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Óbido/Soares: Felipe Gonzalez salienta firmeza e coragem política

O ex-presidente do Governo espanhol e ex-lider do PSOE, Felipe Gonzalez, prestou homenagem a Mário Soares num comunicado em que salienta a sua “firmeza” e “coragem política” contra a “ditadura salazarista” e a “deriva autoritária comunista”.

Madrid, 07 jan (Lusa) — O ex-presidente do Governo espanhol e ex-lider do PSOE, Felipe Gonzalez, prestou hoje homenagem a Mário Soares num comunicado em que salienta a sua “firmeza” e “coragem política” contra a “ditadura salazarista” e a “deriva autoritária comunista”.


“No momento da sua morte, a melhor homenagem a este patriarca da Democracia portuguesa, é recordar a sua firmeza, a sua coragem política, inclusivamente nos momentos em que muitos baixaram os braços e viram como inevitável a chegada de uma ditadura militar comunista”, afirma Gonzalez num comunicado enviado à agência Lusa em Madrid.


O líder histórico do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol) começa por considerar que “Mário Soares era, antes de mais, um amigo” e que “por isso é difícil falar na sua ausência”.


Gonzalez sublinha que o ex-presidente português era um democrata convencido da necessidade de acabar com a ditadura salazarista e que enfrentou, logo em seguida, a “deriva autoritária comunista”, para desenvolver as suas ideias: “O socialismo democrático”.


“Por essas convicções lutou sempre, durante mais de 70 anos. Sabia que apenas num espaço de liberdades democráticas poderia avançar com os seus projetos políticos”, escreve Gonzalez.


O socialista espanhol recordou que Soares era uma “europeísta convencido” e essa “visão” levou-o a ser “muito crítico” das políticas da União Europeia (UE), depois de rebentar a crise financeira de 2008.


“Nunca desfaleceu. Nunca deixou de ser um homem livre que lutava contra todas as formas de autoritarismo. Nunca deixou de lutar pelo socialismo democrático. Assim viveu e assim morreu Mário Soares”, conclui.


Felipe Gonzalez foi secretário-geral do PSOE entre 1974 e 1997 e presidente do Governo espanhol entre 1982 e 1996, tendo tipo um papel político fulcral a partir da instauração da democracia em Espanha em 1977.


Mário Soares morreu hoje, aos 92 anos, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, onde estava internado há 26 dias, desde 13 de dezembro.


O Governo decretou três dias de luto nacional, a partir de segunda-feira.


Soares desempenhou os mais altos cargos no país e a sua vida confunde-se com a própria história da democracia portuguesa: combateu a ditadura, foi fundador do PS e Presidente da República.


Nascido a 07 de dezembro de 1924, em Lisboa, Mário Alberto Nobre Lopes Soares foi fundador e primeiro líder do PS, e ministro dos Negócios Estrangeiros após a revolução do 25 de Abril de 1974.


Primeiro-ministro entre 1976 e 1978 e entre 1983 e 1985, foi Soares a pedir a adesão à então Comunidade Económica Europeia (CEE), em 1977, e a assinar o respetivo tratado, em 1985. Em 1986, ganhou as eleições presidenciais e foi Presidente da República durante dois mandatos, até 1996.



FPB // MP


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