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PCP/Congresso: Viabilização do Governo PS depende de reposição de direitos — novos membros Comité Central

Três dos 22 novos elementos do Comité Central do PCP que serão eleitos hoje no XX Congresso Nacional comunista afirmaram que a continuidade da viabilização do governo socialista depende daquilo a que chamam “reposição dos direitos” às populações.

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Almada, Setúbal, 03 dez (Lusa) — Três dos 22 novos elementos do Comité Central do PCP que serão eleitos hoje no XX Congresso Nacional comunista afirmaram que a continuidade da viabilização do governo socialista depende daquilo a que chamam “reposição dos direitos” às populações.


Questionado sobre o futuro do acordo assinado há um ano entre PCP e PS, materializado num documento intitulado “posição conjunta”, Filipe Costa, 34 anos, destacou que se trata de uma “contribuição do PCP que é decisiva e determinante na reposição de direitos”.


Para o eletricista que veio de Bragança até Almada, onde decorre a reunião magna dos comunistas, a atual solução política “permite aliviar os trabalhadores e o povo português do massacre a que estavam votados com a política do anterior governo [PSD/CDS] e, nesse sentido, é um passo adiante nesse objetivo de rutura com a política de direita e de construção de uma alternativa”.


Do sul, veio Joana Sanches, uma enfermeira de 35 anos eleita na Assembleia Municipal de Portimão.


“O que existe não é um acordo [com o PS], o que existe é uma posição conjunta relativamente a algumas questões que implicavam diretamente a vida dos trabalhadores”, explicou à Lusa.


“Se irá continuar [a viabilização na Assembleia da República do Governo PS], não sei, continuará de acordo com aquilo que o PCP possa defender em relação à reposição dos direitos dos trabalhadores e do povo em geral”, declarou.


Sem ter feito uma grande viagem até Almada, a assistente de produção Ana Gusmão, 31 anos, veio de Sintra, distrito de Lisboa.


“Quando afirmámos que o PS só não era governo se não quisesse [após as eleições legislativas de 2015] não foi um apoio ao governo do PS, foi depois da discussão de um conjunto de medidas que considerávamos urgente dar resposta às aspirações do povo português”, considerou Ana Gusmão, que pertence ao PCP desde 2005.


“O que existe é um governo do PS e isso tem as limitações dos compromissos [socialistas]”, como por exemplo o papel da União Europeia: “O nosso papel de recuperação de direitos continuará a existir e a nossa autonomia continuará a existir”, vincou Ana Gusmão.


Para estes três elementos, que a partir de agora vão passar a integrar o órgão máximo do PCP entre congressos, esse facto acresce-lhes responsabilidades.


“A participação no Comité Central é uma decisão do coletivo partidário, acresce-nos responsabilidade, mas não deixa de estar inserida na discussão coletiva que vamos fazendo nas organizações de base e na ligação à realidade que queremos aprofundar”, disse Ana Gusmão, sendo secundada por Filipe Costa.


Joana Sanches acrescentou que a “inclusão no Comité Central se prendeu com a particularidade de estar ligada ao setor da saúde, pertencer ao Centro Hospitalar de Portimão e a influência [que poderá ter neste órgão] será relativamente às questões profissionais dos trabalhadores da saúde e às questões do Serviço Nacional de Saúde”.


No âmbito dos trabalhos do Congresso, o dia de hoje culminará com a eleição dos 146 membros do Comité Central e seus organismos executivos.


O secretário-geral, Jerónimo de Sousa, e a maior parte dos membros da Comissão Política e do Secretariado Nacional devem ser reconduzidos até 2020.


A eleição do rol de dirigentes, por voto secreto, decorrerá a partir das 18:00, à porta fechada, sendo os resultados divulgados em seguida, previsivelmente a partir das 20:00.


Entre a lista de nomes contam-se todos os elementos daqueles dois organismos executivos, à exceção de Albano Nunes. Entre 146 nomes pré-designados, há 22 novos elementos – 14 homens e oito mulheres, com uma média de idade de 37 anos -, enquanto outros 25 membros deixaram de constar do conjunto do órgão dirigente alargado entre congressos.


A média etária do novo elenco situa-se nos 48 anos, com 25% de mulheres (37) e 62% de funcionários do partido. As ocupações profissionais encontram-se distribuídas por operariado (46%), intelectuais e quadros técnicos (32%), empregados por contam de outrem (21%) e estudantes (1%).



ZO (HPG) // CSJ


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