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Presidência portuguesa fez sobressair países lusófonos no Golfo da Guiné — coordenador

O embaixador Joaquim Ferreira Marques classificou como “uma grande vitória” da presidência portuguesa do grupo G7++ FoGG, que agora termina, ter conseguido destacar a presença e importância dos países lusófonos na região do Golfo da Guiné.

Praia, 02 dez (Lusa) – O embaixador Joaquim Ferreira Marques classificou hoje como “uma grande vitória” da presidência portuguesa do grupo G7++ FoGG, que agora termina, ter conseguido destacar a presença e importância dos países lusófonos na região do Golfo da Guiné.


“Até agora esta zona era praticamente dividida entre países francófonos e anglófonos, esquecendo-se que há uns países lusófonos na área. A presidência de Portugal pôde fazer sobressair a presença e a importância dos países lusófonos. Foi uma grande vitória”, disse.


Joaquim Ferreira Marques falava à agência Lusa à margem da segunda reunião anual do G7++ Amigos do Golfo da Guiné, que hoje decorre na capital cabo-verdiana e assinala o fim da presidência portuguesa do grupo.


O diplomata, que coordenou a presidência portuguesa, adiantou que, no âmbito do grupo, o diálogo com os países da costa africana tem corrido “relativamente bem”, mas enfrenta diferenças de velocidade em matéria de atuação entre os países do norte, onde estão os maiores armadores de navios e principais interessados na segurança marítima na região, e os países africanos.


“Leva muito tempo a sensibilizar os dirigentes africanos para a importância do mar. A maior parte dos países africanos, mesmo que sejam ribeirinhos do oceano Atlântico, estão sobretudo voltados para o interior”, disse.


Apontou como exemplo o caso da Nigéria, onde existe o maior número de ataques de piratas, considerando “é muito limitada” a defesa que o país faz dos seus interesses marítimos.


Reconhece, contudo, que tem havido um interesse crescente relativamente a estas matérias por parte dos países africanos costeiros, que, no entanto, se debatem com falta de meios.


“A maior parte dos países tem marinhas muito pobres. Faltam-lhes barcos, pessoal, ‘know-how’, não têm estruturas tecnológicas, faltam radares, computadores”, elencou, defendendo a necessidade de estes países serem equipados para poderem responder e ter toda a zona em constante observação.


“Isso leva a que os países do G7 possam nestas reuniões saber o que eles necessitam e depois em equação o que lhes podem dar”, acrescentou.


O grupo G7++ Amigos do Golfo da Guiné, inclui além dos sete países mais industrializados do mundo, outros como Portugal, Noruega ou Dinamarca, países que fazem uso das rotas marítimas do Golfo da Guiné, que para este efeito é considerada a zona que vai de Angola a Cabo Verde e ao Senegal.


“Quase 40 por cento das importações de petróleo e gás de Portugal passam por esta zona, além das mercadorias que vão para Angola e atravessam toda esta área. Também nos interessa ter todas estas vias seguras”, disse o embaixador.


O grupo, que inicialmente previa a cooperação em matéria de segurança marítima e o combate à pirataria, alargou o seu âmbito a questões como a pesca ilegal, ao ambiente e ao tráfico de droga, com a passagem pela região das rotas da América Latina para a Europa.


Portugal assumiu a presidência do G7++Grupo de Amigos do Golfo da Guiné durante 2016, tornando-se no primeiro país não-membro do G7 a receber a presidência deste grupo, numa altura em que o G7 é presidido pelo Japão.


No próximo ano, a presidência será assumida pela Itália, que poderá assumi-la sozinha ou convidar outro país a presidir ao grupo.


A reunião da Praia será encerrada pelo ministro da Defesa de Portugal, Azeredo Lopes.


Segundo o Gabinete Marítimo Internacional, no primeiro semestre de 2016 registaram-se na região do Golfo da Guiné 52 atos de pirataria e assaltos à mão armada, números considerados preocupantes, mas abaixo dos 54 registados nos primeiros três meses de 2015.


Os incidentes envolvem o roubo do conteúdo dos navios, mas também do combustível.


Há ainda roubos de pequenas embarcações em ancoradouros e sequestros de tripulações.



CFF // PJA


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