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Juros da dívida de Moçambique sobem para cima de 24% com perspetiva de ‘default’

Os juros exigidos pelos investidores para transacionarem títulos de dívida pública de Moçambique conheceram hoje um súbito agravamento, depois de o JP Morgan ter previsto que o país falhe o pagamento da prestação deste mês.

Londres, 09 jan (Lusa) – Os juros exigidos pelos investidores para transacionarem títulos de dívida pública de Moçambique conheceram hoje um súbito agravamento, depois de o JP Morgan ter previsto que o país falhe o pagamento da prestação deste mês.


O valor dos juros cobrados pelos investidores para transacionarem os títulos de dívida pública de Moçambique, com maturidade a pouco antes das 13:00 de Lisboa subiu para 24,09%, o que compara com os 23,19% exigidos há pouco mais de uma semana.


De acordo com os dados da agência de informação financeira Bloomberg, que monitoriza em tempo real o valor médio exigido pelos investidores nas transações de títulos de dívida no mercado secundário, o valor dos títulos caiu 3,2%, para 57,9 cêntimos de dólar pouco antes das 13:00 de Lisboa, o que represente apenas dois cêntimos mais do que o valor mais baixo de sempre.


A perceção do mercado sobre a capacidade de pagamento do Governo de Moçambique degradou-se hoje no seguimento de uma nota divulgada pelo banco JP Morgan, na qual as analistas Sonja Keller e Yvette Babb escrevem que “a retórica das autoridades nos últimos três meses implica que vão coibir-se de fazer mais pagamentos até que alguma forma de reestruturação seja acordada”.


Na nota, citada pela Bloomberg, as analistas dizem também que Moçambique também não deverá pagar 141 milhões de dólares que vencem a 21 de março relativamente ao empréstimo da Proindicus, uma das empresas públicas que contraiu empréstimos avalizados pelo Estado à revelia das contas públicas.


A falta de pagamento em janeiro deverá ter como consequência imediata a descida do ‘rating’ por parte das agências de notação financeira, o que afundaria ainda mais a avaliação de Moçambique em território de ‘não investimento’ ou ‘lixo’, como é normalmente conhecido.


Em outubro, Moçambique anunciou ao mercado que precisava de reestruturar dívida no valor de 1,7 mil milhões de dólares, incluindo já os 727 milhões de dólares em títulos de dívida soberana, que resultam de uma reconversão das obrigações da Empresa Moçambicana de Atum (Ematum) acordada com os investidores, que aceitaram um dilatamento do prazo de restituição do valor e um aumento dos juros anuais.


A iniciativa do Governo de Moçambique resultou num impasse com um grupo de investidores credores, incluindo a Franklin Templeton, AllianceBernstein e a casa de investimento Greylock Capital Management.



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