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Pelo menos cinco estabelecimentos comerciais de portugueses saqueados na Venezuela

Pelo menos cinco estabelecimentos comerciais de portugueses, quatro padarias e um distribuidora de pneus, foram saqueados nos últimos dias em Cidade Bolívar, 500 quilómetros a sudeste de Caracas, disseram à Lusa fontes da comunidade portuguesa.

Caracas, 19 dez (Lusa) – Pelo menos cinco estabelecimentos comerciais de portugueses, quatro padarias e um distribuidora de pneus, foram saqueados nos últimos dias em Cidade Bolívar, 500 quilómetros a sudeste de Caracas, disseram à Lusa fontes da comunidade portuguesa.


“Há pelo menos quatro padarias de portugueses que foram saqueadas na avenida e há um conterrâneo a quem roubaram todos os pneus que tinha para vender e a quem também levaram as máquinas para os reparar, alinhar e balancear os veículos”, disse uma das fontes.


Os saques ocorreram entre sexta-feira e domingo, no âmbito de protestos da população que se queixa da falta de dinheiro nos bancos, para trocar as notas de 100 bolívares (0,15 euros) que o Presidente Nicolás Maduro mandou retirar de circulação.


Um comerciante explicou à Lusa que mesmo que os bancos façam empréstimos aos empresários, será muito difícil recuperar dos danos provocados porque os valores investidos são muito superiores ao máximo que pode ser emprestado.


“Lembrei-me do ‘El Carazo’, dos saques que em fevereiro de 1989 ocorreram em Caracas onde muita gente morreu e muitos empresários perderam tudo”, explicou outro comerciante que se queixou da demora das forças de segurança em atuar.


Segundo Fernando Cepeda, presidente da filial de Cidade Bolívar da Federação de Câmaras de Comércio da Venezuela (Fedecâmaras), em três dias foram pilhados 450 estabelecimentos comerciais.


“É bastante grave, preocupante. Nunca tínhamos tido na nossa cidade uma situação como a que vivemos”, explicou, precisando que apenas três supermercados não foram saqueados, entre eles a sucursal local da Central Madeirense, propriedade de empresários portugueses radicados no país.


Um grande número de estabelecimentos comerciais afetado é propriedade de imigrantes chineses.


Entretanto várias localidades foram militarizadas e a situação está controlada, havendo registos de que saques também em Guasipati, El Callao e Tumeremo, localidades onde, segundo explicaram várias fontes à agência Lusa, não existem terminais de pagamentos eletrónicos nos estabelecimentos comerciais e onde o dinheiro em notas “não é contado, mas pesado” e assim determinam o valor que existe.


No passado dia 11 de dezembro, o Presidente Nicolás Maduro ordenou que as notas de cem bolívares fossem retiradas de circulação, em 72 horas, para alegadamente combater máfias internacionais (norte-americanas, colombianas, europeias e asiáticas), que disse estarem a armazená-las, para desestabilizar a economia venezuelana.


Entretanto, no sábado, depois de protestos em várias regiões do país, o chefe de Estado anunciou que as notas de cem bolívares vão continuar a circular até 02 de janeiro.



FPG // EL


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