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Mário Soares: “Grandeza” de um “cidadão do mundo” também recordada em Bruxelas

Cerca de uma centena de pessoas participaram num cerimónia evocativa de Mário Soares no Parlamento Europeu, em Bruxelas, com eurodeputados das diferentes forças partidárias a prestarem homenagem à “grandeza” de um “cidadão do mundo”.

*** serviço áudio disponível em www.lusa.pt ***



Bruxelas, 10 jan (Lusa) – Cerca de uma centena de pessoas participaram hoje num cerimónia evocativa de Mário Soares no Parlamento Europeu, em Bruxelas, com eurodeputados das diferentes forças partidárias a prestarem homenagem à “grandeza” de um “cidadão do mundo”.


Promovida pela delegação do PS ao Parlamento Europeu, a cerimónia em Bruxelas – realizada sensivelmente ao mesmo tempo em que se concluíam as cerimónias fúnebres em Lisboa, nas quais participou o presidente da assembleia, Martin Schulz – contou com a presença da maioria dos eurodeputados portugueses, muitos funcionários, mas também deputados de outras nacionalidades, que prestaram homenagem ao antigo Presidente da República.


Colocado sobre uma mesa numa zona nobre da assembleia, ao lado de uma foto a preto e branco de Mário Soares e de um cravo vermelho, o livro de condolências foi assinado por dezenas de pessoas, entre as quais os líderes parlamentares das duas grandes famílias políticas europeias, Manfred Weber (Partido Popular Europeu) e Gianni Pittella (Socialistas Europeus).


O líder da delegação socialista, o eurodeputado Carlos Zorrinho, agradeceu a presença dos eurodeputados portugueses mas também “a todos os que se quiseram juntar, de outros países, reconhecendo aquilo que todos nós sabemos: Mário Soares é um grande português, mas é um cidadão da Europa, com muitos amigos por toda a Europa, um cidadão do mundo, com muitos amigos e reconhecimento por todo o mundo”.


“A comoção que tem sido vivida no mundo, e sobretudo em Portugal, é bem a demonstração da sua grandeza e da sua dimensão humana. E é a essa grandeza e a essa dimensão humana que nós hoje aqui singelamente queremos todos prestar homenagem”, concluiu na sua intervenção.


Depois de Zorrinho intervieram eurodeputados portugueses de outros partidos, designadamente Paulo Rangel, pelo PSD, Marisa Matias, pelo Bloco de Esquerda, João Pimenta Lopes, pelo PCP, e José Inácio Faria, pelo MPT (Nuno Melo, do CDS, marcou presença mas chegou quando as intervenções já tinham terminado), que destacaram o facto de Mário Soares ser uma “referência” incontornável da vida política e da democracia portuguesa.


Entre políticos de outras nacionalidades, uma deputada socialista francesa, Sylvie Guillaume, explicou aos jornalistas a sua presença com a necessidade que sentiu de “homenagear uma grande figura política, um enorme intelectual, que se bateu pelas suas convicções”.


Apesar de não se ter cruzado com Mário Soares nos corredores da assembleia europeia, pois iniciou funções já depois do mandato do também antigo eurodeputado (1999-2004), esta deputada francesa diz que leu muito sobre o antigo primeiro-ministro e Presidente português, e sabe que este era “um verdadeiro socialista, com convicções de esquerda, mas sem sectarismos”, e que teve um papel essencial no processo de democratização e integração europeia de Portugal.


Mário Soares morreu no sábado, aos 92 anos, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, tendo o seu funeral sido realizado hoje no Cemitério dos Prazeres, após uma sessão solene evocativa de homenagem nos claustros do Mosteiro dos Jerónimos, com intervenções da família, do Presidente da República, do presidente da Assembleia da República e do primeiro-ministro, através de um vídeo gravado durante a visita de Estado de António Costa à Índia.



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