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Mário Soares: Milhares de pessoas seguiram cortejo entre Campo Grande e Jerónimos

Milhares de pessoas acompanharam o início das cerimónias fúnebres do antigo Presidente da República Mário Soares, seguindo um cortejo que desfilou por algumas das principais artérias de Lisboa.

Lisboa, 09 jan (Lusa) – Milhares de pessoas acompanharam hoje o início das cerimónias fúnebres do antigo Presidente da República Mário Soares, seguindo um cortejo que desfilou por algumas das principais artérias de Lisboa.


Dois dias depois da morte de Mário Soares, no sábado, aos 92 anos, as cerimónias fúnebres de Estado iniciaram-se com a chegada da urna à residência do antigo Presidente, situada no Campo Grande, em Lisboa.


Largas centenas de pessoas estiveram concentradas frente à porta da casa do antigo chefe de Estado, onde o carro funerário chegou pelas 11:00, tendo permanecido no local cerca de cinco minutos, durante os quais se ouviram aplausos e palavras de louvor, como “Soares é fixe”.


As pessoas começaram a concentrar-se pelas 10:00 na rua Dr. João Soares — artéria com o nome do pai de Mário Soares, educador e ministro da República falecido igualmente com 92 anos e onde ficava a casa do antigo Presidente.


Por essa mesma hora o filho de Mário Soares, João Soares, chegou ao local acompanhado pela família.


Depois de cinco minutos no local, pelas 11:05, o carro funerário iniciou o cortejo que percorreu as principais ruas do centro da capital.


O arranque do cortejo fúnebre foi feito ao som de aplausos dos populares que aguardavam a chegada da urna de Mário Soares, coberta com a bandeira portuguesa.


A 200 metros da residência da família Soares, o Colégio Moderno foi também local de paragem do cortejo fúnebre, onde esteve cerca de cinco minutos para que os populares e alunos do Colégio pudessem saudar o corpo do antigo Presidente.


Do Campo Grande, o cortejo, com escolta de cerca de 30 motos da GNR, seguiu para a Praça do Município, onde chegou poucos minutos depois das 11:30.


A urna de Mário Soares foi recebida pelo presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, por vereadores do executivo e outros autarcas e ainda pela família, representada pelos filhos João e Isabel Soares e pelos netos Jonas e Lilah Soares.


Três minutos após a chegada, a urna coberta pela bandeira de Portugal foi retirada do carro funerário para o armão militar (espécie de charrete) por seis militares da Guarda Nacional Republicana (GNR), seguindo-se a entrega, pelos netos, das condecorações que acompanharam a urna.


O carro funerário chegou acompanhado por uma Escolta de Honra da GNR, constituída por 30 motos, às quais se juntou uma comitiva de 84 cavalos desta força de segurança.


A assistir, estavam também cerca de 200 populares, que se mantiveram em silêncio durante a ocasião. As palmas ouviram-se na chegada do corpo e durante a transladação, tornando-se mais intensas com o início da marcha da charrete cerimonial.


Na fachada dos Paços do Concelho, destacam-se dois cartazes de grande dimensão (iguais aos 500 que estão colocados por toda a cidade) com a inscrição “Obrigado Mário Soares” acompanhada por uma fotografia de corpo inteiro e a preto e branco do histórico socialista, a caminhar na praia.


Também o percurso do cortejo entre os Paços do Concelho e o Mosteiro dos Jerónimos foi sempre sendo acompanhado por populares, que assistiam ao desfile nomeadamente dos passeios ao longo da Avenida 24 de Julho, que esteve cortada ao trânsito.


Pelas 12:00, quando o cortejo passava na zona de Santos, cerca de uma centena de pessoas aguardava já junto ao Mosteiro dos Jerónimos a chegada do corpo do antigo Presidente, num dia em que praticamente não há turistas naquela zona de Belém.


Poucos minutos depois das 13:00, o cortejo chegou finalmente ao Mosteiro dos Jerónimos, onde foi aplaudido pelas pessoas que assistiam à sua chegada e ouviu-se o ‘slogan’ “Soares é fixe”.


Nos Jerónimos, a urna foi para a Sala dos Azulejos, entrando de seguida a família, a ministra da Presidência, o presidente da Assembleia da República e o Presidente da República, que apresentaram os seus pêsames aos familiares.


Após a saída das altas individualidades, cerca 13:40, os históricos socialista Manuel Alegre e Miranda Calha, bem como a mãe do primeiro-ministro, Maria Antónia, foram dos primeiros a entrar na Sala dos Azulejos e procedeu-se à abertura da câmara ardente ao público, até à meia-noite.


Reabrirá na terça-feira entre a 08:00 e as 11:00.


Pelas 13:00 de terça-feira, a urna será transportada para os claustros do Mosteiro, onde se vai realizar uma sessão solene evocativa de homenagem.


Pelas 14:00, a urna sairá dos Jerónimos, seguindo no armão da GNR. O cortejo fará breves paragens antes de chegar ao cemitério dos Prazeres.


Nascido a 07 de dezembro de 1924, em Lisboa, Mário Alberto Nobre Lopes Soares, advogado, combateu a ditadura do Estado Novo e foi fundador e primeiro líder do PS.


Após a revolução do 25 de Abril de 1974, regressou do exílio em França e foi ministro dos Negócios Estrangeiros e primeiro-ministro entre 1976 e 1978 e entre 1983 e 1985, tendo pedido a adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia (CEE), em 1977, e assinado o respetivo tratado, em 1985.


Em 1986, ganhou as eleições presidenciais e foi Presidente da República durante dois mandatos, até 1996.



ARP/HN/JGS/SYSM/PL/MYMD/AYMN/FYM/FP/CMP // ZO


Lusa/fim


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