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Mário Soares: PSD e CDS destacam papel determinante na construção do Portugal democrático

PSD e CDS-PP salientaram o papel determinante de Mário Soares na construção do Portugal democrático, apesar de reconhecerem que foram muitas as vezes que divergiram do antigo Presidente da República.

Lisboa, 11 jan (Lusa) — PSD e CDS-PP salientaram hoje o papel determinante de Mário Soares na construção do Portugal democrático, apesar de reconhecerem que foram muitas as vezes que divergiram do antigo Presidente da República.


“No PSD divergimos muitas vezes de Mário Soares: não levem a mal que diga, com carinho cívico e político, que divergimos até ao fim, aos últimos escritos e intervenções. Mas nunca nos separámos dele no ponto fulcral do seu combate, defender a democracia e evitar qualquer tipo de ditadura e o primado do poder politico sobre o económico”, afirmou o líder da bancada social-democrata, Luís Montenegro, na sessão evocativa do antigo Presidente da República.


Numa intervenção em que preferiu destacar as convergências que uniram os sociais-democratas a Mário Soares, o líder da bancada do PSD resumiu o contributo do antigo chefe de Estado e de Governo lendo o primeiro artigo da Constituição da República Portuguesa.


“Em escassas 26 palavras se resume com soberba simplicidade um projeto político enorme, a nação portuguesa, foi esse projeto que mobilizou Mário no combate à ditadura, aos fascismo e também em 74 e 75 quando combateu o fanatismo ideológico que alguns desejavam e foi ainda esse projeto de democracia e desenvolvimento que o mobilizou quando pugnou pela abertura e adesão ao projeto europeu”, disse.


“Só os incautos e muito desatentos podem desdenhar este papel”, alertou, salientando o reconhecimento além-fronteiras da importância de Mário Soares.


Montenegro deixou ainda um elogio à democracia portuguesa no seu conjunto, lembrando que o país já conseguiu, em apenas 40 anos, eleger um presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, e um secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.


“Em 40 anos quantos grandes políticos passaram por todas estas bancadas. No Portugal de Mário Soares há nobreza na política e há políticos de excelência em todos os quadrantes partidários”, destacou.


Já o CDS-PP sublinhou o papel histórico que Mário Soares desempenhou em Portugal “pelo menos no último meio século”, mas fez questão de manifestar a sua discordância com a forma como foi conduzido o processo de descolonização pelo então primeiro-ministro.


“O CDS, neste momento de justa e merecida homenagem, não pode deixar de recordar a nossa discordância com um processo de descolonização apelidado por muitos de exemplar mas que, a nosso ver, foi apressado e trouxe sofrimento a milhares de portugueses”, salientou o líder parlamentar Nuno Magalhães.


O presidente da bancada democrata-cristã destacou ainda “as visões diferentes para Portugal em 1976” em relação a Mário Soares, quando a bancada do CDS foi a única a votar contra “uma Constituição que preconizava o caminho para o socialismo”.


“Mais recentemente, continuámos a ter opiniões diferentes quando o país foi forçado a um resgate financeiro que nunca desejámos ou contribuímos mas que ajudámos a cumprir e assim a recuperar a soberania nacional plena”, acrescentou.


Para Nuno Magalhães, uma “homenagem respeitosa” a Mário Soares implica assumir “com frontalidade” estas divergências.


“As divergências que tivemos enquanto partido não ofuscam em nada o respeito e a consideração pelas suas qualidades indiscutíveis”, reforçou.


Considerando que Mário Soares “personifica grande parte da História do Portugal contemporâneo”, a bancada do CDS destacou, pela positiva, “o contributo decisivo” que teve na construção de um Estado social e um Portugal democrático, a oposição ao Estado Novo e o “papel determinante” na Revolução de 1974 e no 25 de Novembro.


“Se Portugal não se transformou então numa ditadura em muito se deve ao Dr. Mário Soares”, disse, frisando ainda o papel do antigo chefe de Governo e de Estado na adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia.


Mário Soares morreu no sábado, aos 92 anos, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, cumprindo-se hoje o último dos três dias de luto nacional decretados pelo Governo.



SMA // JPS


Lusa/fim


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