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Igreja Católica pede referendo e libertação de presos políticos na Venezuela

O Arcebispado de Caracas pediu hoje ao Governo da Venezuela que permita a realização de um referendo sobre o mandato do Presidente e que liberte os presos políticos, alertando ainda para a necessidade de resolver “a gravíssima crise alimentar”.

Caracas, 30 dez (Lusa) – O Arcebispado de Caracas pediu hoje ao Governo da Venezuela que permita a realização de um referendo sobre o mandato do Presidente e que liberte os presos políticos, alertando ainda para a necessidade de resolver “a gravíssima crise alimentar”.


“O sofrimento de milhões de venezuelanos reclama do Governo a necessidade de resolver a gravíssima crise alimentar e de medicamentos (…) que tem como causa a aplicação de um sistema económico errado, o totalitarismo socialista, que dá ao Estado o controlo total da economia”, lê-se num comunicado assinado pelo arcebispo de Caracas, cardeal Jorge Urosa Savino, e vários bispos.


“Nunca antes tantos venezuelanos tinham tido de procurar comida no lixo”, acrescentam.


Os religiosos dizem haver “outro problema pendente, o reconhecimento das faculdades constitucionais da Assembleia Nacional, atualmente bloqueada tanto pelo poder executivo como pelo judicial”.


“Isto configura uma situação real de ditadura, pelo desconhecimento da vontade do povo (…). Para o normal desenvolvimento da vida democrática é preciso que se restituam, à Assembleia as suas faculdades constitucionais”, escrevem.


Para os bispos, “é preciso que se permita o exercício do poder eleitoral do povo, através do referendo revogatório [do mandato presidencial] ou de outras eleições que resolvam a crise política atual, pois o povo, nas eleições [parlamentares] de dezembro de 2015, indicou maioritariamente não estar de acordo com o atual Governo”.


“Pedimos a libertação dos presos por factos conexos com atividades políticas”, prossegue o texto, que afirma que “tanto o poder judicial como o Governo têm instrumentos legais e constitucionais para pôr em liberdade imediata a maioria desses cidadãos, mais de uma centena, que sofrem uma prisão injusta” e que mesmo “que tivessem, supostamente, incorrido em delitos, todos eles deveriam ser processados em liberdade”.


“2016 foi um ano difícil, carregado de angústias e dificuldades para todos. O diálogo entre o Governo e a oposição, que foi motivo de esperança para amplos setores do país, está seriamente questionado. Independentemente do futuro desse diálogo, que deveria ter dado soluções para a severa crise, devemos ter presente que o povo exige paz, segurança pessoal, convivência social e condições que permitam trabalhar e viver em tranquilidade”, lê-se ainda no comunicado.


O documento vinca que “é preciso evitar a violência social, como o vandalismo, o saqueio provocado e o gravíssimo caos e dor que causou, especialmente aos mais pobres, a desacertada medida de tirar de circulação as notas de 100 bolívares [0,15 euros], as de maior circulação)”.


“Enquanto não houver outras notas e moedas para as substituir é absolutamente necessário manter a validade dessas notas”, defende.


O arcebispado insta os venezuelanos a conviverem pacificamente e a “castigarem a criminalidade que causa tanta dor, mas evitando e sancionando os inaceitáveis abusos cometidos por funcionários dos corpos de segurança do Estado nas chamadas Operações de Libertação do Povo, como os massacres ocorridos recentemente em Cariaco e Barlovento”.



FPG // MP


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