, lê-se no relatório.


Outros dos aspetos que merece o reparo de José de Faria Costa é o ensino, já que apenas “menos de metade do total dos reclusos frequentam formação escolar e, alternada ou conjuntamente, profissional”.


“Estando este estabelecimento penitenciário especialmente destinado a receber os jovens de hoje e homens de amanhã, importa prepará-los para uma vida que se quer ativa. Que se quer produtiva”, aponta o provedor.


Nesse sentido, José de Faria Costa defende que as opções formativas sejam incentivadas, sugerindo “apostar em estímulos à adesão a tais atividades”, defendendo que dessa forma os jovens terão mais ferramentas para mudar de vida.


O provedor de Justiça aproveita ainda para chamar a atenção para a “degradação no edificado”.


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