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Óbito/Soares: Um homem que “provocava banhos de multidão” — presidente da Associação dos Macaenses

Mário Soares vai deixar “alguma saudade” em Macau, onde é lembrado como um homem que “provocava banhos de multidão”, para inconveniência das forças de segurança, recorda o advogado e presidente da Associação dos Macaenses, Miguel Senna Fernandes.

Macau, China, 08 jan (Lusa) — Mário Soares vai deixar “alguma saudade” em Macau, onde é lembrado como um homem que “provocava banhos de multidão”, para inconveniência das forças de segurança, recorda o advogado e presidente da Associação dos Macaenses, Miguel Senna Fernandes.


“A imagem que havia em Macau era de uma pessoa que sabia ouvir. Recordo-me que quando chegou a Macau, nas suas visitas, já como Presidente da República, era uma pessoa muito querida, estava muito habituado aos banhos de multidão, que ele próprio provocava”, diz à Lusa.


O macaense recorda como o político causava “constante preocupação ao pessoal da segurança” porque, ao contrário de “outras personalidades que se afastavam da multidão por razões de segurança”, Soares “fazia questão de quebrar [o aparato de segurança], juntava-se às pessoas, fazia questão disso”.


“Vamos sentir muita falta dele”, diz Senna Fernandes, lembrando como a estreia do seu grupo de teatro em patuá (dialeto local de base portuguesa), os “Doçi Papiaçám” foi dedicada a Soares.


A peça “Olâ Pisidénte”, que subiu ao palco do Teatro D.Pedro V em 1993, chamava a atenção, em tom humorístico, para problemas e angústias da época dos naturais do território, que se preparava para a transferência de Macau para a China, em 1999. Na récita, o Presidente era apelidado de “cara de babalua”, ou “cara de lua cheia” em patuá, numa referência ao ar bonacheirão de Mário Soares.


“Foi um ícone, um símbolo da liberdade. Uma pessoa que encarnava coragem política em todos os aspetos”, remata.


Mário Soares morreu sábado, aos 92 anos, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, onde estava internado há 26 dias, desde 13 de dezembro.


O Governo decretou três dias de luto nacional, a partir de segunda-feira.


Soares desempenhou os mais altos cargos no país e a sua vida confunde-se com a própria história da democracia portuguesa: combateu a ditadura, foi fundador do PS e Presidente da República.


Nascido a 07 de dezembro de 1924, em Lisboa, Mário Alberto Nobre Lopes Soares foi fundador e primeiro líder do PS, e ministro dos Negócios Estrangeiros após a revolução do 25 de Abril de 1974.


Primeiro-ministro entre 1976 e 1978 e entre 1983 e 1985, foi Soares a pedir a adesão à então Comunidade Económica Europeia (CEE), em 1977, e a assinar o respetivo tratado, em 1985. Em 1986, ganhou as eleições presidenciais e foi Presidente da República durante dois mandatos, até 1996.



ISG (DM)//FV


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