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Mais de um terço dos jornalistas diz ser alvo de pressões externas – inquérito

Um estudo realizado por um investigador da Universidade de Coimbra conclui que 35,7% dos jornalistas inquiridos são alvo de pressões externas e cerca de um quarto afirma ser alvo de pressões da direção e da administração.

Coimbra, 15 dez (Lusa) – Um estudo realizado por um investigador da Universidade de Coimbra conclui que 35,7% dos jornalistas inquiridos são alvo de pressões externas e cerca de um quarto afirma ser alvo de pressões da direção e da administração.


O inquérito, com uma amostra representativa composta por 806 jornalistas, nota que mais de um terço dos inquiridos refere que já foi alvo de pressões externas no decorrer do seu trabalho, disse à agência Lusa o investigador responsável pelo estudo, João Miranda, que realiza uma tese de doutoramento na Universidade de Coimbra (UC) sobre a autorregulação profissional do jornalismo.


Apesar de uma maior evidência das pressões externas nas redações, 26,2% dos jornalistas que participaram no inquérito referem também que já foram alvo de pressões da direção editorial e 23,8% de pressões da administração da empresa.


O investigador João Miranda fez um cruzamento de dados para perceber se havia alguma variação significativa em relação à idade, género ou vínculo laboral, concluindo que as pressões são “transversais aos diferentes setores do grupo profissional”.


Apesar destes resultados, apenas cerca de 15% dos inquiridos discordam ou discordam totalmente com a ideia de “dispor de total liberdade na produção de conteúdos”, nota o estudo a que a agência Lusa teve acesso.


Quase 90% dos jornalistas dizem cumprir os preceitos éticos e deontológicos inerentes ao exercício da profissão e a quase totalidade afirma que o seu trabalho nunca ou raramente é modificado sem a sua autorização.


O inquérito, que também aborda as rotinas dos jornalistas, conclui que 2,7% dos inquiridos nunca contacta com fontes na redação de notícias e 10,7% raramente.


As percentagens também são reduzidas quando é perguntado aos jornalistas se recorrem sempre ou muitas vezes apenas a notas de agência.


No entanto, cerca de 20,5% dos inquiridos raramente sai da redação e 3,7% nunca a abandona em reportagem.


Essa tendência é corroborada pela hierarquia feita pelos jornalistas relativamente às metodologias que utilizam para contactar com as fontes.


A principal metodologia é o contacto telefónico, seguido do contacto presencial, sendo que o contacto via ‘e-mail’ também se torna relevante, sobretudo quando os jornalistas elencam a sua segunda e terceira metodologia mais utilizada no contacto com as fontes.


João Miranda salienta ainda o facto de as redes sociais já serem a principal metodologia utilizada por 1,7% dos jornalistas inquiridos.


Na componente da autorregulação, a maioria dos jornalistas (76,4%) consideram fraco o grau de participação da profissão na Entidade Reguladora para a Comunicação Social e mais de metade considera igualmente fraco o grau de participação na Comissão da Carteira Profissional.


Cerca de 70% dos inquiridos considera importante a criação de uma Ordem dos Jornalistas.


Os resultados do inquérito são apresentados hoje, na Faculdade de Letras, às 16:00, num debate intitulado “Relatos de uma profissão indefinida. Resultados de um inquérito aos jornalistas”.


O inquérito foi aplicado via ‘online’ entre os contactos detidos pela Comissão da Carteira, a titulares de carteira profissional de jornalista, título provisório ou cartão de equiparado.



JYGA // SSS


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